Série Madeira pode ser a solução para o futebol da região

A MADEIRA viveu durante longo tempo, e ainda vive, uma realidade virtual desportiva. Uma realidade baseada num apoio directo e explícito do Governo Regional local que criou uma ilusão de poder que o tempo tratou de diluir. Nas épocas de 89/90 e 90/91, a região teve três clubes na I Divisão -- Marítimo, Nacional e União -- graças aos apoios do executivo de Alberto João Jardim; hoje, apenas o Marítimo se mantém entre os grandes.

O feito madeirense no final dos anos 80 estava destinado ao falhanço, devido à falta de infra-estruturas. Os três clubes partilhavam o Estádio dos Barreiros, na altura o único recinto relvado na região, dividindo entre si (poucas) horas de treino quando não estavam a treinar em campos pelados. Esta situação acabou por reflectir-se nos resultados desportivos: o Nacional desceu à II Divisão de Honra no final de 90/91; o União encontrou idêntico destino na época seguinte (91/92). O regresso dos unionistas ao escalão principal em 93/94 apenas atenuou a anunciada queda do clube, que em 94/95 caiu irremediavelmente na Honra. Curiosamente, na temporada transacta, no ano da criação da sua SAD, o clube de Jaime Ramos (o nº 2 do PSD na Madeira) voltou a dar outro tombo, desta feita para a II Divisão B.

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NOVOS RELVADOS

Apesar de tudo, o futebol madeirense parece ter encontrado nos últimos anos um rumo. O aparecimento de diversos campos relvados na região prometem um futuro risonho. O Nacional já possui o seu próprio campo de jogos, com um relvado natural e outro sintético; o Camacha seguiu idêntico exemplo e até cede para os treinos do União o seu campo sintético; São Vicente, Câmara de Lobos, Machico e Portosantense são os outros clubes beneficiados com um tapete verde natural.

A subida do Ribeira Brava à II Divisão B obriga, à força dos regulamentos, que o clube actue num campo relvado, que poderá ser artificial ou natural. A edilidade da Ribeira Brava, da qual o presidente é também quem rege os destinos do clube, estabeleceu já um protocolo tendo em vista o arrelvamento artificial do actual pelado, bem como o melhoramento das estruturas circundantes, nomeadamente balneários e cabina de Imprensa. Mas as ambições do clube vão ainda mais longe e está projectada a construção de outro estádio, esse sim com a desejada relva natural.

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Encontrar receitas próprias é a maior tarefa que os clubes enfrentam, depois do Governo Regional ter feito um substancial corte nos apoios ao futebol madeirense. O falhanço da proposta de Alberto João Jardim para a criação de um clube único na I Divisão, juntando Marítimo, Nacional e União sob a mesma sigla, teve como resultado o corte de verbas para o futebol entre 1997 e 98. No entanto, o executivo madeirense está disposto a efectuar diversos reajustamentos, dos quais o mais provável será a criação de uma zona Madeira na III Divisão, à semelhança do que sucede nos Açores. Repensar a política, centrando a aposta na qualidade em detrimento da quantidade é o objectivo principal, já publicamente assumido pelo Governo Regional da Madeira.

CAB e MADEIRA SAD NA ROTA DOS TÍTULOS

O fracasso da SAD futebolística do União não encontrou paralelo no Madeira SAD, cuja equipas de andebol brilharam alto na temporada 1998/99. A formação feminina conseguiu mesmo o pleno, com a conquista do Campeonato, Taça de Portugal e Supertaça.

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Liderado pelas duas melhores jogadoras nacionais -- Judite Paris (que abandonou a modalidade no final da época) e Juliana Sousa (considerada a melhor jogadora no Mundial júnior de 1997) -- o Madeira SAD só encontrou alguma resistência por parte das nortenhas do Colégio de Gaia e da outra equipa madeirense, o Sports Madeira, que terminou o Campeonato na 3º posição.

Dias depois do êxito no Nacional Feminino, as andebolistas do Madeira SAD não deram tréguas ao Porto Salvo na final da Taça de Portugal e arrecadaram o troféu por 29-20. Uma festa para o clube insular que na semana anterior celebrara também a conquista da sua primeira Taça de Portugal em andebol masculino, numa final em que os homens bateram o Boavista (22-14) depois de terem arredado nas meias-finais o poderoso ABC (20-19). O sucesso do projecto do Madeira SAD levou já a um acordo entre o clube e o Marítimo, para este último funcionar como clube satélite na temporada de 1999/2000.

Mas não foi só no andebol que as atletas madeirenses deram cartas em 98/99. Também no Nacional Feminino de Basquetebol o campeão veio das ilhas: o Clube Amigos do Basquete (CAB) conquistou o título, ao bater na final a forte equipa do TV Cabo/Santarém. Um êxito que completou a "dobradinha" do CAB, pois dias antes ganhara a final da Taça de Portugal, onde, curiosamente, defrontou a outra equipa da região, o Nacional.

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JOÃO FRANÇA

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