Escola de valores faz prova de grande vitalidade

Os madeirenses eliminaram o Benfica da Taça, fazendo prova de uma superioridade incontestada. A afirmação de vários jogadores locais na equipa principal levou Record a procurar saber como se trabalha nos escalões de formação, que custam anualmente cerca de 100 mil contos (500 mil euros). O coordenador da secção, prof. Juca, orienta uma estrutura vasta, onde pontificam diversos técnicos que jogaram no clube

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CERCA de 100 mil contos é quanto o Marítimo gasta anualmente com o seu futebol jovem. Um sector que tem merecido uma especial atenção por parte do presidente Carlos Pereira, desde que regressou ao clube, em 1997.

Os resultados começam a aparecer gradualmente, com o lançamento de jovens valores na equipa principal, via equipa B, mas a prioridade da formação continua a ser incutir nos jovens praticantes valores que perdurem para a vida.

O prof. Rui Rodrigues (“Juca”) coordena cerca de 350 jovens, distribuídos pelos diversos escalões, desde tenra idade aos mais adultos. “É uma estrutura que já está montada no clube há vários anos. O mais difícil é a gestão dos espaços, que nos obriga a fazer grandes ginásticas e a definir prioridades para rentabilizar toda a qualidade do nosso trabalho. Um desenvolvimento que se procura ser coerente e o mais rentável possível”, sublinha aquele responsável, esperançado numa mudança de cenário com o projectado aumento do complexo desportivo de Santo António.

“O clube vai apostar na criação de novas estruturas, que nos permitirá ter tudo isto mais concentrado e proporcionando assim aos nossos atletas melhores condições de trabalho. Tal como aos nossos treinadores, que nem sempre conseguem pôr tudo em prática pelas condições disponíveis”, constata.

Quem quiser estrear o seu filho a jogar futebol no Marítimo pode fazê-lo a partir dos 6 anos, nos núcleos de captação. “Às vezes aparece um mais novo, mas normalmente começa-se nessa idade. Depois são enquadrados com as noções do jogo e, conforme a sua evolução, são encaminhados para os núcleos especiais, que funcionam mais vezes por semana”, explica.

Juca defende dois grupos: até os 14 anos e depois dessa idade. “Até esse ponto, pensa-se sobretudo na formação e na educação do jovem; após os 14, com a integração nos juvenis, já se pode falar em treino.”

Os oito madeirenses utilizados por Nelo Vingada na equipa A do clube constituem motivo de regozijo para os responsáveis pela formação. É sinal de que vale a pena continuar a apostar para que os frutos sejam aproveitados. No entender de Juca, a criação da equipa B como “plataforma” de lançamento foi decisiva.

“É um dado assente que a criação da equipa B facilitou a integração dos jovens que vamos produzindo, já que se tornou num espaço para os jogadores irem amadurecendo. Além de ganharem experiência, podem jogar com menos pressão e ir desenvolvendo as suas capacidades através de um trabalho mais específico. Não há aqui o mediatismo do rendimento e isto é importante para que o jogador consiga cimentar a sua posição.”

GONÇALO VASCONCELOS

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