Kenedy abandona Macau sob estigma de «doping»
A nove dias do início do Campeonato do Mundo, surge o primeiro sério revés nos "Tugas": Kenedy vai abandonar o estágio nas próximas horas, devido a "problemas clínicos". Foi o departamento médico da selecção quem aconselhou António Oliveira a tomar tal decisão. Record sabe que Kenedy acusou uma substância diurética proibida nas análises feitas em Lisboa
KENEDY vai ser dispensado da Selecção Nacional que está a estagiar em Macau, tendo em vista a fase final do Campeonato do Mundo, prova com início marcado para dentro de nove dias, por ter acusado uma substância diurética, proibida, nas análises realizadas à urina, ainda em Lisboa, apurou o nosso jornal. O jogador do Marítimo vai abandonar o ex-território português nas próximas horas, colocando um ponto final no sonho que ele próprio admitiu estar a viver.
A Federação Portuguesa de Futebol ainda não justificou a decisão tomada na madrugada de ontem, em Macau (a meio da noite em Portugal continental). Num curto comunicado, de três linhas, colocado no "site" da FPF, às 23 e 35 horas, apenas adianta que tal opção decorreu por "indicação do departamento médico". Com efeito, o nosso jornal apurou que ontem o seleccionador esteve reunido várias horas com os médicos da selecção. Esse encontro aconteceu depois de os dirigentes federativos terem abandonado, repentinamente, uma recepção que estavam a ter com o Cônsul de Portugal em Macau. Durante esse evento social, os responsáveis da delegação lusa receberam, de Lisboa, a informação de que havia um problema com os testes médicos realizados por Kenedy, antes ainda da partida para o Oriente. Em momento algum os dirigentes da FPF em Macau falaram na possibilidade de tratar-se de um caso de "doping". Mas também não o negaram. E sabe-se que os jogadores da selecção, no início do estágio, em Lisboa, foram submetidos a exames médicos, de controlo "antidoping". Figo fê-las em Macau, tendo um médico do CNAD viajado desde Lisboa só para realizar essa tarefa.
Ao início da noite de ontem, em Portugal, começaram a surgir rumores sobre um jogador da selecção que estaria na iminência de ser dispensado, devido a "problemas clínicos". Perto das 23 e 30 horas soube-se que o único representante do Marítimo na selecção, e grande surpresa da convocatória, era o alvo desses mesmos rumores.
Sem dormir a noite inteira, todos os elementos da comitiva, excepto jogadores, estiveram reunidos para decidir a melhor forma de tornar público aquilo que já não podiam esconder, uma vez que a Macau chegavam indicações a todo o minuto de que a história já circulava, apenas não se sabendo o nome do jogador envolvido. O silêncio poderia dar azo a especulações sempre inconvenientes.
Os capitães Fernando Couto e Luis Figo foram acordados mais cedo, cerca das seis horas da manhã. Depois de colocados perante o facto de Kenedy ter de abandonar os trabalhos da selecção, foram convidados a discutir a forma de melhor redigir o comunicado que iria oficializar o caso que marca o início do estágio. António Oliveira foi quem deu a má notícia a Kenedy. Eram seis e meia da manhã em Macau.
Contactado por Record, a meio da noite, antes ainda de se saber o nome do implicado, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, que por coincidência segue esta tarde de viagem para Macau, escusou-se a fazer comentários aos rumores que corriam em Portugal, argumentando que não possuía informações suficientes que lhe permitissem abordar a questão. Mas não negou que algo de estranho se estava a passar em Macau.
O "caso Kenedy", que traz à memória o drama vivido por Veloso em vésperas do Mundial do México, em 86, foi seguido atentamente em Sevilha pela comitiva maritimista que ali se encontra e na Suíça, onde os elementos da Selecção de sub-21 participam na fase final do Europeu.