União de Leiria pagou ordenados de abril e maio ao plantel
Fica ainda por liquidar o de junho, mês que está perto de terminar
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Os jogadores que integram o plantel da União de Leiria receberam esta sexta-feira os ordenados de abril e maio que estavam por pagar, informou fonte da SAD leiriense, que disputa a Segunda Liga.
A equipa, que se prepara para iniciar a nova época no segundo escalão do futebol profissional, tinha em atraso as retribuições aos atletas que disputaram a temporada passada.
De acordo com informação da SAD da União de Leiria enviada à agência Lusa, a demora nos pagamentos verificou-se porque "o orçamento e planeamento anual foi feito tendo em consideração as receitas do mecanismo de solidariedade da UEFA que estavam previstas para esta temporada".
Contudo, "a meio da época, afinal, foram sonegadas" essas receitas, "cerca de 450 mil euros que estavam previstos no orçamento", mas que deixaram de ser distribuídos pelos clubes da Segunda Liga, por decisão da Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).
"É uma situação que lamentamos", conclui a administração.
Sindicato está atento
O atraso nos pagamentos ao plantel da União de Leiria está a ser acompanhada pelo Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) que, hoje de manhã, admitiu um eventual recurso ao Fundo de Garantia Salarial.
"O nosso departamento jurídico está em diálogo e esperamos ter novidades hoje ainda. No limite, vamos ter de avançar com os mecanismos legais e a acionar o Fundo de Garantia Salarial, para dar o mínimo de resposta aos jogadores", disse Joaquim Evangelista à agência Lusa.
Ao final da tarde, a SAD da União de Leiria avançou à Lusa que os meses de abril e maio foram pagos ao plantel, mas o de junho ainda não.
Segundo o presidente do SJPF, no controlo salarial realizado pela LPFP, em 15 de maio, a União de Leiria tinha solicitado aos atletas "um deferimento de pagamento da retribuição de abril de 2026 até 31 de maio".
"Mas essa retribuição não foi paga, tendo, entretanto, vencido também o salário de maio e está a caminho de vencer-se o de junho. Os jogadores chegaram a uma situação limite", explicou, a meio do dia, Joaquim Evangelista.
A situação regularizou-se ao final da tarde de hoje relativamente aos dois ordenados em atraso, mas o presidente do SJPF pretende que a LPFP exclua a possibilidade de haver pagamentos adiados.
"A questão destes deferimentos de pagamento já foi suscitada por nós junto da LPFP. Consideramos que não faz sentido: é benéfico para os clubes, porque permite passar no controlo financeiro, mas é injusto por põe em causa a integridade das competições, porque há clubes pagam e outros que não pagam".
Segundo Joaquim Evangelista, "é um expediente utilizado junto da parte mais fraca, que é o jogador, que está numa posição de dependência".
"Colocar o jogador nestas circunstâncias não é aceitável. Este mecanismo não devia ser permitido a nenhum clube", porque "é estar a beneficiar o infrator".
Além disso, "não resolve nada, muitas vezes só agrava a situação".
Quando estão em análise os processos de licenciamento das equipas que vão disputar as ligas profissionais, situações como a da União de Leiria "não são aceitáveis".
"Temos de ser mais exigentes e garantir que a competição é íntegra e é igual para todos. O clube que está a competir tem de garantir as condições mínimas", concluiu Joaquim Evangelista.
A União de Leiria, que terminou a edição de 2025/26 no sexto lugar da Segunda Liga, regressa aos trabalhos na próxima semana, em dia ainda por anunciar.
Regularizados os salários em atraso, a SAD tem ainda outra questão por resolver: a impossibilidade de inscrição de novos jogadores imposta pela FIFA, na sequência de estarem por pagar verbas relativas a transferências de atletas.