U. Leiria: 60 anos a catapultar estrelas

Fundada a 6 de junho de 1966, União de Leiria tem percurso de altos e baixos

Luís Carlos Caetano (quarto a contar da esquerda) é o presidente da U. Leiria
Luís Carlos Caetano (quarto a contar da esquerda) é o presidente da U. Leiria • Foto: U. Leiria
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Num momento em que lida com três 'transfer bans' e existem dúvidas sobre a continuidade do treinador Fábio Pereira, a U. Leiria comemora este sábado 60 anos de existência. Luís Carlos Caetano lidera o clube, guiado pela vontade de regressar à 1.ª Liga. Ainda a lidar com as consequências da depressão Kristin na academia, acredita que vai avançar na compra de terrenos na freguesia de Pousos para alargar a oferta e criar uma casa para o clube. “O projecto já está desenvolvido em parceria com a SAD, para fazer um centro de treinos e de estágio que pudesse até albergar equipas estrangeiras. As coisas estão encaminhadas, mas Leiria foi muito fustigada pela tempestade”, afirma, justificando a paragem momentânea do processo.

O dirigente recorda a história do clube e acredita que, em breve, regressarão à 1.ª Liga. “Depois de estarmos no buraco, voltámos a renascer, subindo da Liga 3 à 2.ª Liga e criou-se uma força diferente. Já temos mais gente a ir ao estádio, mais sócios, miúdos que dizem que são da U. Leiria”.

Fundada a 6 de Junho de 1966, a União de Leiria tem um percurso marcado por altos e baixos, com presenças na Taça UEFA e na Taça Intertoto, mas também pela descida às distritais. Esteve vários anos na 1.ª Liga e soube alavancar nomes para grandes clubes, como afirma Luís Bilro, um nome indissociável da história do emblema. “A União de Leiria vive uma fase curiosa dentro do futebol português, porque consegue ser um vendedor de jogadores para clubes grandes”, recorda o antigo capitão que esteve 12 anos no plantel, entre 1992 e 2004. Ao lote das estrelas, onde começa com Mourinho, junta nomes como Derlei, Helton ou Maciel, que vieram abrilhantar as prestações da equipa, mas também os treinadores Vítor Oliveira ou Manuel José.

“Sempre nos apercebemos que as limitações e ambições da União de Leiria eram diferentes e que o clube em si não conseguia ter a dimensão financeira como o Benfica, Sporting ou FC Porto. Mas sempre se pautou por ser um clube muito regular e cumpridor”, referiu. O actual treinador dos sub-23 do Leiria recorda um episódio com Hugo Porfírio, que chegou por empréstimo oriundo do Sporting: “Ele queria vir de helicóptero e aterrar no estádio para assinar contrato, daquelas coisas meio estranhas à jogador de futebol. O Leiria não tinha bem essa dimensão.”

Também João Bartolomeu é uma pessoa que marca o percurso do emblema. Foi presidente durante 25 anos e criador da primeira SAD “de um clube pequeno”. “Lançámos grandes treinadores e jogadores, de tal maneira que o Mourinho foi despedido do Benfica e apostei nele. O Pinto da Costa perguntou-me se tinha ido buscar um preparador físico, mas a seguir veio buscá-lo e levou mais seis jogadores, para ser campeão europeu”, afirma.

João Bartolomeu diz que escolhia todos os jogadores e, entre os episódios que recorda, aborda a final da Taça de Portugal. “Sempre sonhei em ir lá como espectador, acabei por ir como presidente”. Sobre a actual equipa, que continua a acompanhar – “sou do Leiria até morrer” – acredita que chegará em breve à 1.ª Liga. “Já lá podia estar há dois anos”, considera.

Autora: Inês Gonçalves Mendes

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