Divisão no clube levou à saída da direção

Órgão demissionário explica saída através de comunicado

Direção presidida por Pedro Faria apresentou demissão
Direção presidida por Pedro Faria apresentou demissão • Foto: Ricardo Jr

A direção demissionária do Varzim emitiu um comunicado a explicar as razões que estiveram na origem do pedido de cessação de funções, apontando a contestação crescente como o motivo principal. "Procurou-se denegrir na praça pública a imagem dos dirigentes. Pintaram-se e vandalizaram-se as paredes do nosso próprio estádio e criaram-se enormes divisões entre sócios e adeptos", podia ler-se na nota, na qual ficou também patente algum desagrado pelo recente pedido de um grupo de associados para a realização de uma assembleia geral para a destituição dos órgãos sociais.

Garantindo que essa reunião criaria "mais um foco de divisão e instabilidade", a direção referiu que não tinha intenções alimentar essas situações, optando por sair para preservar o "superior interesse do clube". Para a história, de acordo com a nota, fica um trabalho de "orgulho".

Eis o comunicado na íntegra:

A Direcção cessante do Varzim Sport Club vem por este meio informar os sócios, adeptos e demais interessados das razões que levaram à demissão conjunta dos seus elementos em exercício de funções.

No passado dia 28 de Abril de 2018 realizaram-se as eleições para o triénio de 2018/2020, nas quais participaram 1094 sócios, e a então lista A foi eleita com 665 dos votos. Foi a expressão democrática dos sócios do Clube que julgaram ser a Direcção que vinha exercendo funções a que estava mais preparada para dirigir e administrar o Clube.

Porém, houve quem não conseguisse aceitar o resultado eleitoral. Seguiram-se campanhas de difamação, calúnias e injúrias, muitas vezes anónimas…sinais dos tempos! Procurou-se denegrir, na praça pública, a imagem dos Dirigentes do Clube. Pintaram-se e vandalizaram-se as paredes do nosso próprio estádio e criaram-se enormes divisões entre os sócios e os adeptos!

Pese embora, a responsabilidade de prosseguir com o projecto de continuar a criar as bases para tornar o Clube financeiramente sustentável, sem perder a nossa autonomia e identidade, deu-nos sempre a força para continuar a lutar contra as adversidades, mesmo aquelas criadas dentro da nossa própria casa.

Recentemente, um conjunto de sócios apresentou junto do Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Geral um requerimento para a realização de uma assembleia geral para a destituição dos órgãos sociais do Varzim Sport Club. Não foram apresentadas razões ou justificações, mas não pode deixar de se interpretar como manifestação de desagrado de um conjunto relevante de sócios do Clube.

Nunca estivemos agarrados ao poder. A realização de uma Assembleia Geral com aquele fim, independentemente do resultado, não iria prestigiar a história e a vida de um Clube centenário como o Varzim Sport Club, mas apenas iria ser mais um foco de divisão e instabilidade entre os nossos sócios. Fossem quais fossem as conclusões dessa reunião, a massa associativa do clube ficaria irremediavelmente fracturada e essa clivagem poderia ter consequências irreparáveis na vida futura do clube.

Não iremos contribuir para alimentar essas divisões. A vitalidade e sustentabilidade do nosso Clube somente será possível, qualquer que seja a Direcção, se os varzinistas estiverem unidos.

Na conjuntura actual, a demissão conjunta dos elementos da Direcção, afigurou-se-nos como a atitude mais correcta e responsável para permitir a mais rápida regularização da vida do Clube, pois a situação do mesmo não se compadece com guerras internas estéreis e actos irresponsáveis.

Permitimo-nos recordar. A situação do Clube em Setembro de 2012, quando o começamos a administrar, era a mais difícil e crítica da sua história e muitos difundiam a ideia da sua inviabilidade e anunciavam o fim: o Clube encontrava-se sem condições para cumprir os pressupostos de participação nas competições profissionais e com milhões de euros de dívidas a terceiros. Assumimos, e nunca nos rendemos! Ninguém mais se apresentou, muitos duvidaram que conseguiríamos. Nós, nunca! O caminho até aqui traçado, não pode deixar de nos fazer sentir orgulhosos, no concreto quadro de circunstâncias com que nos deparamos. A nossa ambição foi sempre fazer mais e melhor. À posteriori, podemos reconhecer que nem todas as decisões foram correctas, mas foi o melhor que conseguimos e podíamos, sempre norteados pelo superior interesse do Clube.

A gestão do Clube foi sempre condicionada pelas dificuldades financeiras e pelas aventuras desmedidas do passado, mas indesmentivelmente teve méritos de que nos orgulhamos:

– estabeleceram-se acordos para o pagamento faseado do passivo perante a AT e a Segurança Social, sucessivamente melhorados e pontualmente cumpridos até à data, de modo a que o Clube nunca deixou de ter acesso às certidões da situação tributária e contributiva regularizadas;

– por esta via, reduziu-se o passivo fiscal em mais de 500.000,00 €, e não foi criada dívida nova;

– pagaram-se muitos outros milhares de euros a credores;

– recolocou-se o Clube nas competições profissionais, agora com efectivas condições para aí competir e inscreveu-se o Clube, 4 anos seguidos;

– conseguimos tornar o Clube outra vez dono do seu próprio património;

– criou-se a equipa B e apostou-se nos jovens jogadores da nossa formação;

– desportivamente, a subida de divisão e as presenças na fase de grupos da Taça da Liga foram marcos importantes e relevantes;

– realizaram-se mais de 800.000,00 € com receitas provenientes da cedência definitiva de direitos desportivos de Jogadores, havendo ainda em alguns casos a expectativa de futuras mais valias;

Não podemos voltar atrás! Sem estar presente nas ligas profissionais, o Clube não é minimamente viável, sem cumprir as suas obrigações, nunca seremos um Clube forte e respeitado. O Clube sempre foi, é e deverá continuar a ser dos sócios.

A situação financeira do Clube continua muito difícil e não se torna possível governar o Clube com tamanho clima de instabilidade e guerrilha.

O que levou a Direcção ao pedido de demissão de funções foi o superior interesse do Clube, para que fossem tomadas as diligências (como já foram) que permitam o agendamento de processo eleitoral para eleição de novos corpos sociais o mais rápido possível, sem que deixasse de ser assegurada a preparação do início da corrente época desportiva.

Estamos convictos de que, através do novo processo eleitoral que agora se iniciará, surgirão outras pessoas capazes de assegurar a gestão do Clube e de enfrentar os próximos desafios.

Que tudo possa decorrer com a maior normalidade e que a união e espírito varzinista seja uma realidade.

Seremos sempre parte da solução, nunca um problema.

Ala-arriba VarzimSC!

Por Pedro Morais
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