Câmara Municipal de Vila Franca de Xira avança com requalificação do Campo do Cevadeiro

Empréstimo de 2,65 milhões de euros em causa

• Foto: Vítor Neno

A requalificação do Campo do Cevadeiro vai mesmo avançar. Todas as forças partidárias aprovaram em unanimidade, esta quarta-feira, em reunião da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, a abertura de um procedimento para financiamento a longo prazo (20 anos) com vista a remodelação do espaço que está na posse da autarquia e que é um espaço habitualmente utilizado pela União Desportiva Vilafranquense. 

Segundo o presidente da edilidade, Alberto Mesquita, a CM Vila Franca de Xira vai contrair um empréstimo de 2,65 milhões de euros - que terá de ser ratificado pela assembleia municipal -, um número "a que não se chegou à toa". "Este número resulta daquilo que são as exigências da Liga", explicou, antecipando benefícios para a região, desportivos mas também económicos. "A Câmara Municipal, com esta alteração do campo, vai ter em alguns momentos a possibilidade de trazer para Vila Franca de Xira grandes eventos desportivos", prometeu.

Concretizada a requalificação do espaço, o presidente da câmara garantiu também que "é óbvio que o protocolo que existe com o Vilafranquense tem de ser revisto".

Recorde-se que o emblema ribatejano cumpre a segunda época consecutiva na 2ª Liga profissional de futebol e alinha em casa emprestada, no Municipal de Rio Maior, a cerca de 50 quilómetros de Vila Franca de Xira.

A intervenção do presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira na íntegra:

"Foi feito um pedido de autorização para uma consulta ao mercado. Veremos como é que vai ser o caderno de encargos, que projeto se pretende e também encontrarmos uma solução adequada tendo em conta os calendários desportivos que estão em cima da mesa.

O campo é propriedade da câmara municipal. A câmara tem a obrigação de zelar pela manutenção e requalificação do campo e tem-no feito ao longo do tempo mas de forma insuficiente para aquilo que são as exigências de hoje. Se no passado era possível – alguns de nós já fizeram desporto e até jogaram em campos que tinham pedras -, agora esse tempo já lá vai. Eram tempos românticos, com muitas esfoladelas nos joelhos. Para o desporto se desenvolver com a qualidade necessária e para que se consigam encontrar talentos na área do futebol, é preciso que as condições estejam garantidas.

Chegados aqui, há que dizer que o Campo do Cevadeiro precisa de ser requalificado e precisa de o ser pelas regras exigidas pela Liga Portuguesa de futebol Profissional, que são muitas. Hoje em dia, os clubes sobrevivem através dos patrocínios relativamente à televisão porque não têm público. A receita de bilheteira é inexistente neste momento. As dificuldades são evidentes. Alguns clubes estão em sérias dificuldades e alguns vão, se calhar, mesmo acabar. Nós não queremos isso para Vila Franca de Xira. Não queremos que a União Desportiva Vilafranquense acabe por ausência de uma decisão camarária para, de facto, requalificarmos o campo. O que é que se entende por requalificação? É ter um campo onde se possam desenvolver atividades de caráter desportivo de acordo com as exigências que são colocadas por quem superintende o nosso futebol em Portugal. Como temos um clube, a UDV, que está numa competição profissional, aquele só serve para fazer alguns treinos e alguma atividade no âmbito da formação. Não serve para a génese que é importante para a economia do concelho. Ou seja, trazer pessoas até Vila Franca de Xira através do veículo que se chama futebol. Nós podemos estar em desacordo com muita coisa mas não podemos esquecer o que o futebol garante, para além da grande paixão. Garante também o aspeto económico nas diversas regiões do nosso país. O que vos quero dizer é que nós estamos a prever - se este processo for aprovado na Câmara Municipal e depois remetido à Assembleia Municipal – avançar com um processo de concessão/construção dirigido a empresas que têm muita experiência na construção de equipamentos desportivos. Aquilo que lhes posso dizer é que era impossível fazer um estádio onde se iria investir 4 milhões de euros e depois 6 milhões de euros… Nós dizemos que é bem possível fazer uma requalificação de acordo com todas as necessidades pelo valor que foi referido. Já fizemos contas, já analisámos e o valor [2,65 milhões de euros] é suficiente para fazer a requalificação que o estádio necessita.




Depois do campo ser requalificado, é óbvio que o protocolo que existe com o clube tem de ser revisto para perceber de que forma é que tudo isto pode evoluir. Como primeiro ponto, à utilização do campo tem de ser estabelecida uma renda. Essa renda é um fator que poderá vir a minimizar o investimento que vai ser feito. Por outro lado, a Câmara Municipal, com esta alteração do campo, vai ter em alguns momentos a possibilidade de trazer para Vila Franca de Xira grandes eventos desportivos. Só é possível fazê-lo com esta requalificação. Independentemente daquilo que cada um pode pensar sobre o assunto, estão aqui reunidos fatores que vão muito para além da atividade desportivo, tendo a ver com a atividade financeira. Há muita gente que vem a Vila Franca de Xira por causa do futebol. Naturalmente que irão consumir nas nossas lojas, no comércio local, na restauração, etc.

A questão [da rivalidade] Alhandra-Vilafranquense já foi colocada há muitos anos. O Alhandra estava de acordo. A União Desportiva Vilafranquense nunca esteve. ‘Nem pensar’, diziam os dirigentes de então. É um tema que gera grandes paixões e é preciso ter alguma tranquilidade sobre isto. Aquilo que vos quero dizer é que essa situação foi aventada e não teve sequência positiva. Em 2002 ou 2003, quando se começou a falar do Euro’2004 e se começaram a fazer estádios sendo que alguns têm reduzida utilização hoje em dia, uma das questões era fazer um estádio único para o Benfica e Sporting.  Há décadas em que a União Desportiva Vilafranquense desenvolve a sua atividade ali. Não podemos esquecer a história, as coisas são como são."

O porquê deste valor de empréstimo?

"É evidente que nós não lançámos o número à toa. Este número resulta daquilo que são as exigências da Liga, daquilo que vimos noutros campos de futebol a nível de portefólios de arquitetura e empresas que fizeram esses mesmos campos. Do nosso ponto de vista, são aqueles que mais nos parecem adequados aquilo que é necessário fazer em Vila Franca de Xira. O que pretendemos fazer é uma requalificação de acordo com as regras e que seja um campo agradável mas sem grandes exigências de custos que não podemos, de modo algum, suportar. O valor foi visto no quadro daquilo que nós avaliámos em relação ao que está no mercado e ao que está construído, tendo em conta o valor das obras em causa. Recorrendo à avaliação que fizemos, chegámos a este valor. Tem de ser este valor: nem mais, nem menos. Só devemos falar quando há já uma base e uma sustentabilidade para se desenvolver um determinado processo. Temos falado muitas vezes com o clube, e com a SAD da qual o clube também faz parte. Sabemos que, obrigatoriamente, por lei, o clube tem de ter 10 por cento do capital social da SAD. Portanto, temos falado muito com o clube e com a SAD no sentido de conversarmos e sabermos se a nossa perspetiva poderia ir ao encontro das necessidades mínimas e adequadas para que a UDV pudesse desenvolver as atividades no Campo do Cevadeiro. Temos feito as reuniões que são necessárias fazer."

Por Flávio Miguel Silva
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