Filipe Moreira: «Não estou nada preocupado com o meu futuro»

Técnico apela ao futebol positivo da equipa e ao prazer dos jogadores

• Foto: Ricardo Nascimento

Filipe Moreira fez o rescaldo da partida que ditou a derrota do Vilafranquense (4-0) na casa do Benfica B, garantindo que não está "nada preocupado com o futuro".

Confira a conferência de imprensa do treinador do Vilafranquense:

Entrámos a perder. Houve um lance de penálti, depois o golo. Precisávamos de entrar bem nos jogos e não andar atrás do prejuízo, ter uma parte emocional que permitisse entrar no jogo e mostrar o futebol que tem caracterizado estes jogadores à exceção do jogo com o Varzim. Foi o único jogo de análise nos últimos nove que me cria algum problema. Entrámos a perder mas depois entrámos no jogo. Começámos a ter um jogo muito tático, com o Benfica a a criar alguns problemas na nossa primeira fase de construção. Conseguimos criar algumas situações pelo Rafael Furlan envolvendo jogadores na área. De repente, quando sentimos que estamos no jogo e estamos a crescer, sentíamos também que o Benfica numa transição nos podia criar problemas. Quando criou, foi num erro nosso, na nossa fase de organização. Teríamos de ir para o intervalo com mais equilíbrio no que diz à parte emocional, com 2-0. Seria um tónico diferente e acontece um livre, dando um golo de qualidade do Tiago Dantas. O jogo praticamente está partido em termos emocionais.

A perder 3-0 ao intervalo, há duas coisas a fazer: ou o treinador arrisca, demonstra algo e mete dois avançados como eu fiz a querer dizer que quer mais alguma coisa porque acredita no processo e ainda vamos dar a volta ao próprio jogo; ou eventualmente deixamos os mesmos com a equipa serena e mais tarde faço alguma coisa. Sofremos os golos no princípio, dois golos a acabar a primeira parte e logo no início da segunda. Foram quatro socos muito fortes que diante de um quadro de altíssima eficiência por parte do Benfica B não é fácil para qualquer equipa dar a volta à situação. Tentámos, o jogo caiu de qualidade, a parte emocional baixou consideravelmente, sendo que do outro lado está muito mais alto. Poderíamos ter feito golo num ou outro lance até ao fim mas não passou disso. Cumprimentamos quem ganha, não se vai discutir um 4-0. Estou ferido, magoado porque andamos sempre ao contrário e hoje continuámos a andar ao contrário. Ninguém merece pelo futebol que temos praticado. Podemos estar nos últimos lugares mas a nossa imagem, a qualidade dos meus jogadores, do processo tem vindo sempre ao cima na maior parte dos jogos. Temos tido muitas vitórias morais e hoje não foi uma delas, como é lógico. Foi um resultado complementa ao contrário do que aconteceu no próprio jogo. O nível de eficiência foi altíssimo mas não ponho em causa o resultado quando isto acontece.

O Benfica B sabia que ia encontrar um adversário que lhe iria dar problemas, tem sido assim. Não estou a ser arrogante, perdi e até devia era ter mais cuidado. Tem acontecido isto e é a minha verdade. Quando um guarda-redes praticamente não entra em jogo, o nível de eficiência tem de ser altíssimo. Isso faz traduzir o resultado final. Há uma coisa que tem de ser dita antes do jogo: o processo do Benfica B é ótimo, o processo, há uma ideia, um padrão, uma filosofia e uma identidade. O futebol português precisa disto e tem dado provas. Há jogadores que são vendidos, outros que são lançados, há uma rentabilidade deste processo. Eu, como treinador, cumprimento quem faz este tipo de análise sabendo o que é melhor para um clube. O Vilafranquense é uma equipa que subiu de divisão, teve muitas dificuldades numa parte inicial para entrar no campeonato, perdeu muitos jogos numa parte inicial, conseguiu a partir de um determinado momento demonstrar uma grande qualidade. Mostrou a diferença e as equipas cumprimentam-nos por isso. Não estou nada preocupado com o meu futuro. Preocupa-me é que se não tiver um futebol positivo, se não quiser entrar no futebol da forma como estou a entrar… não é para mim. Vou valorizar os meus jogadores, sempre o futebol. Por vezes, levo estes socos como hoje aconteceu mas de cabeça levantada naquilo que faço e naquilo que os meus jogadores fazem diariamente. Tenho muito orgulho neles.

Temos tido uma ideia que de este grupo gosta, com que estes jogadores se identificam. Têm prazer nisto e eu não lhes vou retirar esse prazer. Eles gostam de ter bola, gostam de entrar no jogo da forma como entram, com qualidade posicional, com criação de situação de finalização que tem acontecido. Por vezes, não é aquilo que nós queríamos. O único responsável chama-se Filipe Moreira. Até não sou muito gordo, tenho umas costas um bocadinho largas mas os meus 35 anos a treinar permitem-me dizer que sei aquilo que faço, que o processo tem qualidade e o nosso objetivo mantém-se intacto. Estamos fora da linha-de-água. Estamos com seis pontos de avanço para o Cova da Piedade. Está tudo em aberto relativamente ao futuro.

Por Flávio Miguel Silva
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