Filipe Moreira: «Vilafranquense mostrou que queria incomodar o Mafra e conseguiu»

Treinador exaltou a personalidade e reação ao "soco" do 1-0

• Foto: Ricardo Nascimento

Filipe Moreira fez o rescaldo do empate do Vilafranquense (1-1) no terreno do Mafra, em jogo a contar para a 16ª jornada da Segunda Liga.

Análise ao passado das duas equipas

O jogo começa antes do mesmo, durante muitas semanas, e falo do nosso adversário. O Mafra tem um futebol positivo, de qualidade. Quem gosta de futebol gosta de ver o Mafra jogar. Eu como colega do Vasco Seabra é um privilégio para mim encontrar treinadores com este pensamento, com um futebol de posse, a ter muita gente na área, de segurança e também de corredores quando acontece. A qualidade individual sobressai. Adaptou muito bem esta equipa às suas ideias e os jogadores adaptaram-se ao treinador. Quando assim é, quando vamos jogar contra uma equipa destas, temos de ter muito respeito e muito cuidado.

No início do campeonato, o Vilafranquense esteve horrível. Pagámos uma fatura muito grande ao começarmos esta época. Se continuássemos na prespetiva que tínhamos, o Vilafranquense não conseguiria alguma vez mostrar um futebol de qualidade. Sentámo-nos depois do findar das inscrições, começámos a ser uma equipa com identidade e princípios. Se calha há 8 ou 9 semanas, à exceção da última semana com o Varzim, temos demonstrado um futebol de qualidade e positivo.

Sobre o jogo

Gostei de ver em Mafra as gentes daqui a verem a sua equipa, a apoiar o seu clube e de ver novamente o Vilafranquense a ter os Piranhas com eles. Há muito tempo que isto não acontecia. A última vez foi o campo do Casa Pia. Quando acontece ter a claque de um lado e do outro, o campeonato do jogo começa. Assistimos a um grande jogo. As duas equipas respeitaram-se. Houve períodos em que fomos superiores e vice-versa. Senti como treinador que estava a conseguir descaracterizar o futebol do Mafra, com aquele envolvimento e posse de bola. O Mafra não estava a consegui-lo. Senti que os estávamos a incomodar e a complicar a vida ao Mafra. O Diego Medeiros é um grande jogador, tem de estar noutro palco, tal como o Tavares e o Zé Tiago. São jogadores de qualidade. A nossa equipa poderia ter sentido esse foco, mas com a toda a sinceridade, a equipa demonstrou personalidade, continuou no jogo, mostrou que queria incomodar o Mafra e conseguiu criar problemas. Fomos para o intervalo a perder 1-0.

Entrámos melhor na 2ª parte, a controlar o jogo. O Mafra deixou ou não conseguiu controlar, a interpretação é para quem quiser analisar o jogo. Num determinado período, arriscámos e fomos felizes. O Wilson entrou e marcou. Depois o Mafra teve, na parte final, poderia uma ou outra vez fazer o golo.

No cômputo geral, o Mafra teve algumas oportunidades, tanto na primeira parte como na segunda, tal como o Vilafranquense. Nisso equivaleram-se mas na posse de bola e controlo do jogo, nós sentimos que estávamos melhores. Aceito o empate porque foi um grande espectáculo para as duas equipas.

Mafra estudado durante a semana?

O Vasco tem a análise dele e eu vou ter a minha. Sei que ele trabalhou muito bem este jogo para contrariar o nosso futebol e também tenho a certeza que trabalhei muito bem este jogo e fiz tudo para contrariar o futebol do Mafra. Umas vezes estávamos por cima e outras por baixo. Para quem hoje esteve aqui, deu por muito bem empregue este tempo porque foi um grande jogo da 2ª Liga.

Balanço da 1ª volta e o facto de jogar fora de Rio Maior

Se continuarmos a ter muitas vitórias morais seguidas não será fácil sair da situação onde estamos. Não digo que tivemos aqui uma vitória moral, digo é que se dermos muito essa imagem… Tem sido algumas vezes isto e estou ferido. Não pelo processo ou pela identidade, ou pela construção que a equipa está a ter mas pelo produto final. Às vezes falta mais qualquer coisa aqui e acolá mas continuo a acreditar naquilo que faço e no grupo de trabalho. Estão a chegar reforços para dar mais competitividade a esta equipa, mais intensidade e soluções. Passámos um período a seguir ao jogo com o Chaves muito complicado pelas lesões que tivemos. Foi muito difícil para mim dar a voltar à situação neste espaço de 15 dias ou três semanas. Hoje voltei a sentir como em Chaves que a equipa foi igual a ela mesma, independentemente de quem possa ter voltado. Tenho orgulho e queremos continuar no campeonato dos pontos.

O carinho das gentes de Mafra

Disse isto às pessoas que estão comigo. Joguei nos juniores e nos seniores do Mafra, estudei em Mafra, casei em Mafra, treinei o Mafra em juniores e só depois fui para o Ericeirense. Treinei depois disso três vezes o Mafra. Esta equipa diz-me muito há muitos anos. Quero agradecer a forma simpática como fui aqui tratado. Agradeço aos dirigentes, desde o presidente ao Quim Zé e às pessoas que fazem parte da estrutura, assim como aos sócios e adeptos pela forma como me cumprimentaram.

Por Flávio Miguel Silva
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