Fusão entre Vilafranquense e União de Santarém está em estudo

Ausência de obras no Campo do Cevadeiro e resistência da Câmara de Vila Franca na base desta possibilidade

Falta de obras no Campo do Cevadeiro espoletou conversas.
Falta de obras no Campo do Cevadeiro espoletou conversas. • Foto: Vítor Neno
A fusão entre as equipas de futebol da União Desportiva Vilafranquense e da União Desportiva de Santarém é uma hipótese que está em estudo, segundo Record apurou. Na base desta equação está a ausência de um estádio que sirva a formação de Vila Franca de Xira na localidade de origem.

A acontecer, o processo a envolver as atuais equipas que militam na 2ª Liga (Vilafranquense) e Liga 3 (U. Santarém) passaria por ser semelhante ao que sucedeu com Clube Desportivo Estrela e o Sintra Football Club. Com a fusão dos dois referidos emblemas, surgiu uma nova equipa, chamada Clube Desportivo Estrela, que hoje milita na 2ª Liga. Assim, também o Vilafranquense e o União de Santarém redundariam numa nova formação, com um novo nome e um novo emblema, tendo a cidade de Santarém como casa de acolhimento dos jogos. A decisão final passaria pela aprovação dos sócios de ambos os clubes.

Luís de Sousa, diretor-geral da SAD do Vilafranquense, sublinhou a Record que "é preciso ir por partes". "Para nos aproximarmos mais do Cevadeiro, é preciso procurar uma alternativa a Rio Maior. Não antecipo que seja possível a Câmara [Municipal de Vila Franca de Xira] fazer um estádio em quatro meses para que possamos jogar [ali a partir de 2022/23]. Temos uma reunião agendada com a autarquia e depois veremos o que dá", referiu.

A União de Santarém SAD, que figura na Liga 3, tem como principal investidor José Gandarez que procura desde 2021, como já expressou publicamente, encontrar um novo acionista maioritário que dê continuidade ao projeto estabelecido com a formação da sociedade anónima em 2017. Pedro Duarte, administrador-executivo da sociedade, garantiu não haver qualquer proposta formal. "Já estivemos em conversações adiantadas com um grupo norte-americano. As coisas estão em stand-by. Sobre uma fusão, não existe nada. O futuro a Deus pertence. Temos muito boas relações com o Vilafranquense, isso é um facto. Não colocamos de lado qualquer cenário. Se uma proposta desse tipo chegar por parte do Vilafranquense ou de qualquer outro clube, analisaremos os termos e logo tomaremos uma decisão. Neste momento, estamos muito empenhados em ter um percurso de recuperação na Liga 3, de forma gradual. Queremos a permanência neste escalão e não estamos agora a pensar noutros cenários", reiterou o dirigente da União de Santarém SAD.

Já Paulo Gonçalves, antigo assessor da SAD do Benfica e agora agente de jogadores, está a acompanhar de perto o processo de uma possível fusão. Confrontado pelo nosso jornal, escusou-se a fazer qualquer comentário.

Refira-se que Rubens Takano Parreira comprou a maioria do capital da SAD do Vilafranquense nos primeiros dias de 2020, numa altura em que os unionistas atravessavam uma fase complicada face ao incumprimento salarial então decorrente. Na base desse investimento terá estado a promessa de que as condições físicas seriam melhoradas mas o futebol do emblema criado em 1957 continua hoje a dividir-se entre os dois campos do velhinho Campo do Cevadeiro: um de relva natural e outro de relva sintética.

Desde que o Vilafranquense subiu aos campeonatos profissionais, em 2019, que a equipa sénior não pode disputar qualquer partida da 2ª Liga no Cevadeiro face à inexistência de condições exigidas pela Liga Portugal. Assim, os ribatejanos têm, desde então, o Municipal de Rio Maior como 'casa', ainda que se encontre a 50 quilómetros de Vila Franca de Xira. A distância tem repercussões na assistência. Em média, cada jogo do Vilafranquense como visitado esta temporada contou com 191 espectadores no Municipal de Rio Maior, em encontros da 2ª Liga, número bem distante dos mais de mil que assistiram no Cevadeiro aos jogos da subida da equipa na época 2018/19.

O complexo do Cevadeiro pertence à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira que não avançou com obras no local. O antigo corpo autárquico, encabeçado pelo ex-presidente Alberto Mesquita, contraiu, inclusivamente, um empréstimo de 2,65 milhões de euros com vista à requalificação do espaço. Contudo, desde esse momento que ocorreu em junho último, o processo não evoluiu, algo que deixou os responsáveis da SAD indignados, sabe o nosso jornal.

Já o recém-empossado presidente da Câmara vilafranquense, Fernando Paulo Ferreira, também ele do Partido Socialista, apontou para um projeto mais "abrangente" e que "sirva todo o Norte do concelho" mas, ainda assim, sublinhou que "não há data prevista para a construção do estádio em Vila Franca de Xira". "O pior que poderia acontecer era avançar-se com uma obra e perceber-se que o dinheiro não chegava", referiu a 5 de janeiro, em reunião de autárquica, sobre o empréstimo contraído em junho. Em março de 2021, o seu antecessor, Alberto Mesquita, havia reiterado que "era impossível fazer um estádio onde se iria investir 4 milhões de euros"

Face a este impasse, o antigo presidente da SAD do Vilafranquense, Osvaldo Voges, já havia deixado implícito que poderia ser tomada uma medida drástica. "O projeto da requalificação do estádio aparentemente em curso e inexplicavelmente demorado, implicará resistência, resiliência e quiçá uma decisão drástica, já equacionada e que a seu tempo a UD Vilafranquense SAD saberá executar", vincou a 14 de dezembro do ano passado.

A 21 de dezembro, o novo presidente da SAD vilafranquense, Elias Barquete Albarello, teve uma reunião com a autarquia de Vila Franca de Xira, com a promessa de que as duas partes voltariam a reunir-se no novo ano de 2022.

Na última semana, o Partido Social Democrata emitiu um comunicado a "apelar a que o executivo da Câmara Municipal comunique, reúna e discuta este processo, tão rapidamente quanto possível, tanto em sede de Câmara Municipal como com todas as partes interessadas na utilização do referido complexo, sob pena de em breve ser demasiado tarde".

Pontos de aproximação

Vilafranquense e União de Santarém têm mostrado pontos comuns na decorrente temporada. As duas equipas realizaram a 6 de janeiro, no Cevadeiro, um encontro particular entre si, com a equipa de Filipe Gouveia a sair vitoriosa (2-1).

Mais recentemente, a 14 de janeiro, André Dias deixou o Vilafranquense, onde acabou a formação e começou a carreira sénior, para rumar aos escalabitanos, que ocupam a nona posição na Liga 3.

Ainda em 2021, o Vilafranquense tentou que o encontro com o Real, a contar para a terceira ronda da Taça de Portugal se realizasse no Campo do Cevadeiro. Por falta de acordo com a formação de Lisboa, o mesmo acabou por ter lugar no Campo Chã das Padeiras, em Santarém, sorrindo a vitória (3-2) aos unionistas.
Por Flávio Miguel Silva
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