Premium 23 janeiro 2019 - 05:50

Benfica-FC Porto visto à lupa: A luz no cérebro de Óliver

Médio espanhol foi imperial a meio-campo

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O ritmo frenético com que a partida se iniciou lacerou com qualquer amarra tática que poderia retirar brilho ao clássico, algo tão comum nos últimos dois, três anos. Por isso, com apenas 4 minutos de jogo, o FC Porto e o Benfica já tinham tido quatro oportunidades claras – duas para cada equipa – para abrirem o marcador. É certo que os dragões, com a marca identitária de Sérgio Conceição, procuraram condicionar alto a primeira fase de construção das águias, algo que renderia frutos com o golo inaugural, após recuperação alta de Óliver [1], sagaz a desarmar Gabriel e a lançar Marega no ataque contundente à profundidade. Até aí, o Benfica tinha sabido fugir a essa pressão, percebendo que, com as linhas de passe para Gabriel condicionadas, a busca das movimentações de Rafa em direção ao corredor central, para depois disparar pelo meio-campo rival, ou os lançamentos mais longos para as costas da defesa alta portista eram o caminho a perscrutar. Por sua vez, o FC Porto sentia arduidades em ligar o seu jogo em ataque posicional, mesmo com Brahimi e Corona a buscarem permanentemente o corredor central, não conseguindo entrar no bloco rival, mas criava perigo sempre que conseguia apanhar o opositor no momento de transição defensiva, assaltando o corredor central, nomeadamente o espaço entre Samaris e Gabriel, ou buscando o habitual ataque pungente à profundidade, aproveitando deficiências dos encarnados na definição da última linha, aspeto que só poderá ser corrigido com mais unidades de treino. Com as equipas agarradas à vertigem, o Benfica, através de uma inabitual saída em condução de Jardel pelo meio-campo adversário, conseguiu chegar à igualdade, entrando no último terço em vantagem numérica, fruto de uma transição defensiva deficiente do FC Porto, que abriu uma cratera no corredor central. A reação portista foi imediata: o cérebro de Óliver destapou uma fenda no corredor direito do Benfica [2], devidamente explorada por Alex Telles e Brahimi, que, depois de superar a contenção algo passiva de Pizzi, serviu Corona, arguto a fruir de um posicionamento deficiente de Grimaldo, o que lhe permitiu assistir Marega para o 2-1. Na etapa complementar, o ritmo, como seria expectável, baixou. O Benfica entrou melhor, esteve perto do empate através de Seferovic – falhanço incrível na cara de Vaná – e de João Félix, mas as substituições de Bruno Lage, que procurou assumir riscos para chegar à igualdade, não resultaram. As saídas de Gabriel e Pizzi retiraram cérebro e capacidade para chegar com qualidade a zonas de definição, onde Castillo se juntou a Seferovic, e Sérgio Conceição, extremamente perspicaz a ler o jogo, reorganizou a equipa num 4x1x4x1 em momento defensivo, baixando claramente o bloco, o que permitiu que os dragões controlassem o jogo sem bola. Já com Salvio a falso-lateral, uma nova recuperação de Óliver [3], imperial também nos duelos na zona central do meio-campo, iniciou um contra-ataque veemente que Fernando, após abertura de Soares, transformou no 3-1 final.

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