Elementos da PSP e GNR vão realizar protestos na final four da Taça da Liga

Paulo Rodrigues, presidente da ASPP/PSP, afirmou que os polícias e os militares da GNR "chegaram ao limite da sua revolta"

• Foto: Ricardo Ponte

Elementos da PSP e da GNR vão organizar ações de protesto mensalmente até que o Governo responda às suas reivindicações, começando a 21 de janeiro, com concentrações em simultâneo em Lisboa, Faro e Braga.

Estas ações de protesto foram decididas esta quinta-feira num encontro de polícias na Voz do Operário, em Lisboa, organizado por sete sindicatos da PSP e pela Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR).

No final do encontro, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, avançou aos jornalistas que a 21 de janeiro os elementos da PSP e da GNR vão realizar protestos na 'Final Four' da Taça da Liga em futebol, em Braga, e concentrações em frente do Ministério das Finanças, em Lisboa, e num local ainda a designar em Faro. Estes protestos decorrem em simultâneo, adiantou ainda Paulo Rodrigues.

Sobre o protesto na 'Final Four' da Taça da Liga, em Braga, o sindicalista escusou-se em adiantar em concreto qual o tipo de ação, referindo apenas que vai "refletir bem o descontentamento" e será uma "concentração que poderá ter vários enquadramentos para demonstrar que os policias estão insatisfeitos".

Entre as reivindicações da classe policial e militar da GNR estão o pagamento do subsídio de risco, a atualização salarial e dos suplementos remuneratórios, o aumento do efetivo e mais e melhor equipamento de proteção pessoal.

Paulo Rodrigues precisou que são promessas que já "começaram na legislatura anterior". "O Governo sabe muito bem quais são os problemas que estão em cima da mesa e que estão a comprometer a questão socioprofissional, mas também a própria missão" da polícia, frisou, adiantando que os cerca de 100 elementos da PSP e da GNR presentes no encontro decidiram que todos os meses vão realizar ações de protesto.

Paulo Rodrigues sublinhou que foram várias as propostas que estiveram em cima, desde a entrega das armas à greve de zelo.

"Os policias hoje demonstraram que estão disponíveis a tudo, e é a primeira vez que nós sentimos isso", disse, salientando que as ações de protesto vão durar os meses que forem necessário, nomeadamente "até que o Governo entenda que é preciso resolver um conjunto de problemas".

O presidente da ASPP/PSP frisou também que ficou bem expresso no encontro que os polícias e os militares da GNR "chegaram ao limite da sua revolta".

"Percebemos que o Governo continua a insistir em não resolver os problemas, em protelá-los e a prova disso é a negociação que está a ser feita, que basicamente não se pode chamar negociação, o que está acontecer é um conjunto de matérias do qual somos informados", disse.

O Ministério da Administração Interna definiu um calendário específico das matérias objeto de diálogo com os sindicatos e as associações socioprofissionais das forças de segurança, tendo o primeiro ponto das negociações, o pagamento dos retroativos dos suplementos não pagos em período de férias, decorrido sem um acordo.

Esta manhã decorreu uma reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, sobre o plano plurianual de admissões para a PSP e a GNR, mas segundo Paulo Rodrigues não foram avançados pormenores sobre o plano.

Em 16 de janeiro de 2020 o tema de uma nova reunião será sobre os suplementos remuneratórios, em 13 de fevereiro estará em discussão a nova lei de programação das infraestruturas e equipamentos das forças e serviços de segurança, e em 05 de março será a segurança e saúde no trabalho.

Sobre a concentração que o Movimento Zero (MO), um movimento social inorgânico criado em maio de 2019 por elementos da PSP e da GNR, marcou para os aeroportos a 21 de janeiro, Paulo Rodrigues referiu que "todos são polícias e, neste momento, todos estão revoltados e descontentes.

"Todos os protestos são, neste momento, bem-vindos porque refletem o descontentamento dos polícias e dos militares da GNR", disse.

Por Lusa

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