Fabiano segura o zero
Leões mostraram que afinal têm banco e os dragões que são mais competitivos em jogos grandes...
Sete defesas de Fabiano, algumas de grau de dificuldade bastante elevado, nivelaram o último clássico do ano. Sporting e FC Porto não saíram do 0-0, mantiveram o impasse no Grupo B da Taça da Liga e a tradição recente nos jogos grandes, que os leões não ganham há 20 meses e os dragões não perdem há 21. Ontem, contudo, a equipa de Leonardo Jardim esteve perto de “matar o borrego”, tão evidente foi a superioridade que teve sobre o campeão nacional em vários parâmetros de um jogo que, ainda por cima, abordou sem alguns titulares. Caiu pela base a teoria da falta de profundidade do plantel do Sporting, mas não a da falta de instinto vencedor que é o que mais falta faz para uma equipa se impor em jogos grandes.
Confira o direto do encontro.
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Nos onzes apresentados por Jardim e Paulo Fonseca faltavam escolhas habituais: Rui Patrício, Maurício, Carrillo e Montero no Sporting; Helton, Lucho González e Jackson Martínez no FC Porto. Mas não foi pelas surpresas iniciais que o jogo pendeu para um ou outro lado. É verdade que Herrera foi sempre um elemento a menos no meio-campo, muitas vezes desarmado por um Adrien de raio de ação elevadíssimo, ou que o jogo nunca esteve ao jeito de Slimani, menos eficaz do que Montero, quando o que se pede é receção no pé e combinação com os médios, mas as dinâmicas das duas equipas foram as que vinham sendo até aqui.
O Sporting criava dificuldades à saída de bola do FC Porto, mas sofria sempre que o adversário passava a sua primeira linha de pressão, pois o espaço à frente da defesa era demasiado amplo para William cobrir sozinho – e muito fez ele. As situações mais perigosas que criava eram quase sempre fruto de contratransições em que apanhava os portistas descompensados. O FC Porto teve a primeira situação de perigo, um excelente passe de Alex Sandro para Ghilas, que o argelino chutou por cima (7’), mas depois foi-se deixando encostar atrás, de forma a que se percebesse o quão fundamental é Jackson na criação de soluções ofensivas da equipa: ontem, com Rojo exemplar e Dier também muito bem, poucas mais foram as situações de finalização do ataque portista.
Ainda assim, ao intervalo, a ideia que restava era de algum equilíbrio, até nas ocasiões de perigo, pois ao lance inicial de Ghilas responderam os leões com uma combinação Adrien-Wilson, em que este obrigou Fabiano à sua primeira defesa da noite (26’). O segundo tempo, porém, virou o jogo, sobretudo após a saída de Fernando, lesionado. O luso-brasileiro ainda esteve à beira de marcar, de cabeça, após um canto (cabeceou por cima, aos 62’), mas deixou o relvado um minuto depois e o FC Porto acabou aí.
Com Defour e Lucho atrás de Carlos Eduardo, o meio-campo portista foi sendo gradualmente engolido pelos leões, que ainda por cima reanimaram o sector com a troca de André Martins por Vítor e não perderam com a mexida. Carrillo trouxe capacidade para queimar linhas em posse e Montero ligação entre sectores, pelo que o jogo passou a correr sempre na direção da baliza de Fabiano. Capel já estivera à beira do golo, de cabeça, aos 56’, mas foi nos últimos 20 minutos que o Sporting mais ameaçou desbloquear o 0-0. Carrillo, Montero e Cédric forçaram Fabiano a três intervenções difíceis num só minuto (74’), Vítor também fez brilhar o guardião portista, depois de ser isolado por Carrillo (aos 81’), e chutou ligeiramente ao lado, mesmo à entrada do período de descontos. Ao Sporting ficava a faltar o golo, ao FC Porto sobrou guarda-redes e a garantia de que Helton terá de pedalar muito para segurar a titularidade.
NOTA TÉCNICA
LEONARDO JARDIM arriscou na equipa inicial, mas depois, mesmo seguindo o guião habitual, foi sempre a crescer, pois o Sporting ganhou com as substituições. (3)
PAULO FONSECA viu a aposta em Herrera fracassar, mas ainda teria ido a tempo de a emendar quando fez entrar Lucho. Oproblema foi a lesão de Fernando. (3)
ÁRBITRO
Olegário Benquerença fez uma arbitragem globalmente positiva, da qual sobrou uma suspeita de erro. É que o primeiro cartão amarelo a Carlos Eduardo parece ter nascido de um erro de identificação. A falta foi cometida por Danilo e, antes de chegar perto, já o juiz brandia o cartão, que por isso dificilmente se deverá a protestos. Oproblema é que, aos 84’, Carlos Eduardo acabou expulso por acumulação.