Quaresma: «Pendurar chuteiras? Tenho medo de chegar a esse momento e creio que vou sofrer...»

Espera dar seguimento à carreira, pois ainda vibra com o futebol. Insultos na Luz davam “combustível”

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• Foto: Paulo Castanheira e Cunha
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Foi (ou é) um dos mais virtuosos jogadores do futebol nacional e, apesar de estar no ocaso da carreira, está disponível para ouvir propostas, pois a paixão pelo jogo perdura. Ricardo Quaresma olha para a rivalidade como um fator extra de motivação e não esconde que os jogos com o Benfica eram os que mais o motivavam.

"Já assumi isso. A Luz era o Estádio que me dava mais prazer jogar e discutir com os adeptos, vivendo essa paixão de entrar em campo, lutarmos e defendermos as nossas cores", afirma o antigo campeão no Sporting e FC Porto, que procurava gerir a forma como os adeptos rivais se lhe dirigiam. "Ninguém é surdo. Quando estás em campo, não vais estar atento ao que te dizem, mas ouves... Ouvi muita coisa. Mas isso dava-me ainda mais vontade de jogar e ter a bola. Também ouvi no meu Estádio os adeptos a criticarem-me, quando as coisas corriam menos bem", relembra o extremo, de 39 anos, que recorda alguns clássicos mais quentes.

"Cada vez que ia ao Estádio da Luz, passava o aquecimento a insultar os adeptos e os adeptos a insultarem-me a mim. Era isso que motivava. A rivalidade é boa, desde que a gente não exagere. Essa rivalidade nasceu comigo, porque comecei no Sporting e já existia a rivalidade, quando fui para o FC Porto continuou", aponta. Mas Quaresma garante que os conflitos ficavam lá dentro: "Nunca tive problemas fora do campo com adeptos. Dentro de campo entendo o adepto, pois também quer ganhar."

Futuro

Depois de ter deixado o V. Guimarães, Quaresma vive um impasse na carreira. Mas a chama mantém-se. "O futebol é uma doença, uma droga. Sempre que posso, jogo com os meus amigos. Sempre que estou em casa, não perco jogos. Não vou dizer que nasci com a paixão do futebol, pois houve um momento em que quis trocar o futebol pelo hóquei. Coisas de criança... Mas depois de começar a perceber que tinha nascido para o futebol, aí sim começou a nascer aquela paixão", revela o ‘Mustang’, concretizando: "O grande amor da minha vida é o futebol e, além disso, posso agradecer ao futebol, que me deu tudo o que tenho."

Pendurar as chuteiras é algo em que já começa "a pensar mais", mas evita, pois tem "medo de chegar esse momento". "Tenho um amor muito grande ao futebol e creio que vou sofrer quando chegar esse momento".

O lado solidário do ‘Mágico’

Jorge Andrade diz que Quaresma "fazia magia com os pés", mas fora dos relvados o campeão europeu de 2016 também marca pela diferença, visitando, de forma frequente, crianças no IPO no Porto. Mas fá-lo longe dos holofotes. "Sempre que faço algo é por mim e não para parecer às pessoas. Não tenho que dizer se te ajudo. Vivo no meu mundo e sou feliz assim, a ajudar quem precisa", frisa Quaresma, ciente do seu papel na sociedade: "São crianças que, infelizmente, não sabem se amanhã estão acordados. E passar cinco minutos com aquelas crianças, a alegria que lhes podemos dar, é incrível".

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