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É a oportunidade para não parar e procurar um recomeço, um novo rumo, uma nova etapa na carreira de futebolista. “São já 22 edições… É obra! Com uma taxa de empregabilidade de 62%. A maioria dos jogadores que aqui vem, arranja emprego”, começou por referir Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato, na abertura de novo Estágio do Jogador, em Odivelas, com a participação de 20 atletas no pontapé de saída.
“Mas quero começar por agradecer ao Paulo [Lopes, ex-treinador dos sub-23 do Benfica] ter aceite este desafio, porque os treinadores são muito importantes. Já passaram por aqui muitos e têm feito a diferença. O Silas, o Pedro Martins, o Peixe, o Boa-Morte, não me vou lembrar de todos…”, referiu, reportando a um lote que incluía ainda nomes como Mariano Barreto, Mário Wilson, José Carlos, Neca ou Nandinho, entre outros, concretizando: “Mas têm sido fundamentais para animar os jogadores a vir. Vejam estas condições, esta relva… Os jogadores que estão em casa, indecisos, à espera de uma oportunidade, à procura de emprego, aproveitem, venham aqui, treinem, tratem da vossa condição física, façam alguns jogos de exibição.”
Joaquim Evangelista não se deteve. “É um orgulho enorme esta iniciativa ser já uma referência na pré-época desportiva”, enfatizou, explicando a escolha por Paulo Lopes: “Há jogadores que têm os valores que eu defendo para a instituição. O Paulo é um deles. Os treinadores que passaram por aqui têm de ter um sentimento de pertença, de identidade com os valores do Sindicato [dos Jogadores]: humanismo, altruísmo, ter sentimento de classe, saber o que é ser jogador de futebol.”
Evandro Brandão, avançado de 33 anos que terminou a sua ligação ao RANS Nusantara da Indonésia, não hesitou: “Foi uma decisão relativamente fácil. Venho acompanhando o trabalho do Sindicato e dos estágios que têm feito. E no momento em que vi que voltava a haver estágio este ano, não pensei muito.”
Arranque com "vontade"
Paulo Lopes, treinador de 46 anos que deixou o comando dos sub-23 do Benfica, começou por assumir o que o levou a aceitar o convite. “É uma experiência completamente diferente. Mas estas iniciativas são muito boas, são positivas, é o sonho que eles têm, que é querer ser jogadores de futebol e o Sindicato ajuda bastante neste sentido. É prepará-los para poderem entrar no mercado de trabalho”, começou por referir. “É mais uma iniciativa do Dr. Evangelista, que eu conheço há muitos anos e com quem tenho uma boa relação. Não podia dizer que não. É uma boa iniciativa, para ajudar e, quando assim é, estou sempre pronto”, referiu, dando conta de como encontrou o grupo: “Vêm com muita vontade de aprender, de treinar e de conseguir um projeto novo para a sua vida. Estamos a preparar, vamos planear tudo direitinho para eles poderem fazer também alguns jogos e conseguirem ter também uma maior visibilidade.”
Kadú já só quer voltar a ser feliz
Kadú, guarda-redes de 29 anos que deixou o Ol. Hospital depois de ter jogado na equipa principal do FC Porto, tem as metas definidas. “O futuro? Ser feliz e continuar a fazer o que gosto, que é jogar futebol. Queremos sempre o melhor e, se me perguntar, gostava de jogar a Liga dos Campeões [risos]. Mas sabemos a realidade e onde puder jogar e ser feliz, lá estarei”, garantiu.