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Nasceram espacialmente separados pelos mais de 3.300 kms que distanciam Bissau e o Porto, mas temporalmente apenas pelos cinco dias que se contam entre 30 de abril e 5 de maio. O destino, e o jeito para a bola, tratou de os juntar em Portugal, nomeadamente ao serviço da Seleção Nacional de sub-17, como aconteceu no recente Europeu da categoria.
E foi também isso, juntar Geovany Quenda e Rodrigo Mora, que o canal 11 decidiu fazer a propósito da rivalidade histórica entre os clubes que representam, Sporting e FC Porto, respetivamente, e que terá um novo episódio já este sábado, na decisão da Supertaça.
O repto levou-os até terreno neutro, terra de ninguém, que no caso, quando se enfrentam rivais de Lisboa e da Invicta, costuma passar pela zona de Coimbra. Lado a lado, manifestando claros sinais de respeito pessoal e profissional, Geovany Quenda e Rodrigo Mora desafiaram-se mutuamente numa conversa que pode ver esta quinta-feira no canal da FPF. Os excertos, que Record antecipa, prometem uma boa conversa entre duas das mais entusiasmantes pérolas do futebol nacional.
Quenda questionou Mora sobre o melhor conselho que já recebeu de um jogador da equipa principal do FC Porto e a resposta do médio-ofensivo revelou uma ideia forte de... Vítor Bruno. "De um jogador não me lembro, mas lembro-me de um do míster. O míster disse-me nesta pré-época que o talento ganha jogos, mas o trabalho ganha carreiras", contou Rodrigo Mora.
Pelo seu lado, o portista desafiou o jovem leonino a apontar o jogador que mais admira, tanto no seu clube como no rival. Dentro de casa, o extremo do Sporting não conseguiu escolher apenas um. "O Viktor [Gyökeres], o Marcus [Edwards] e o Trincão. São referências", vincou Geovany Quenda, sem adiantar de pronto a referência no rival. Mora não desarmou e, qual jornalista, insistiu: "E no FC Porto? Sou eu?" O seu amigo, companheiro de seleção e... rival não resistiu. "No FC Porto é o Mora", disse, percebendo-se o ensaio de um sorriso na sua face.
Depois de amanhã, em Aveiro, a rivalidade entre leões e dragões conhece um novo episódio que, como mostra a geração de 2007, pode sempre, sem exceções, ser sadia.
Sonho não está assim tão longe
Tanto Geovany Quenda como Rodrigo Mora têm reais hipóteses de vir a participar no clássico de depois de amanhã. O leão é uma alternativa à disposição de Rúben Amorim para a ala direita, um sonho reforçado pela possibilidade de Geny Catamo ser desviado para o flanco esquerdo face ao castigo de Matheus Reis e à lesão de Nuno Santos. O jovem dragão deverá ter-lhe destinado um lugar no banco de suplentes, a partir do qual será sempre uma arma a ter em conta caso Vítor Bruno decida acrescentar alguma magia no último terço do terreno.
Irmandade que cresce
Para lá dos momentos em que já se encontraram como adversários, Quenda e Rodrigo Mora contam já uma assinalável experiência comum como companheiros de seleção. O extremo do Sporting, que nasceu na Guiné-Bissau, é internacional sub-17 por Portugal, escalão pelo qual conta 18 internacionalizações, com 1.305 minutos disputados e seis golos marcados. Pelo seu lado, o médio do FC Porto começou a representar Portugal nos sub-15, passou pelos sub-16 e estabeleceu-se também agora nos sub-17, acumulando as mesmas 18 internacionalizações no patamar mais elevado, com 996 minutos e sete tentos assinados.
No recente europeu foram ambos titulares nos seis jogos disputados pela Seleção Nacional durante o torneio, que terminou com uma derrota na final frente à Itália (0-3).