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Pedro Proença disse que em momento algum as opiniões do cidadão Pedro Proença podem ser confundidas com as opiniões formais do presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Em declarações à RTP, no final da Supertaça, o líder da FPF foi confrontado com os áudios polémicos e acabou por falar em atos de "cobardia", reforçando também que a conversa tida com os árbitros foi bastante "clara" e que o foco está em criar condições para que todos tenham uma grande temporada.
Começar por lhe perguntar se estão reunidas ou não as condições para uma época de paz e uma época de sucesso para o futebol português...
"Todas as condições. Iniciamos hoje aqui a nova temporada, numa grande festa, entre equipas que representam comunidades e onde o talento dos jogadores, de todos aqueles que são os seus verdadeiros intervenientes do futebol interessam. Uma época preparada, teremos 10 meses muitíssimo intensos, onde, obviamente, os grandes interesses desportivos estarão à frente de tudo isto. E, portanto, o futebol português com grandes desafios."
Não falou ainda publicamente dos áudios que acabamos todos por ouvir. Já veio dizer que lamenta que tenham sido divulgados. Aquilo que lhe pergunto é, em relação ao conteúdo, acaba por dizer que os árbitros são fracos, muito fracos. Ontem emite um comunicado em que acaba por dizer exatamente o contrário, que é inquestionável a qualidade da arbitragem portuguesa. O que é que faz mudar a Pedro Proença a opinião em tão pouco tempo, sendo que a grande maioria continua a ser os mesmos árbitros?
"Bom, deixa-me dizer, já fiz um comunicado relativamente àquilo que foram as situações que aconteceram na semana passada. Mas permitam-me aproveitar esta oportunidade para aqui deixar duas ou três coisas que me parecem muitíssimo importantes. Em momento nenhum as opiniões do cidadão Pedro Proença ditas num determinado momento, numa determinada circunstância, se podem confundir com aquilo que é o papel atual e as suas opiniões formais do presidente da Federação. E essa é a primeira nota. Depois, dizer que, manipulações, conversas truncadas, retiradas, associadas a alguém, antes de mais direi que são alguns atos considerados quase de cobardia, já para não dizer que são absolutamente ilegais. E permitam-me dizer também isto... não permitirei em momento nenhum que seja posta em causa a dignidade do cidadão Pedro Proença. E estas eram as notas que eu gostaria de dizer. Além de tudo mais, queria dizer que ainda ontem, relativamente a alguns temas que foram levantados, foi clara a conversa que foi tida com os árbitros e aquilo que é a vontade e a visão que a Federação Portuguesa de Futebol tem no investimento das boas condições para os árbitros, aquilo que queremos é criar condições, como eu disse há pouco, para que tenhamos uma época muitíssimo boa, e, portanto, aquilo que é a função da Federação Portuguesa de Futebol no que diz respeito, por exemplo, à arbitragem, é criar condições para que nós tenhamos melhores performances, tenhamos melhores árbitros, para que as competições sejam mais saudáveis e que seja defendida a integridade. Da parte da Federação Portuguesa de Futebol, tudo faremos para que isso aconteça. É esse o nosso, o nosso papel."
Tirando ou não do contexto a frase "os árbitros são fracos", pergunto-lhe se dois anos depois estes mesmos árbitros são agora bons...
"Como lhe disse, eu não vou comentar aquilo que está a dizer, porque teria que ver toda a conversa e, portanto, eu volto a dizer, eu não sei se essa conversa... se ela é localizada e se ela é associada a uma pessoa que não sou eu, é truncada, não sei se é dita fora de um contexto completamente dissociado. E como eu disse há pouco, a opinião do cidadão Pedro Proença fora de um determinado contexto nada tem a ver com aquela que é a posição institucional do seu presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que, obviamente, que tem uma função muitíssimo importante, que é criar condições para a estabilidade do futebol português. E é isso que vai acontecer. "
Mas para terminar também... que opinião tem enquanto presidente da Federação Portuguesa de Futebol, de Luciano Gonçalves... deve ou não uma explicação aos cidadãos e aos adeptos do futebol português?
"Permitam-me também deixar aqui uma nota que me parece muitíssimo importante. O Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol tem autonomia própria. Foi eleito de forma autónoma. E dito isto, foi o próprio Conselho de Arbitragem que disponibilizou determinadas circunstâncias ao Conselho de Justiça, que tomou uma decisão, absolutamente independente. E, portanto, eu direi que no âmbito desportivo, tudo neste momento estará sanado. Aquilo que nós pretendemos, o que a Federação Portuguesa de Futebol quer, é que a arbitragem, o seu presidente do Conselho de Arbitragem, todos os membros do Conselho de Arbitragem tenham todas as condições para ter uma época positiva, desportivamente boa e que confira a todos, a todos aqueles que, obviamente, se envolvem no setor da arbitragem, uma grande tranquilidade por parte da direção. Tudo faremos para que isso seja uma realidade. O futebol português tem desafios imensos pela frente, estamos na antecâmara de uma organização de um campeonato do mundo, onde tenho a certeza que aquilo que é a positividade do futebol português vai ficar definida."
Mas se o Luciano for constituído arguido, tem ou não condições para continuar?
"Eu não falo de cenários hipotéticos. Acreditamos muito na independência de todos os órgãos. Portanto, neste momento, foi uma decisão que, obviamente, fez o arquivamento daquilo que foram os factos, e, portanto, o Conselho de Arbitragem tem todas as condições para poder fazer e atuar a sua atividade."