Farense procura empatar contas dos dérbis algarvios

Dérbi este domingo com o eterno rival Olhanense

• Foto: Ricardo Nascimento

Olhanense e Farense encontram-se este domingo em jogo, a contar para a 25ª jornada da Série E do Campeonato de Portugal, de extrema importância para as duas equipas: a turma de Olhão luta pelo segundo lugar, que poderá dar acesso à fase de subida, e o conjunto de Faro garantirá automaticamente esse apuramento caso vença.

Além do que estará em jogo na tarde deste domingo no Estádio José Arcanjo, o duelo entre os vizinhos e rivais algarvios é sempre vivido com grande entusiasmo, há mais de um século: o registo mais antigo de um duelo entre as duas equipas data de 4 de outubro de 1914, em Olhão, com a vitória a pertencer à turma de Faro (0-3), golos de Valentim Herculano e João Gralho, com este último a bisar.

Em competições de âmbito nacional Olhanense e Farense já se encontraram em 70 ocasiões e o conjunto de Olhão tem uma vantagem muito ligeira, que poderá ser anulada este domingo, pois venceu 30 jogos, contra 29 triunfos do Farense e 11 empates.
Fundados com dois anos de diferença (o Farense a 1 de abril de 1910 e o Olhanense a 27 de abril de 1912), os dois vizinhos dominaram o futebol algarvio por largas décadas e proporcionaram jogos apaixonantes nas competições de âmbito distrital, que, até à época 1947/48, garantiam o apuramento para as provas nacionais.

O Olhanense, graças à iniciativa de Cândido do Ó Ventura, construiu uma equipa de enorme qualidade na década de 20, a qual festejou o título de campeã de Portugal em 1923/24, contando com talentos como Tamanqueiro, Delfim ou Domingos das Neves, todos internacionais A.

O dinheiro acabaria pouco depois (Cândido do Ó teve de emigrar para a Argentina), e a década de 30 foi marcada pelo equilíbrio, com um título para os rubronegros (2.ª Liga, 1935/36) e outro para os farenses (2.ª Divisão, 1939/40). Os anos 40 começaram com o Olhanense em grande (campeão da 2.ª Divisão, 1940/41) e o distrital algarvio da época seguinte teve peso acrescido, pois o vencedor garantia a inédita subida à 1.ª Divisão, face às alterações no regulamento. O Olhanense sagrou-se campeão sem derrotas, num sério revés para o Farense, que mudaria de nome, para Desportivo de Faro, embora temporariamente (1946 a 1948).
Na parte final do século XX os dois conjuntos militaram quase sempre em campeonatos diferentes mas a rivalidade manteve-se e acabou mesmo por conhecer um reacendimento em tempos recentes, pois nas últimas quatro épocas esta é a terceira em que Olhanense e Farense se encontram no mesmo escalão.

São muitos os episódios que marcam os jogos entre os dois vizinhos, desde as caminhadas a pé dos adeptos do Olhanense até Faro (oito quilómetros de distância) até às tarjas provocatórias e simulações de "funerais", com direito a caixão com a bandeira do rival no interior, como sucedeu pela última vez em abril de 2016, em Olhão, pouco antes do Farense ser despromovido ao Campeonato de Portugal.

Um dos episódios mais recordados dos dérbis algarvios ocorreu em 20 de outubro de 1985: Paco Fortes, então jogador do Farense (mais tarde, como treinador, conduziu a turma da capital algarvia aos maiores feitos do seu historial), foi detido em pleno Estádio José Arcanjo, depois de se envolver numa cena de pugilato com... um polícia.

Num recinto lotado, Fortes foi expulso e, ao sair do retângulo de jogo, ouviu da boca do polícia palavras que lhe desagradaram. "Ele deveria estar ali como agente da autoridade e não como adepto do Olhanense!", justificou o catalão, um homem de sangue quente, que no dia seguinte foi ouvido no Tribunal de Olhão, com quase tanta gente em redor como no jogo... Um pedido mútuo de desculpas evitou que Fortes fosse julgado.

Recorde-se que na edição 2017/18 do Campeonato de Portugal os vencedores das cinco séries garantem o apuramento para a fase de subida, assim como os três melhores segundos classificados. O Farense festeja esse apuramento se ganhar este domingo e o Olhanense, mesmo vencendo, terá não apenas de manter à distância os outros candidatos ao segundo lugar (Casa Pia e Oriental) como também de somar os pontos necessários para terminar esta fase com maior pecúlio que pelo menos dois segundos de outras séries.

Por Armando Alves
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