Filipe Moreira e as 'finais' do Vilafranquense: «Como animal de competição estou feliz»

Técnico dos ribatejanos contente pela pressão permanente

Filipe Moreira antecipou a final do Campeonato de Portugal no Jamor e falou num sonho realizado pelos seus "heróis", ou seja, os jogadores. O técnico português, de 55 anos, subiu de forma inédita o Vilafranquense à Segunda Liga e sobre o embate com o Casa Pia disse ter uma surpresa reservada. 

Análise ao adversário e se o embate com o Casa Pia é o mais difícil da época

"Antes de mais nada devo dizer que é um desejo para qualquer profissional vir a um estádio tão mítico, com tanta história por trás. Sendo eu alguém que está ligado ao futebol há tanto tempo, sinto-me honrado por viver este momento. Em segundo lugar, o facto de poder trabalhar com um grupo de heróis e, se estamos aqui, deve-se ao grupo fantástico de trabalho que eu tenho. Disseram que no futebol uma das coisas mais belas que se pode ter são os jogadores. Dentro desse conceito, o futebol deve muito ao que são os profissionais de futebol. Vamos defrontar uma equipa que está de parabéns, que conseguiu a subida de divisão e dentro desse conceito, temos o privilégio de defrontar uma equipa campeã. É ótimo. Podemos olhar nos olhos quem está de lado, uma equipa que conseguiu a subida de divisão. Do lado de cá, está uma equipa que também tem a honra de poder afirmar com enorme prazer que também conseguiu a subida de divisão. Este será um jogo que ainda poderá alimentar mais a história da entrada nos campeonatos profissionais do Vilafranquense – nunca tinha acontecido -, se juntarmos a isso alcançarmos o feito fantástico de sermos campeões nacionais, melhor seria. Seria algo que estes jogadores mereciam de facto. "

A competição durante mais de 11 meses e o enquadramento da prova

"Já tive a oportunidade de falar várias vezes e falo de forma construtiva. Temos de ter uma ação pedagógica nestes processos e não o inverso. A Federação Portuguesa de Futebol tem, nos últimos anos, provado a diferença pela positiva. O que digo é que, pela minha experiência de 35 anos a treinar, o campeão da série deve subir de divisão. Deve ser premiado e já vivi isso. Fui campeão da série no Olivais e Moscavide, perdi um jogo na fase inicial e um na fase final. Não subi de divisão nos penáltis exatamente como aconteceu agora com a U. Leiria. Sei o que me doeu. Não falo em armado em artista da bola. ‘Agora ganhaste, ainda por cima nos penáltis, e armas-te em campeão pedindo estruturação do campeonato’. Não digo isto agora, digo-o muitas vezes. Por exemplo, subi o Ac. Viseu de forma direta, ficando em primeiro lugar na Zona Centro da 2ª Divisão B. Foi limpinho como alguém diz no futebol. Dentro desse propósito, é bom que as pessoas se sentem à mesa e eu sei que a FPF tem um senhor chamado José Couceiro que não é preciso apresentá-lo, é um homem do futebol e com várias funções. Vai continuar a tê-las felizmente. Ele está a pensar nestas situações todas e está falar com toda a gente há muito tempo e arranjar a melhor solução. Numa fase destas os profissionais do futebol estão de férias há muito tempo e bem porque os campeonatos estão estruturados nesse sentido. Os amadores, alguns semi-profissionais, não pelo que recebem mas pelo que trabalham, ainda estão a trabalhar. É um erro, os campeonatos têm de acabar na mesma altura para todos, é simples. Seja para o Manuel, para o João ou para o António. Um exemplo muito positivo é estarmos aqui, no Jamor. Não há só coisas negativas. A FPF entendeu e muito bem que este era um sítio privilegiado para os jogadores de futebol puderem estar, não só com a presença na final da Taça de Portugal mas também ao respeitar quem faz parte do processo do Campeonato de Portugal. Se estivermos na mesma mesa, as coisas boas aparecem e as menos boas também. De forma construtiva iremos ter um futebol melhor. Voltando atrás, no dia 30 já há equipas a treinar para 2019/20 e nós ao dia 23 ainda estamos a jogar. Como é que se vai gerir a próxima época? Felizmente, pela renovação de contrato… eu vou ter férias? E os meus jogadores vão ter? Quando é que eles começam? Quem é que está preparado para isto? Os outros clubes já arrancaram há tanto tempo com os plantéis definidos ou parcialmente definidos e nós ainda não começámos. Porquê? Porque só na segunda-feira depois do jogo é que os nossos jogadores irão saber com o que conto para a próxima época. Não seria lógico antes desta competição estarmos a dizer quem não fica, quem vai ficar e quem não quer ficar (pela vontade dos jogadores). Iríamos criar um conflito interno que não seria bom para ninguém. Vamos começar a preparar a época de uma competição profissional a 24 de junho."

Como sente a equipa para a final do Campeonato de Portugal

"A pressão foi permanente, se falhassemos não éramos apurados. Andamos a fazer finais há semanas mas quem gosta do futebol profissional adora isso e eu como animal de competição estou feliz. É isso que eu gosto, quanto mais melhor. Os jogadores perceberam que é disso que eu gosto, seja eu ou qualquer treinador, que cada vez sejamos mais fortes no processo de treino e de jogo. Só que… No nosso interior, eu não posso revelar as vivências que tivemos durante bastante tempo, como por exemplo o caso dos jogadores lesionados, havia a saber quem estava preparado para a competição. Pensava de que forma poderia gerir este aspeto. Há jogadores que ultrapassaram há muito tempo os seus limites de superação. Por isso digo que este é um momento mais do que justo para eles, são os principais obreiros além de, tal como já disse, os antigos treinadores. Antes de eu chegar, esses treinadores que arrancaram o Vilafranquense dos distritais estiveram envolvidos nisto. Falo do Filipe Coelho, do Luís Brás, do Sousa, do Vasco Matos. O Vasco começou a época com a sua equipa técnica e foi responsável por este processo também. Foi um processo longo e os heróis, os que jogam, já ultrapassaram esses limites e não é fácil gerir, com toda a sinceridade, esta fase de competição. Já não sei o que é que os jogadores podem dar mais. Sei o que eles viveram. Perante um adversário de qualidade que também pode estar esgotado, não sei o que encontraremos. Amanhã, quando a bola começar a saltar… Já não há cansaço, a pressão apareceu, a exigência vai ser máxima e o treinador já vai estar transformado. Agora são fait-divers."

Possível ansiedade extra no balneário

 "Eles querem exactamente que isto acontecesse. Agora é tão fácil. As duas equipas já subiram, os jogadores querem isto há tanto tempo. Toda a gente fala nas prelecções, as palestras de treinador, no dia 23 de junho. Eles já sabem o dia de cor e salteado. Não sabiam era que o dia 16 de junho iria ficar para sempre marcado na história de Vila Franca de Xira. Quem fez história foram os jogadores. Merecem, mais do que nunca, exteriorizar amanhã todos os seus valores e independentemente do que possa acontecer, eu cumprimento-os com muito orgulho pela grande época que fizeram."

Treinador de fato-treino ou smoking no dia da final

"Amanhã pode ser que aconteça algo diferente, as pessoas percebem como é que eu venho. Há algo que sei, e não posso abrir o véu todo, sei que há um casamento e teremos de entrar aqui felizes com a consagração do momento. Se disser o que vou fazer perde a piada. Não quero ser diferente para dizer que o sou mas tenho de homenagear algo que está dentro do meu coração e que eu disse que se isso acontecesse o iria fazer. Por essa pessoa e pelos meus jogadores. Amanhã verão o que vai acontecer. Não posso dizer quem é a pessoa que homenagearei. Os treinadores, de vez em quando, gostam de inventar. É bom que seja antes do jogo (risos) e que não seja dentro de campo."

Jogadores lesionados ou em dúvida

"Nestas situações, até porque o futebol profissional obriga a isso, é preciso saber antecipadamente quem está lesionado. Antes do treino, falei com alguns jogadores para perceber como estão de ontem para hoje e não consigo garantir nada. Há dúvidas mas não certezas."

Por Flávio Miguel Silva
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