Filipe Moreira e o troféu no Jamor: «Seria o momento mais forte da minha carreira»

Técnico do Vilafranquense quer juntar subida à vitória sobre o Casa Pia

• Foto: Vítor Neno

RECORD - Assinou 2 anos pelo Vilafranquense. Já teve tempo para perceber que já está na história do clube?

Filipe Moreira – Muita gente está na história deste clube, tantos dirigentes, jogadores e treinadores. O que fica no nosso interior é que escrevemos uma página linda na história desta instituição. Isso vai ficar para sempre. O cunho pessoal de todos está presente. Fica o rótulo de que alguém, nós neste caso, subiu o Vilafranquense. Isso a historia não apaga. A história alimenta-se destes momentos e destes registos. Por isso disse que o dia 16 de junho ficará eternamente na memória de todas as pessoas. Os felizardos foram aqueles que viveram por dentro e mais propriamente quem esteve presente nos últimos meses, além daqueles que ou são adeptos ou sócios. Acordámos uma cidade e agora recordamos para sempre, com prazer, este momento.

R – Que objetivo tem em mente para estes dois anos à frente do Vilafranquense?

FM – Este é um processo diferente que requer muita análise e cuidado, um planeamento meticuloso. As decisões serão boas e más porque as vão haver ao longo deste processo. Tem de haver um pensamento comum sobre um primeiro ano de entrada nas competições profissionais, onde vai ser tudo diferente, a exigência será muito grande. Haverá a passagem de um amadorismo-profissional para um profissionalismo assumido. As regras do jogo são mais pesadas e tem de haver aqui um conjunto de cuidados muito fortes. Já partimos muito atrasados, como é lógico, relativamente aos outros. Não me preocupa porque tenho confiança nas ideias e, paulatinamente, vamos fazendo a diferença.

R – É difícil manter a equipa motivada para este jogo tendo em conta que já há uma subida?

FM – É a parte mais complicada. O foco sempre foi muito presente. Tanto nós como o Casa Pia – e parabéns a eles pelo fantástico feito – estão nessa fase. Há um descomprimir natural. O jogo das emoções foi ao rubro. Agora há que voltar a acelerar. Às vezes no tempo e outras fora dele porque o subconsciente adultera-se e temos de ter cuidado com isso.

R – Levantar um troféu no Estádio Nacional depois de subir de divisão é o auge de uma carreira?

FM -  O Jamor significa grandes recordações na minha infância como jovem adepto do futebol e apaixonado. No Campeonato de Portugal, louvo a iniciativa da Federação Portuguesa de Futebol que fez com que isso acontecesse, é mais um exemplo da qualidade. Já disse que não gosto da forma como o campeonato está organizado nos últimos anos mas a FPF tem feito um grande trabalho a vários níveis nos últimos anos. Este é mais um exemplo da qualidade da FPF que oferece a possibilidade de estar naquele palco a fazer a diferença. É algo que é mágico e a magia tal como o filme queremos que seja completa. Se o filme fosse completo, então aí poderia dizer que seria o momento mais forte da minha carreira como treinador juntando as duas partes: a subida e o troféu de campeão. Era ótimo.

R – Tem 55 anos, 35 anos como treinador e há quem o chame em tom de brincadeira o ‘Jorge Jesus das divisões inferiores’. Ainda se vê a singrar na 1ª Liga?

FM – Já vivi na ilusão que achava há uns anos de que iria lá chegar porque acredito muito em mim. O futebol português não é tao fácil quanto as pessoas pensam, há rótulos que se colocam nas pessoas e se calhar, a mim, colocaram-me esses rótulos positivos e outras vezes muito negativos. Se não fosse o Vilafranquense e as pessoas do clube estava um pouco perdido por aí. O facto de renovar é um sinal de agradecimento ao Vilafranquense porque tem a ver com isso. Alguém fez acordar o Filipe Moreira. Ele estava bem vivo mas para muita gente estava morto. É um paradoxo. Eu acredito no meu futuro mas nem sempre os outros acreditam em mim. Não estou obcecado com nada disso. Quero é treinar, treinar e treinar ao mais alto nível nos campeonatos profissionais que é o que está a acontecer.

R – Como é que se pensa arrancar uma época poucos dias depois de acabar a anterior? Quase sem férias.

FM – Estou completamente esgotado. Sei que me esperam dias pela frente muito complicados para poder preparar uma época. A época ganha-se e perde-se agora. É essa a grande questão que temos para resolver. O tempo não ajuda e temos de acelerar o tempo em sentido contrário: ganhar tempo no tempo. Vou dizer algo que não tenho medo de assumir. É muito mais fácil estar agora nesta realidade do que na outra. Há muita gente que quer jogar na Segunda Liga e há muita gente que não quer estar no Campeonato de Portugal.

Por Flávio Miguel Silva
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