Filipe Moreira: «Temos de fazer o jogo da nossa vida»

Vilafranquense pede esforço extra à equipa porque nada está ganho

• Foto: Vítor Neno

Record – Este resultado é bom para uma eliminatória que está no ‘intervalo’? Ou é uma "vantagem perigosa" como disse João Vieira?

Filipe Moreira – De uma forma muito simples, vejo esta fase de campeonato naquilo que é a realidade. Quando se joga em casa, é importante marcar e não sofrer. Quando se joga fora de casa, há que procurar marcar. Se não se sofrer, melhor ainda. O que conseguimos fazer nas duas eliminatórias que temos até ao momento foi marcar fora de casa. Na primeira da competição foi a solução. No primeiro jogo das meias-finais voltámos a marcar e não perdemos. É um bom alimento mas não significa nada porque há muito tempo para jogar, um outro jogo e outra realidade. Há uma ligeira vantagem que não tem significado para nós nesta altura. Durante o jogo não sabemos o que pode acontecer: se se tornou uma vantagem efetiva porque o adversário não marcou golos ou não valeu de nada porque o adversário conseguiu marcar e voltou tudo à estaca zero. Analisando de uma forma fria, vamos ter um grande adversário pela frente, uma equipa com grande qualidade, que ficou em primeiro e eliminou o Lusitânia Lourosa ganhando os dois jogos. Diz tudo do valor desta equipa. São jogadores bem orientados que têm qualidade e vejam os jogos que fizeram na parte final da época. A U. Leiria veio de nove vitórias seguidas, nós fomos lá empatar. Há que ver o grande potencial desta equipa. Nós temos respeito por eles, sabemos que o valor está lá mas temos muita ambição que tem de ser materializada pelos nossos jogadores, adeptos e claque. Temos de fazer deste jogo o jogo da nossa vida. Não há nada mais nada para fazer e para realizar na vida de cada profissional, mas é o que o adversário também quer. Há fatores emocionais muito fortes dos dois lados, o fator-casa pode ajudar em determinados momentos. Viu-se em Vizela, o fator-casa ajudou muito a equipa do Vizela, o público ajudou-os bastante e nós em nossa casa temos esse fator adicional, algo que a U. Leiria não teve na 1ª mão connosco. O 12º jogador tem de estar presente. Pedimos que, cada vez mais, as pessoas acreditem. Temos de acordar Vila Franca, Vila Franca tem de acordar no domingo! Tem de vir para o campo, enchê-lo e criar um ambiente de futebol. É isso que sentimos que pode ser o tónico fundamental para ajudar estes grandes heróis pela forma como têm vivido este clube, sofrido nos momentos e têm realizado uma época de grande qualidade.

R – O jogo em Leiria foi ao encontro das suas expectativas? Espera uma U. Leiria diferente no Cevadeiro?

FM – Cada treinador vai ter a sua estratégia para este jogo e estará atento ao que o treinador contrário pode fazer. É isto o jogo de futebol: sabermos o que pode acontecer e analisarmos em função dos momentos o que pode acontecer. Precisamos de uma equipa viva, preparada para as realidades da competição. Como é que vão jogar… eu posso pensar de uma maneira e depois ser diferente. O treinador adversário pode estar a pensar de uma maneira e ser diferente, isso vai ficar no segredo dos deuses. No domingo à noite falamos um bocadinho mais sobre isso e percebemos quem fez o quê. Há qualidade dos treinadores, dos jogadores e as equipas querem muito este momento. Há uma coisa que sei: há um União que vai subir de divisão, há um Filipe que vai subir de divisão. Se é o Cândido ou o Moreira… há um que vai subir. Se é a União de Leiria ou o União Desportiva Vilafranquense… há um que vai subir. De resto, não faço qualquer tipo de diagnósticos antes de acontecer porque é uma mentira. Eu não vivo disso. Vivo da realidade. Vamos para o jogo sabendo que há 1-1, vamos para o jogo e veremos o que ele vai dando, a nosso favor ou contra nós.

 R – A SAD do Vilafranquense assumiu na página oficial de Facebook que este é "o jogo mais importante da história" da equipa. O balneário sente isso mesmo?

FM – Há diferenças. A U. Leiria já esteve várias vezes na realidade profissional. Ao Vilafranquense nunca aconteceu. São duas realidades díspares que fazem com que a cidade tenha de perceber isto e as pessoas tenham de perceber também. Quanto a nós, não temos mais pressão por causa disso. Os jogadores não vivem mais pressionados porque toda a gente tem um sonho que quer realizar. Qualquer interveniente neste jogo quer subir de divisão. A história é bonita mas o que eles querem é subir de divisão. Se a U. Leiria esteve lá 50 vezes e o Vilafranquense nunca esteve, pode ser um tónico diferente para os jogadores mas o que lhes digo de uma forma natural é que o grupo está focado no objetivo, neste jogo. O outro já passou. A partir daí, é pensar que só é possível no domingo acontecer algo. Domingo termina tudo. Ou ganhamos e vamos ao Jamor, ou empatamos 0-0 e vamos ao Jamor ou empatamos 1-1, vamos a prolongamento e penáltis, ganhamos e vamos ao Jamor. Uma das equipas não vai subir. Gostava que fosse um grande jogo, que as equipas estivessem envolvidas com paixão e prazer, e à volta do campo existisse ambiente de futebol. É isso que o jogador e o treinador gostam.

R – O Campo do Cevadeiro estará certamente cheio. De que forma é que os adeptos podem ser decisivos neste momento? Puxar pela equipa durante 90 minutos sem parar?

FM - Os adeptos têm de fazer aquilo que normalmente fazem em casa: estão com a equipa, apoiam a equipa, ajudam e não a criticam. Isso é fantástico. Eles sentem que a equipa está em campo para dar o seu máximo. Fora dele, os Piranhas também dão o máximo. Vão apoiar sempre os jogadores, vai haver ansiedade, muitos nervos, é normal. Mais do que nunca têm de estar com os jogadores mas já é o que fazem. Aquilo que peço apenas é que a cidade tem de estar presente e tem de dizer presente no domingo. Já pedi um jardim zoológico, agora peço toda a comunidade e tudo o que possa existir, tudo o que mexe tem de vir! Seja animal ou ser humano. Temos de criar aqui um ambiente fantástico para que um dia possamos recordar pela positiva um momento de felicidade. É isso que as pessoas têm de trazer: energia e pensamentos positivos aos seus jogadores e envolver a equipa num ambiente fantástico.

Por Flávio Miguel Silva
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