Plantel do União SAD critica administração e Federação Portuguesa de Futebol

Comunicado emitido pelos jogadores denuncia várias situações ocorridas desde o início da época

• Foto: Hélder Santos

O plantel do União SAD emitiu esta terça-feira um extenso comunicado no qual "lamenta e repudia a forma como foi tratado pela administração" desde o início da época. "Este ano não foi uma exceção e tem sido uma situação que se repete há alguns anos, pelos vários relatos de ex-jogadores e notícias de anos anteriores", pode ler-se na nota, que em nove pontos critica a atuação dos responsáveis em questões como salários, condições de habitabilidade ou transporte, acusando-os mesmo de "falta de humanismo".

No mesmo comunicado, a que Record teve acesso, os jogadores apontam ainda o dedo à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) por permitir "que os clubes optem pela desistência e ainda assim mantenham o seu lugar no Campeonato de Portugal para a época 2021/2022, evitando a despromoção". "Isso fez com que realmente se aproveitassem da situação", alega o plantel do União SAD.


Leia o comunicado na íntegra:


"Nem todo o cenário que se pinta para fora corresponde totalmente à realidade.

O plantel do Clube de Futebol União da Madeira - SAD, lamenta e repudia a forma como foi tratado pela administração da SAD. Sabemos que no União da Madeira SAD este ano não foi uma exceção e sim que tem sido uma situação que se repete há alguns anos, pelos vários relatos de ex-jogadores e notícias de anos anteriores.

Como forma de indignação e achando que, tal como em anos anteriores, devemos expor a situação que todos atravessamos enquanto ao serviço do CF União da Madeira - SAD, decidimos mencionar os vários pontos em que condenamos a atitude e a maneira como a administração conduziu esta época:

Ponto primeiro: A incapacidade de regularizar os salários em atraso com todos os jogadores e staff desde o início da época 2020/21.

Ponto segundo: A incapacidade de garantir aos atletas de fora da região a tranquilidade de saber que, no meio de todas as
adversidades, teriam pelo menos um teto onde pudessem descansar tranquilamente. A dificuldade em pagar o hotel onde esses jogadores e treinador se encontravam alojados gerou vários momentos de constrangimento, acabando inclusive por serem impedidos de almoçar por uma ocasião.

Ponto terceiro: A incapacidade de nos garantir um departamento médico(inexistente) que nos acompanhasse em todas as sessões de treino.

Ponto quarto: Os treinos, apesar da proibição do governo no que tocaa competição, eram ainda permitidos. Ainda com a falta de condições dada pela CF União da Madeira - SAD o plantel mostrou disponibilidade e vontade de continuar a treinar acabando por ser a  administração da SAD a dizer-nos que era melhor não o continuarmos a fazer.

Ponto quinto: A incapacidade ou a não vontade de facultar um transporte para os jogadores, que dependiam desse mesmo
transporte para se deslocarem para o Complexo Desportivo do União da Madeira.

Ponto sexto: no comunicado em que se revelava que o União da Madeira iria desistir da competição foi também mencionado que os clubes se colocavam na obrigação de cumprir com os jogadores e staff tudo o que foi acordado para esta época. Até agora, os jogadores não foram contactados, seja com vista a receber os ordenados em atraso, seja com vista a continuar a receber as verbas que foram acordadas.

Ponto sétimo: Quando a própria administração da SAD diz que a maioria dos seus atletas são amadores; no plantel do União apenas tínhamos um jogador que realmente conciliava a sua função no União com uma outra função laboral. A questão de incumprimento e falta de condições levou vários jogadores a sair do clube, e essa, talvez seja a real razão de tal decisão.

Ponto oitavo: Avançando com a contratação de um novo treinador e preparador físico e ainda assim rejeitarem assinar o contrato a ambos, tendo-os a trabalhar sem qualquer garantia de alguma coisa.

Ponto nono: A falta de humanismo para com os nossos colegas colombianos que ainda que tenham sido trazidos por um investidor que, de facto também trouxe problemas à SAD, não tiveram do culpa do sucedido e, que acabaram de certa forma abandonados tendo de mudar de alojamento e suportar eles, ainda sem receber do CF União da Madeira SAD, todos os custos a isso associados.

Uma palavra também para a Federação Portuguesa de Futebol: Permitem que os clubes optem pela desistência e ainda assim mantenham o seu lugar no Campeonato de Portugal para a época 2021/2022, evitando a despromoção. Ora, isso fez com que realmente se aproveitassem da situação.

Não conseguindo cumprir com as obrigações que tinham para com jogadores e staff e, sabendo que já não tinham um plantel recheado de jogadores pelas razões a cima mencionadas e tendo apenas cerca de 6 vagas para inscrever mais atletas, a decisão mais fácil seria desistir podendo manter o clube em provas nacionais na época seguinte e não passando pela "vergonha" de ter em cima da mesa a descida de divisão disputando jogos em campo por não conseguir cumprir com os jogadores e, por isso, não ter um plantel competitivo para esta época.

Se é da vontade da FPF que situações como estas, que empobrecem o nosso futebol, se evitem, deveriam estudar bem as situações que se passam nos clubes com vista a não permitir que situações destas se voltem a repetir, seja no União da Madeira SAD, seja em qualquer outra equipa no nosso país. Este ano foi assim, em anos anteriores foi assim e em anos que se seguem poderá ser assim.

O plantel do Clube de Futebol União da Madeira SAD."

Por Record
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