V. Setúbal não vai além do empate no regresso ao Bonfim

Frente ao Esperança de Lagos, em jogo da quarta jornada da série H do Campeonato de Portugal

• Foto: Rui Minderico

O Vitória de Setúbal não foi este sábado além de um empate (1-1) com o Esperança de Lagos, em jogo da quarta jornada da série H do Campeonato de Portugal, que marcou o regresso da equipa ao Estádio do Bonfim.

Quase três meses depois de terem jogado oficialmente pela última vez no seu estádio, os sadinos voltaram este sábado a atuar no Bonfim, desta vez numa realidade bem diferente daquele dia 26 de julho quando venceram (2-0) o Belenenses SAD e fizeram a festa da permanência na I Liga.

A alegria durou pouco e a realidade, agora, depois de terem sido despromovidos pela Liga devido à falha na entrega dos pressupostos financeiros, chama-se Campeonato de Portugal, terceiro escalão do futebol nacional, em que o clube, fundado em 20 de novembro de 1910, nunca tinha participado.

Antes do jogo, o ambiente em redor do estádio do Bonfim, recinto inaugurado em 16 de setembro de 1962, não podia ser mais desolador. Só o facto de as quatro torres de iluminação do recinto estarem acesas indiciava que havia jogo do Vitória, clube que contabiliza 72 presenças no escalão principal.

À agência Lusa, Paulo Rodrigues, presidente eleito no passado dia 18, era uma das poucas dezenas de adeptos que, antes do jogo com o Esperança de Lagos começar, se encontrava junto ao restaurante do estádio, onde algumas pessoas se reuniram para assistir ao jogo, que teve transmissão televisiva no Canal 11.

"Deixa-me triste ver o estádio assim, porque estava habituado à grande atmosfera que os adeptos criavam antes dos jogos. No entanto, acredito que o facto de ser um jogo à noite, ter transmissão televisiva e realizar-se no dia em que o país bateu o recorde no número de infeções por covid-19 também ajuda a explicar o ambiente que há", disse.

Já Carla Abreu, que se preparava para assistir ao jogo com os seus amigos da claque VIII Exército no restaurante localizado no estádio, confessou que o seu sentimento era de satisfação por voltar quase três meses depois a ver um jogo oficial em Setúbal.

"Fico muito contente de voltar as ver as luzes do estádio acesas. Há muito tempo que isso não acontecia. Tenho saudades de ver jogos na bancada. A última vez que isso aconteceu foi no empate que conseguimos frente ao Benfica [1-1 em 07 de março de 2020, jornada 24 da I Liga]. Como não posso estar lá dentro, vou vê-lo bem pertinho, aqui no restaurante do estádio, debaixo da bancada", revelou.

Depois de assistir a centenas de jogos do seu Vitória em Setúbal e em muitas localidades do país, a sócia e adepta do emblema sadino, de 43 anos, afirma que não fica indiferente ao facto de a sua equipa estar no Campeonato de Portugal.

"Claro que nenhum vitoriano está feliz com o que aconteceu, mas vamos continuar sempre a cantar e a apoiar a nossa equipa. Logo que possamos, estaremos lá dentro. Tenho a certeza de que se não fosse a covid-19 ia, mesmo nesta divisão, muita gente atrás do Vitória", afirmou.

Um dos espetadores do jogo no Bonfim foi Sandro Mendes, ex-capitão e treinador do Vitória, de 43 anos, que vincou antes da partida a necessidade de os setubalenses não 'virarem costas' ao clube.

"Sinto-me triste pela realidade em que estamos, mas quem é do Vitória é-o sempre seja em que divisão for. Temos a obrigação de apoiar o clube e estar sempre presentes", disse o capitão que ergueu pelo Vitória a Taça de Portugal de 2005 e a Taça da Liga de 2008.

Dentro das quatro linhas, o Vitória de Setúbal teve uma entrada forte no jogo, mas foi o Esperança de Lagos, com um golo do ganês Sarpong, aos 32 minutos, a colocar-se na frente do marcador.

Após o intervalo, os sadinos entraram pressionantes e repuseram a igualdade num remate espetacular de Bruno Ventura, aos 49 minutos. O médio, de 19 anos, que dois minutos antes já tinha rematado com muito perigo à baliza dos algarvios, fez o 1-1 e, fora do estádio, ouviram-se adeptos a celebrar o momento e a entoar momentaneamente cânticos de apoio à equipa.

Até ao fim do encontro, mesmo a jogar em superioridade numérica desde os 53 minutos, devido à expulsão por duplo cartão amarelo de Harruna, jogador do Esperança de Lagos, o Vitória de Setúbal não voltou a desfeitear o guarda-redes contrário, mantendo-se o resultado da partida em 1-1 até ao final.

Já com o relvado do Bonfim vazio e os holofotes do Bonfim a meia-luz, foi audível no interior do estádio a voz de um adepto cantar no exterior do estádio: "Vitória 'allez', Vitória 'allez', aconteça o que acontecer, sou do Vitória até morrer".

Por Lusa

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