Há quase oito anos que José Maria, antiga glória do V. Setúbal, não vinha a Portugal. Quis o destino que o regresso do melhor marcador de sempre dos sadinos no escalão principal, com 91 golos, coincidisse com o momento em que o clube tem o melhor ataque da Liga NOS, com 8 golos. "Fico feliz. Se a equipa mantiver este desempenho, terá uma boa época", vaticina a Record, desejando sucesso ao plantel atual. "Tomara que continuem, para não termos as dificuldades de anos anteriores."
Antes de regressar a Nova Jérsia (EUA), onde reside, o antigo médio confessa que ter jogado no Bonfim entre 1962 e 1976 deixou uma marca indelével. "Os anos passam, mas serei sempre do Vitória. Mesmo à distância, acompanho. Oxalá tenha êxito", frisa o ex-internacional A português, que jantou com antigos colegas.
Família
Com um brilho nos olhos e muitos sorrisos, José Maria confessa, aos 72 anos, que estar ao lado de amigos como Carlos Cardoso, Octávio Machado, Tomé, Rebelo, Herculano e José Mendes, entre outros, é uma espécie de viagem no tempo. "Tudo o que sou hoje devo a esta família. Este encontro serve para recordar. O espírito que existia não permitia momentos de desânimo. Como hoje, andávamos sempre contentes e, mesmo nas horas más, havia um companheirismo muito forte", recorda.
Além de recordista de golos, José Maria ocupa o 1.º lugar no pódio de sadinos com mais jogos no escalão principal – 320. Natural de Luanda, cidade onde planeia regressar de vez em breve, o jogador – que chegou a Setúbal oriundo do Petro aos 18 anos – aponta, mais uma vez, na direção dos amigos. "Orgulho-me de todos os jogos e golos que fiz, mas se bati recordes só tenho de agradecer à malta com quem joguei. Tudo o que fiz e fui, agradeço a esta família."
O melhor momento
Apesar de ter apontado golos que valeram troféus nacionais e triunfos em provas europeias, José Maria é perentório a eleger o melhor golo da carreira. "Foi contra o Sporting nos oitavos-de-final da Taça, em 1963/64. Depois de empates em Setúbal e Lisboa, decidimos em Évora a eliminatória a nosso favor. Apanhei a bola no meio-campo e comecei a fintar, passei pelo José Carlos com um toque subtil e, só com o guarda-redes Carvalho pela frente, marquei um grande golo", recorda.