Gil Vicente-V. Setúbal, 5-0: Grande treino do Gil
Incrível passividade dos sadinos e vitória no bolso dos gilistas logo aos 18 minutos. O recital teve um show particular do intratável Carlitos. O do Gil, pois claro...
Não há nada como um bom adversário. O Gil Vicente deu ontem um autêntico recital de futebol. Jogo cheio de profundidade, eficácia na frente, defesa concentrada, equipa curta e inteligente na ocupação dos espaços. Nem era necessária tanta pressão sobre a bola, porque do outro lado não havia opositor...
Ulisses Morais tem razões para estar orgulhoso. A vitória estava no bolso logo aos 18 minutos e o galo só podia mesmo cantar de goleada perante a incrível (e incompreensível) passividade dos sadinos. Com o “seu” campeonato feito, o V. Setúbal entrou no jogo a dormir e quando acordou já tinha vivido um autêntico pesadelo. Um evidente jogo de contrastes. Sadinos sem garra. Pouco querer e evidente não poder. Em suma, uma tristeza!
O Gil Vicente, reforça-se, agradeceu tamanha oferta, logo numa fase em que vinha de duas derrotas consecutivas (Benfica e Nacional) e quando a corda da descida apertava o pescoço. Com a derrota do P. Ferreira havia a possibilidade de saltar e foi assim que Carlitos começou o seu show muito particular. O extremo gilista respondeu de cabeça ao segundo poste ao cruzamento de Gouveia na abertura do marcador.
O início do fim
Era o início do fim dos sadinos e o jogo só tinha 15 minutos. Nandinho, o do V. Setúbal, foi um “anjinho” ao ver o seu pequeno adversário saltar sem qualquer dificuldade. Marco Tábuas, entretanto, já tinha uma grande defesa no pecúlio (cabeçada de Gouveia aos 14’) e ainda travou a bola que veio como uma bala da cabeça de Gregory. O guarda-redes, todavia, não teve a urgente protecção e Rovérsio teve êxito na recarga. Com 2 golos de vantagem aos 18’, o Gil Vicente podia acalmar, mas Carlitos e os seus parceiros não estavam pelos ajustes. Antes do intervalo, mais duas ocasiões de perigo que Marco Tábuas negou. Já cheirava a goleada.
A segunda parte confirmou o cenário. No palco só estava uma equipa e não era o ilustre visitante que veio em passeio a Barcelos. Hélio Sousa já tinha mudado o esquema com a entrada de Fonseca no lugar de Hélio Roque, o protagonista do único remate da equipa sadina no primeiro tempo. Já sem Roque, o Vitória continuava sem rei. Só Varela mexia alguma coisa na frente e o outro Carlitos desta história, o reforço de Inverno do V. Setúbal, era uma autêntica nulidade, mas conseguiu o “feito” de permanecer em campo até ao fim.
O grande treino do Gil (podem acreditar nas duas versões da palavra...) era tão evidente que ninguém estranhou o terceiro golo. Foi o melhor exemplo da passividade sadina, com Mateus a servir Carlitos e a bola a passar à frente de Auri, que ficou só a ver. E ainda chegou a tal confirmação da goleada decorrido uma hora de jogo. Perdão, do treino...
Deu para tudo
Carlos Carneiro fez o 4-0 a passe de... Carlitos, que pouco depois saiu para a ovação. Deu para tudo, até para fazer história nesta Liga, com o Gil Vicente a igualar a maior goleada, idêntica à do Belenenses sobre o Penafiel. Uma mão- cheia de golos que acabou com o de Mateus, um n.º 10 que ainda vai surpreender muita gente. Veio do Lixa, teve problemas burocráticos que quase impediam a sua inscrição, mas está aí para rebentar. Mateus carimbou a sua grande estreia com um bom golo e também saiu logo a seguir. Enfim, um jogo perfeito do Gil Vicente, até no último minuto, com João Pereira a negar o golo a Janício.
Árbitro
Jorge Sousa (5). O árbitro do Porto também teve um jogo perfeito, tal como o Gil de Nandinho, que reclamou penálti aos 3’ mas o remate é violento e apanha o braço de Flávio a meio metro. Foi o única vez que toda a gente olhou para Jorge Sousa...