Júlio Velázquez diz que Silas aceitou adiar jogo para março

Técnico dos sadinos revela conteúdo da conversa entre ambos

• Foto: Rui Minderico

Júlio Velázquez voltou esta sexta-feira a abordar a situação em torno do seu plantel, considerando que é totalmente impossível que num país como Portugal e numa Liga como a nossa que a partida diante do Sporting se realize. De resto, o técnico sadino negou aquilo que o Sporting referiu a propósito da disponibilidade de vários jogadores para treinar, revelando ainda que em conversa com Silas se chegou a um entendimento (de palavra) que aponta o primeiro fim de semana de março como uma data possível para a partida.
"A situação é a mesma de ontem. A equipa está morta. Não temos condições de fazer um jogo de futebol profissional, nem de fazer desporto. Quero falar com sinceridade e frontalidade sobre tudo o que se passou. Não sei que virus foi, mas foi-se alimentando. Diante do Famalicão jogámos com quatro com febre. Que eu saiba, em nenhum momento falei nisso antes ou depois. Não ganhámos porque o Famalicão foi melhor", começou por recordar.

"Na segunda-feira treinámos com dez, mais um guarda-redes da equipa principal. Dos dez, dois não conseguiram acabar. Na quarta-feira começámos com 14 jogadores, mais um guarda-redes da equipa principal e outro dos Sub-23. Dois desses tiveram de sair, porque começaram a ter sintomas. Na quinta-feira é quando fico assustado. Falo com o clube para tentar fazer alguma coisa para solucionar a situação. Ontem treinámos com um, o Carlinhos, mais três guarda-redes. Os outros ou estavam no hospital, na cama ou no ginásio a fazer mobilidade, mas com vómitos, diarreia e febre. Esta é a nossa realidade! Vocês conhecem-me. Eu gosto de falar de futebol, de fazer o melhor possível, aplicando sempre o fair play", acrescentou.

Seguiu-se depois a conversa com Silas, onde os dois treinadores atingiram uma plataforma de acordo para uma data. Mas havia um problema a contornar: o regulamento. "A última solução foi tentar falar com o Silas em busca de um exercício de empatia, de treinador para treinador. Liguei-lhe duas vezes e não consegui falar-lhe. Mandei-lhe mensagem e, agradeço-lhe de coração, devolveu-me a chamada e falámos com respeito. Expliquei a situação, ele argumentou e percebeu a nossa situação. Não quero fazer figura de m.... É uma situação de saúde. Expliquei a 100% a nossa situação. Ele percebeu e argumentou que fevereiro é um mês difícil. Depois falámos da primeira semana de março, que não era a melhor para nós, porque íamos jogar depois do Benfica, mas disse com sinceridade que preferia. Falei com o clube, o clube falou com a Liga, mas o que acontece é que o regulamento diz que tem de se jogar no espaço de quatro semanas e aí só há uma data possível [fevereiro]. Não tenho problema de jogar em março e ele [Silas] também não. Ele percebe que a situação é muito grave, muito mais do que se fala! Eu como profissional percebo o que se passa no Sporting, mas esta é uma situação de cariz totalmente particular e grave. Para isso há situações excecionais. O Sporting tem muitos jogos, eu compreendo, mas nós temos 18 jogadores em alerta máximo. Façamos um exercício de coerência... Todos dizem isto, mas se morrer alguém fazem todos homenagem, deixam mensagens nas redes sociais... Falamos de jogadores que estão em situações graves. O máximo que posso fazer com os jogadores é dar uma volta ao campo", admitiu.

"É uma situação excecional, em que temos de atuar como tal, à procura do bem-estar dos jogadores e da Liga. Dá-me igual ganhar ou perder, mas não coloco em risco a saúde dos meus jogadores. Se isto é o que queremos para a Liga evoluir, que venha Deus e o diga. Acho que falamos de uma Liga que não merece a situação atual nas competições europeias. Temos de buscar o bem-estar dos jogadores acima de tudo. E não depois quando é tarde é que levamos as mãos à cabeça. Quando há opção de remediar para tal", pediu o técnico.

"Depois de tudo isto, a mensagem que enviei ao Silas foi 'esta é a situação, a Liga diz que há quatro semanas, vamos tentar mudar isto'. Mas se não, peço-te para jogarmos a 4, 5 ou 6, porque há muito risco. Há dois jogadores que só têm gripe, os outros têm outra situação de vírus muito violento. Pedi-lhe para que joguemos nessa data, porque é muito perigoso. Jogamos para os adeptos... Não sei... Espero que o sentido comum, porque depois levamos as mãos à cabeça se algo acontece... O Semedo ontem parecia estar melhor e hoje acordou com quase 40 graus! Nunca vi uma coisa igual. É um autêntico exercício de surrealismo", atirou.

"O acordo tem de ser entre clubes. Eu falo do que sei com o Silas, falámos como treinadores. Fica difícil para o Sporting em fevereiro, mas há uma data livre nessa altura... Em faço um exercício de empatia com eles por terem tantos jogos em fevereiro. Mas se se faz um exercício e chegamos a um entendimento para jogar em março. Espero que depois de falarmos, que todos cheguem a acordo para resolver isto. Aqui em Portugal há situações excecionais. Vamos ver se não é branco ou preto agora...", finalizou.

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