Mauro de Almeida: «Tenho experiência na formação e trabalho com investidores há muitos anos»

Candidato à presidência não tem dúvidas que conseguirá galvanizar o clube

• Foto: Rui Minderico

Aos 36 anos, o gestor desportivo nascido e criado em Setúbal, e que é atualmente ‘vice’ da SAD do Sintrense, candidata-se à presidência do Vitória com o intuito de revitalizar o património e apostar na formação.

RECORD - Quais as razões que o levaram a avançar como candidato à presidência do Vitória?

MAURO DE ALMEIDA (MA) - O amor que tenho pelo Vitória, clube de que sou sócio há dez anos. Só me tornei sócio em 2006 porque antes não tinha capacidade financeira para o ser. Quando comecei a trabalhar tornei-me sócio. Sempre adorei o Vitória. Foi no Estádio do Bonfim que aprendi a ver futebol. Além de adorar o clube, ver o que está a acontecer. O Vitória tem uma gestão dos anos 80 e 90 e é necessário revitalizar o clube e ter uma gestão semelhante ao que acontece atualmente na Europa. Se olharmos para o Borussia Dortmund, que também já passou por uma grave crise financeira e conseguiu recuperar, aproximou-se das pessoas. Isso, infelizmente, não acontece hoje com o Vitória. Há um afastamento da cidade, ao contrário do que acontecia antigamente. Antes dizia-se que Setúbal era uma cidade pobre, mas tinha um clube que puxava por Setúbal. Agora há uma inversão dos papéis e é a cidade que puxa mais pelo clube, que sente uma necessidade de estar agregado à cidade e à Câmara.

R- O que pode ser feito para reaproximar os adeptos do Vitória?

MA – Podemos começar com coisas muito simples que vários clubes da I Liga e até do Campeonato de Portugal fazem. Um SMS, por exemplo. Para quem vive o futebol todos os dias é algo banal, mas para uma pessoa que não sente a ligação ao clube é importante. Enviar um SMS a dizer ‘hoje contamos contigo no jogo’ ou enviar um e-mail a dar os parabéns ou a oferecer um bilhete ou um desconto na loja permite às pessoas sentirem que o clube olha para elas. São coisas mínimas, mas fazem a diferença e cria uma grande aproximação às pessoas.

R – Na apresentação do seu manifesto disse ter "experiência" para apresentar um projeto "sólido e estruturado". Qual o seu percurso?

MA – Comecei no CIF que me deu a possibilidade de me iniciar no futebol. Depois da experiência nessa Academia Sporting passei, sempre ao nível da formação, para o Sporting. Fui campeão e passei depois a trabalhar no futebol chinês na formação de jogadores. Na formação, tenho muita experiência. Ao nível da gestão tenho dois anos de experiência. Sei que não tenho a mesma de grandes dirigentes que já estão há muitos anos no futebol na I Liga.

R – Quais as linhas mestras desse projeto?

MA – Revitalização do estádio, recuperação do património histórico do clube e formação. O estádio tem de ser dignificado e proporcionar às pessoas condições para assistirem aos jogos de futebol. Temos um estádio que está muito degradado e não permite assistir a um jogo de forma confortável. Depois da minha apresentação, algumas pessoas disseram-me, por exemplo, que as cadeiras sujam a roupa, as senhoras não podem ir à casa de banho. Não é preciso muito dinheiro para isso, é preciso, isso sim, criar condições para que se sintam bem no Bonfim, local que tem muita história. A recuperação do património histórico do Vitória é muito importante e tem de ser rapidamente recuperado. Refiro-me à antiga sede, no Palácio Salema. Temos um projeto para o Palácio Salema, que está localizado na Praça de Bocage, sala nobre da cidade, que será apresentado na altura certa. Na formação, pretendemos que o Vitória passe a ter a formação que teve em 1994 de onde saíram grandes jogadores como Sandro, Mário Loja, Frechaut, entre outros. Desde aí a formação perdeu-se, apesar dos exemplos pontuais recentes dos irmãos Horta e Rúben Vezo. A formação não tem as condições ideais para se desenvolver. É importante voltar a olhar para a formação e dar-lhe condições com um projeto sustentado. Há exemplos de casos de sucesso em vários clubes da I Liga sem serem os três grandes.

R – Qual o plano para a Academia do Vitória?

MA – Será apresentada depois da marcação das eleições. Revelaremos o local, como irá ser feita e com que investimento.

R – O que tem a dizer às pessoas que olham para a sua candidatura e para o seu projeto com ceticismo?

MA – O projeto consegue ser concretizado de uma maneira muito simples: através de um investimento privado que irá criar uma mais-valia para a formação. Falamos dos últimos anos da formação, que são os mais importantes: iniciados, juvenis e juniores. A partir daí, a formação tem de continuar nas nossas mãos e ser muito bem sustentada. Abaixo desses escalões será uma formação para animação de forma a criar as mais-valias para os juvenis e juniores.

R – Mesmo com a entrada de capital, a formação não será descurada?

MA – Nunca. Lembramos que a formação está com o clube e não com a SAD, são completamente diferentes. O investimento privado irá entrar na SAD e não no clube. O clube pode fazer parcerias para criar mais-valias para a formação. Existem vários modelos que podem ser aplicados.

R – Acha possível devolver o Vitória à glória do passado, tornando-o no quarto maior clube nacional, como disse há dias na sua apresentação?

MA – Não temos qualquer dúvida de que isso é possível. Há exemplos em Portugal como o do outro Vitória, o de Guimarães, que também esteve tão mal e atualmente está tão bem. Na altura pensava-se não ser possível. O nosso Vitória é muito maior do que o de Guimarães, não tenho qualquer dúvida. O Vitória Sport Clube não é tão grande como o Vitória Futebol Clube. Se estivermos agregados à nossa região conseguimos crescer muito mais rapidamente. É óbvio que primeiro temos de criar essas condições com a criação da Academia que sustente todo o projeto e ter um estádio em condições que nos permita sustentar o projeto. Não pensamos conseguir neste mandato de três anos colocar o Vitória a lutar pelo terceiro e quarto lugar, mas queremos estar nos lugares europeus, perto do V. Guimarães e Sp. Braga para lutar com ambos.

R – Que papel terá a Câmara Municipal de Setúbal na criação de condições para que o Vitória consiga atingir esses lugares?

MA – Contamos sempre com o seu apoio. O Vitória não pode estar desagregado da Câmara, tem de andar de mão dada porque a Câmara é de vital importância junto do Vitória. Contamos com a Câmara não só como facilitadora mas como um apoio para todo o projeto.

R – Já tiveram algum contacto com a autarquia?

MA – Ainda não houve nenhum contacto com a Câmara, mas tencionamos fazê-lo em breve.

R – Que opinião tem sobre Fernando Oliveira, atual presidente do clube?

MA – Numa altura difícil para o Vitória, fez a gestão que achou ser a melhor e conseguiu, a bem ou mal, fazê-lo. Quando pegou a primeira vez no clube conseguiu, segundo consta, fazer uma gestão muito difícil. A que faz atualmente está um pouco ultrapassada em relação ao que pretendemos implementar. Não estamos a inventar nada, mas a olhar para o que se faz nos grandes clubes da Europa. Achamos que o Vitória está cada vez a ficar mais para trás, não se está a renovar nem a acompanhar o que está a acontecer.

R – De que forma o seu surge associado e com o apoio das pessoas, como Júlio Adrião, que foram nos últimos anos a oposição à liderança de Fernando Oliveira?

MA – Temos um amigo em comum, o Martins Ventura, preparador físico. Na altura falávamos sobre aquilo que faço atualmente e sobre o Sintrense. Ele disse: ‘passamos a vida a falar do Vitória e sobre o que podia melhorar e fazer de diferente, porque não avanças para o clube? Tens de apresentar essas ideias às pessoas’. Disse-lhe que era complicado, sou muito novo, talvez tenha de pintar uns cabelos de branco… O Martins Ventura disse-me que iria falar com várias pessoas e foi dessa forma que surgiu o apoio dessas forças vivas e oposição. Tendo esses apoios considerei que era o momento de avançar.

R – O seu discurso representa um corte com o passado, sobretudo, se nos lembrarmos do tom crítico de Júlio Adrião quando enfrentou Fernando Oliveira nas eleições de 2014…

MA – Júlio Adrião tem as suas opiniões e, como é natural, divergimos em várias coisas. As suas opiniões sobre o atual presidente são pessoais e respeito-as. Lembro que Júlio Adrião não quis pertencer à nossa lista, apesar de nos apoiar acerrimamente. O Vitória tem de ser muito mais do que isso. Não podemos continuar todo o tempo a falar mal do Vitória. Foram os vitorianos que votaram no presidente que está em exercício. Apresentamos agora um modelo de gestão diferente e, se os vitorianos o acharem, é altura de mudar.

R – É importante fazer uma auditoria às contas do Vitória?

MA – Possivelmente será importante fazer, mas para a futura gestão. Não vamos procurar fazê-lo só para determinar o que as pessoas fizeram de errado. Não é essa a nossa ideia. Pensamos que não temos de perder tempo nem desgastarmo-nos com coisas do passado, trazendo ainda mais notícias negativas para o Vitória. Queremos, isso sim, trazer apoios e bons patrocinadores que não ser querem rever em notícias negativas. Não é nossa ideia estar a fazer sangue. Queremos pensar no futuro e construir algo novo para o Vitória.

R – Na entrevista a Record, Júlio Adrião falou na Autoeuropa é um patrocínio garantido?

MA – Não sei ao que Júlio Adrião se referia na altura. Não tenho nenhum contacto com a Autoeuropa.

R - Considera, tal como Júlio Adrião, que os títulos de 2005 (Taça de Portugal) e 2008 (Taça da Liga) foram conseguidos por acaso e no seguimento de um projecto definido?

MA – Não considero. Acredito que toda aquela gente fez um trabalho concreto, objetivo e quis ganhar aquelas provas que estamos aqui a falar em concreto. Quero aproveitar para dizer que quero que o V. Setúbal ganhe esta Taça da Liga porque está na final-four. Esta equipa técnica, estes jogadores e este projeto querem ganhar esta Taça da Liga. Seria uma honra ganharmos outra vez que foi um troféu que fomos a primeira equipa a ganhar.

R – Como é que viu todo este imbróglio relativamente às críticas entre Sporting e V. Setúbal nos últimos dias?

MA – Toda a gente tem a perder nesta história. Tem a perder o futebol português que, mais uma vez, se vê envolvido numa história rocambolesca; tem a perder o V. Setúbal porque perde dois jogadores que eram importantes; perdem os jogadores que estavam a fazer a sua formação e que, a bem ou a mal. Por exemplo, tanto o Rúben Semedo como o João Mário completaram a sua formação no V. Setúbal. Também perde o Sporting porque os atletas, de repente, quebram a formação e eu nem quero imaginar como é que aqueles atletas se sentem atualmente e como é que o Sporting irá fazer a gestão de carreira deles.

R – Se chegar à presidência, o V. Setúbal vai continuar a tentar empréstimos de jogadores junto dos três grandes como tem feito?

MA – Podemos tentar um empréstimo mesmo não sendo a nossa prioridade. Podemos tentar algumas soluções mas, obviamente, salvaguardando primeiro, a possibilidade de comprarmos esses atletas e, segundo, que estas situações não aconteçam e refiro-me a algumas cláusulas. Para o caso de quererem resgatar os jogadores terão de pagar por isso porque o V. Setúbal foi prejudicado, nesta situação, e agora no mercado terá de encontrar dois jogadores com aquelas características.

R – A ideia será contratar barato, valorizar o jogador e vendê-lo mais caro como acontece noutros clubes?

MA – O barato pode ser muito relativo. A nossa intenção é valorizar atletas mas queremos que os atletas da cidade, criados na nossa formação, sejam valorizados. Há cada vez uma menor identificação dos adeptos com os jogadores porque estes estão sempre a trocar de clube. Se olharmos para os últimos 10 anos, o V. Setúbal já trocou de capitão de equipa… eu já nem lembro. Se calhar de dois em dois anos está a trocar de capitão de equipa. Essa rotação tem de terminar. Tem de haver uma identificação com os jogadores que vão para o V. Setúbal. Ali é onde fazem a sua carreira e é uma coisa que não está a acontecer. Os jogadores não se revêem e não querem continuar no V. Setúbal por todas estas informações que passam sobre notícias negativas. Isto tem de acabar no V. Setúbal. O Vitória se quer trazer patrocínios tem de ter boas notícias nos media.

R – O Venâncio é a exceção à regra?

MA – É verdade, mas diga-me seis ou sete jogadores que estejam no V. Setúbal na mesma situação do Venâncio. Não há uma linha como tem o V. Guimarães. Não há jogadores identificados com o clube como eles têm. Excetuando o Venâncio isso não existe. Recordo-me que temos o Sandro, o Hélio, o Marco Tábuas, o Nandinho, entre outros ex-jogadores e não apostamos neles. Ficamos sem perceber porque não apostamos nesses jogadores.

R – De que forma é que o V. Setúbal pode rivalizar com Sporting ou Benfica, clubes que estão sediados na região e serão mais atrativos?

MA – Tanto o Sporting como o Benfica não podem ter todos os jogadores. Há pouco tempo nós tivemos o caso do André Horta que foi dispensado do Benfica e veio para o Vitória e foi aqui que se evidenciou. Por isso, nós ficando com as segundas linhas, já vamos conseguir , de certeza absoluta, criar jogadores. Com todo o respeito por Benfica e Sporting, que é verdade que formam jogadores, mas não conseguem agregar todos. Nós ficando com outros jogadores, acredito que iremos conseguir [captá-los]. Falando noutra situação, se o Vitória começar a apostar na formação, são os próprios jogadores e os próprios empresários que querem ter os jogadores num clube que aposta nesses formandos. Era o que acontecia há pouco tempo no Sporting e agora a situação inverteu-se a favor do Benfica que aposta mais nos miúdos. Se calhar, os próprios pais querem que eles vão para o Benfica ao invés do Sporting.

R – É necessário para isso melhorar as infraestruturas para tornar o projeto mais atrativo?

MA – É isso que pretendemos. Não podemos continuar a ter as infraestruturas que temos. Queremos ter pelo menos três campos para que a formação possa trabalhar.

R – De que forma é que os ex-jogadores podem capitalizar a sabedoria e experiência que têm em prol do clube e da formação do mesmo?

MA – Falei com alguns ex-jogadores e sei que eles se sentem muito afastados do clube. Eles pedem coisas simples. Sei que esta direção já o fez e bem, e falo de dar um cartão de época a cada jogador, algo que não acontecia. Os próprios ex-jogadores sentem que poderiam fazer algo mais e a grande maioria deles até já está reformada. Não estão a pedir que tenham um vencimento. Estão a pedir que olhem para eles e para que possam transmitir aos miúdos aquilo que vivenciaram no Vitória e o que o clube já foi. Pretendemos integrá-los e coloca-los a trabalhar na formação. Pretendemos que seja secretários técnicos e transmitam aos nossos atletas os valores e os acompanhem na formação. Essas pessoas são muito importantes. É o que acontece no Bayern, no Ajax e é o que pretendemos fazer.

R – Como é que tem acompanhado o julgamento onde estão marcam presença elementos do conselho de administração da SAD do V. Setúbal?

MA – Tenho seguido esse dossiê mas não quero falar dele por duas razões. Primeiro porque é uma notícia negativa para o V. Setúbal; segundo porque acredito que aquela família possa estar a passar por momentos complicados e quero respeitar os problemas da família Oliveira.

R – Acredita que Fernando Oliveira se vai recandidatar?

MA – Muito sinceramente não sei. Ele é que tem de pensar se ainda está com capacidade para se candidatar depois de estes mandatos.

R – Vítor Hugo Valente teve reuniões consigo. Qual é o ponto da situação neste momento?

MA – Pelo que me foi transmitido pelo Dr. Vítor Hugo Valente, a candidatura dele está organizada. Ele tem um projeto e pretende avançar com ele. Se ele vai avançar ou não, não sei.

R – O que é que falhou para não haver uma conjugação de esforços?

MA – Os projetos eram muito idênticos em quase tudo. Tanto no plano da formação como do da revitalização do estádio. O que falhou essencialmente foi que ele pretendia ser o cabeça de lista e eu também (risos). Não chegámos a um consenso quanto a essa parte. Foi tão simples quanto isto porque os nosso projetos podiam agregar-se em quase tudo.

R – Está aberto a um possível debate entre candidatos?

MA – Sim. É sempre bom e interessante debater o Vitória.

R – Caso seja eleito como presidente, José Couceiro era o nome que gostaria de continuar a ver à frente da equipa principal?

MA – Pela história que tem e por aquilo que mostrou pelas últimas vezes que cá passou, seria um bom treinador para o V. Setúbal. Só na altura e no momento poderemos avaliar se o José Couceiro quer continuar no V. Setúbal, se tem outros projetos… José Couceiro quando tem sucesso no V. Setúbal consegue sempre sair para outros projetos. Só nessa altura podemos fazer uma avaliação mas tenho de respeitar tudo aquilo que José Couceiro tem feito no V. Setúbal. Temos de respeitar a sua opinião e todo o trabalho que fez até à data.

R – António Santos, figura incontornável do andebol do V. Setúbal, marcou presença na sua candidatura à presidência. É um sinal claro de que vai dar atenção às modalidades?

MA - Queremos que as modalidades tenham um grande apoio, sejam cada vez maiores e, inclusivamente, querermos criar mais modalidades. Já temos um projeto para a criação do futsal, só a título de exemplo. Pretendemos que as modalidades estejam cada vez mais integradas mas que sejam independentes. Têm de ser independentes e têm de conseguir sobreviver independentemente. É óbvio que o V. Setúbal enquanto entidade pública tem de criar apoios. Falamos de patrocinadores e negociar os equipamentos todos em conjunto algo que não acontece agora. Vejo o futebol, o andebol e o râguebi e equipam de forma diferente. Se o V. Setúbal negociar tudo em conjunto consegue sempre melhores apoios mas também pretendemos que continuem a ter uma gestão autónoma. Pretendemos até ir um pouco para lá disso

R – O andebol poderá ter um investimento ainda mais forte?

MA – Tenho uma história curiosa em relação ao andebol e por isso gosto muito de andebol. Fui jogador de andebol nos Ídolos da Praça e no ano em que tenho a possibilidade de representar o Vitória, o clube acaba com a secção de andebol. Foi a coisa que me deixou mais triste foi o facto de eu nunca poder ter a possibilidade de representar o Vitória enquanto atleta. Por isso, o andebol terá todo o meu apoio. Uma coisa possa garantir: o andebol nunca poderá passar pelas dificuldades que passou. Já estamos a trabalhar para arranjar investimento para o andebol. Este época já o conseguimos fazer.

R – Onde é que foi criado em Setúbal?

MA – Na Terroa. Conheço muito bem a cidade, estudei na Camarinha, um bairro com muitas dificuldades e na Bela Vista, outro bairro também com muitas dificuldades. Foi lá que completei o ensino secundário até vir para a universidade em Lisboa.

R – Qual é a sua formação?

MA – Sou licenciado em educação física e desporto.

R – Para as pessoas que não o conhecem, o que pode dizer para que o olha com algum ceticismo e podem não saber quem é?

MA – Já trabalho há muitos anos no futebol. Só trabalhei até completar a minha licenciatura com ‘part-times’ em telecomunicações e a vender porta a porta. Desde aí, trabalhei sempre em futebol. Trabalhei na formação do Sporting, trabalho com investidores há muitos anos e é isso que me permite, porque acho que tenho valências, galvanizar o Vitória conjugando as duas coisas: a experiência que tenho na formação e na que tenho em trabalhar com investidores. Por isso, permite-se pensar tal como às pessoas que me apoiam, que posso vir a ser o presidente do V. Setúbal.

R – Tem 36 anos e sendo um jovem, qual a sua ligação ao V. Setúbal até ao momento, em termos emotivos e familiar?

MA – Primeiro sou sócio do Vitória. Nasci em Setúbal e toda a minha família é do Vitória Futebol Clube. Ia com o meu padrinho a todos os jogos do Vitória desde miúdo. Lembro-me de ser pequeno e de ganhar 5-2 ao Benfica. Lembro de estarmos a jogar na Taça de Portugal ante o Belenenses e apagarmos as luzes porque estávamos a perder (risos). Todas as vivências que tenho em relação ao futebol são em Setúbal e não em Lisboa, para onde vim viver quando acabei a minha formação. Tudo o que me lembro em relação ao futebol é em Setúbal, seja no futebol ou no andebol. O que me lembro de passar naquele pavilhão, por exemplo o sarau da ginástica a que todos os anos ia assistir. Falar de Setúbal é reviver a minha infância.

R – Considera que o presidente do V. Setúbal deve ser remunerado e viver a tempo inteiro para o clube?

MA - Sim, considero. Atualmente só se consegue fazer um bom trabalho, e isso acontece em toda a Europa, quando se vive 24 horas para o clube, como Bruno de Carvalho diz – apesar disso não acontecer na realidade. Só sendo profissional é que isso acontece. Não só o presidente mas estando rodeado de uma equipa de gestão profissional.

R – Identifica-se com o estilo de liderança de algum presidente em Portugal?

MA – Em Portugal não. Infelizmente não. Talvez o meu estilo se aproxime um pouco com o presidente do V. Guimarães, Júlio Mendes. É uma pessoa coerente que passou por grandes dificuldades e conseguiu levantar o clube.

R – E em relação a antigos presidentes do V. Setúbal?

MA – Sem dúvida, Fernando Pedrosa. Quando tive de fazer um trabalho para a universidade, escolhi Fernando Pedrosa que sempre foi o meu modelo. Foi aí a primeira vez que tive contacto com ele, era um miúdo. Tive de ir à casa dele e explicar-lhe para que é que era o projeto e Fernando Pedrosa teve a amabilidade de me explicar todo o seu percurso, tudo o que fez. É fantástico. Quem me dera a mim atingir um terço do que ele atingiu. Já era fantástico.

R – Já teve a oportunidade de falar com Fernando Pedrosa?

MA – Ainda não mas tenciono fazê-lo rapidamente falar com ele. É uma pessoa importante com que eu espero vir a contar com o apoio.

Por Flávio Miguel Silva e Ricardo Lopes Pereira
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