Restelo revive dérbi com tradição entre Belenenses e Atlético

Sócios dos azuis compareceram em peso, pagaram as quotas em atraso e celebraram de forma efusiva a vitória

• Foto: Fernando Ferreira
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Desde bem cedo, pela manhã, vários sócios do Belenenses, sobretudo os mais antigos, dirigiram-se à secretaria para renovarem quotas há muito esquecidas. Houve um que desembolsou 1.700 euros de uma vez, para recuperar vários anos perdidos de fidelização. E decidiu fazê-lo no primeiro dia do resto da vida do novo Belenenses, em que se começou a desenhar uma forte mensagem para o universo do futebol português. O que se viu ontem no Restelo foi uma espécie de lado bom do inferno.

O novo Belenenses prepara o arranque oficial na última divisão da AF Lisboa e aproveitou o seu jogo de apresentação para marcar posição. Cair no primeiro degrau competitivo soa a inferno e a tortura, mas só para os mais desatentos. O que mais importa para os mais de 90 por cento de sócios que aprovaram processar a SAD, no final do ano passado, é a afirmação dos valores históricos.

Pela frente estava o Atlético, reinventando um dos mais antigos clássicos do futebol nacional. Com duas reviravoltas, o Belenenses garantiu a vitória, mas interessa mais a viagem a partir do minuto 79… O Atlético vencia por 2-1, quando João Trabulo, a mais de 30 metros da baliza, fez levantar o estádio, igualando o encontro. E quando, a três minutos do final, Ricardo Viegas fez o golo da vitória, o banco do Belenenses, de forma genuína e instintiva, invadiu o relvado, antecipando o coro de aplausos e cânticos após o apito final.

A maior parte dos adeptos ainda não está identificada com os novos jogadores do plantel praticamente amador, mas o que interessava era a camisola que eles vestiam. Parecia, mas não estava nada combinado. O que se viu ontem no Restelo foi o prefácio perfeito para um livro em aberto sobre o clube fundado pelos Rapazes da Praia, em 1919.

Filgueira elogia projeto

O antigo central do Belenenses, Filgueira, foi apanhado desprevenido com os conflitos recentes entre SAD e clube. "É impensável o que aconteceu, mas sem as pessoas os clubes não são nada. E há uma boa estrutura e muita gente que está a pensar neste projeto. Nunca entro nesse tipo de conflitos porque acho que o clube deve seguir o seu caminho e a SAD o seu". O atual responsável pelo estágio de alguns jogadores japoneses em Portugal, incluindo no clube do Restelo, diz que "a situação vai melhorar", esperando que o clube "chegue o mais depressa possível à 1ª Liga".

"É uma tristeza enorme tudo isto que se passou"

Para além de Vicente Lucas, esteve também presente no Restelo o sócio nº 1 do Belenenses, Humberto Azevedo. Bem instalado num camarote, num dia marcante na história do novo Belenenses, expressou a Record a revolta pelo passado recente. "É uma tristeza enorme tudo isto que se passou. É uma consequência de uma má lei das SAD em Portugal. O clube só aceitou a SAD naquele momento por inexperiência e depois começou a perceber-se que o problema não era simplesmente a falta de diálogo e, mesmo que seja, é só por parte da SAD", lamentou, antes de disparar fortes críticas a Rui Pedro Soares. "Ele conseguiu isto muito baratinho e não paga nada a ninguém. É impossível gostar da maneira de ele proceder e claro que só entrou a pensar no negócio e em mais nada", afirmou Humberto Azevedo, que vai cumprir 90 anos de vida e de sócio no próximo dia 20.

Por Tiago Almeida
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