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Boavista "surpreendido" com leilão do Estádio do Bessa e vai tentar travar a venda

Garrido Pereira assumiu a presidência do Boavista no ano passado
• Foto: Fábio Poço/Movephoto

O Boavista assumiu-se surpreendido com o leilão do Estádio do Bessa, enquanto decorrem negociações para a recuperação do clube, garantindo, num comunicado aos sócios a que a Lusa teve acesso esta 3.ª feira, a tentativa de travar a venda do recinto.

Em comunicado enviado na segunda-feira aos sócios axadrezados, o presidente do clube, Rui Garrido Pereira, mostra-se "surpreendido" com a notícia do início do processo de leilão do Estádio do Bessa, sublinhando que o desenvolvimento surge num momento em que estavam a ser trabalhadas "soluções concretas" para viabilizar a instituição, que se encontra atualmente em fase de liquidação.

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O tema foi, aliás, abordado recentemente em reunião do Conselho Geral do emblema portuense, tendo a direção recebido um voto unânime de confiança.

A direção reconhece que, estando o clube em processo de liquidação, a eventual venda de ativos não é, por si só, ilegítima. Ainda assim, ressalva que tal cenário depende da conclusão do processo, assegurando que tudo fará para evitar esse desfecho.

"Importa dizer com clareza: estando o Boavista Futebol Clube em processo de liquidação, a possibilidade de venda de ativos não é, por si só, ilegítima. No entanto, para que essa venda se concretize, o processo terá de ser levado até ao fim, e é precisamente isso que esta direção tudo fará para evitar", declarou.

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O líder do Boavista apelou ainda à união da massa associativa, num momento de crescente preocupação entre os adeptos face à possível perda de um dos principais ativos do clube, classificando a fase atual como decisiva para o futuro da instituição.

"Não é a primeira vez que, em momentos decisivos, surgem iniciativas que fragilizam o caminho de recuperação que temos vindo a construir, e que inclui a propriedade do Estádio do Bessa Séc. XXI. Ainda assim, mantemo-nos firmes, focados e determinados", conclui.

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A reação da direção surge num contexto de contestação crescente, com a claque Panteras Negras a anunciar que vai recorrer aos tribunais para tentar travar a venda judicial do património do clube, incluindo o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente.

O leilão, agendado para a próxima semana com um valor base de 38 milhões de euros (ME), insere-se no processo de insolvência do Boavista, que acumula dívidas superiores a 150 ME.

A claque pretende requerer a nulidade do processo e suspender a alienação de ativos, classificando o cenário como um "desfecho catastrófico".

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Num comunicado assinado pelo líder dos Panteras Negras, Nuno Fonseca, são dirigidas críticas à direção, acusando-a de "inação" e de seguir uma "estratégia suicida", ao avançar para a insolvência sem assegurar previamente um plano de recuperação.

A estrutura liderada por Nuno Fonseca assegura que "não aceita assistir passivamente ao fim do clube" e que esta "não é apenas uma batalha jurídica, mas uma luta pela sobrevivência".

O Boavista, campeão nacional em 2000/01, terminou 11 épocas consecutivas na I Liga com uma descida em 2025. Atualmente, a SAD - liderada por Fary Faye - ocupa o último lugar do escalão principal da AF Porto, jogando no Parque Desportivo de Ramalde.

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O clube chegou a inscrever-se na última divisão distrital, mas abdicou de competir em outubro de 2025 devido à solidariedade com as dívidas da SAD e impedimentos da FIFA.

Antevendo o colapso do clube, o líder dos Panteras Negras, o mais representativo grupo organizado de adeptos do Boavista, fundado em 1984, fundou o Panteras Negras Footballers Club, em 2025.

Por Lusa
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