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A direção do Boavista apresentou na quinta-feira ao tribunal um pedido urgente de impugnação do leilão de imóveis, que abrange o Estádio do Bessa, no âmbito da insolvência do clube portuense, disse hoje o presidente 'axadrezado' Rui Garrido Pereira.
"O Boavista pediu ao tribunal a intervenção urgente num processo de venda de ativos, onde está incluído o estádio. A posição do clube é simples: o leilão, tal como foi apresentado, não reflete de forma completa a realidade associada aos bens", vincou o dirigente, em declarações à agência Lusa.
O requerimento foi submetido ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, três dias depois de ser noticiado que o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente vão ser leiloados globalmente por um valor mínimo de 32,9 milhões de euros (ME) e um montante base de 37,9 ME entre segunda-feira e 20 de maio, sob intermediação da Leilosoc.
Através do seu sítio oficial na Internet, a leiloeira colocará ainda à venda dois apartamentos T1 e T2, por verbas mínimas de 567.840 e 476.800 euros, respetivamente, já depois de ter acompanhado desde março a alienação de uma loja e 28 garagens situadas nas imediações do estádio, que também faziam parte da massa insolvente do Boavista.
Reinaugurado em 2003 e inutilizado desde maio de 2025 por impedimento das autoridades, o Estádio do Bessa foi um dos 10 recintos utilizados por Portugal na organização do Euro2004 e integra um recinto com cerca de 78 mil metros quadrados de área, sendo que, se não for vendido em conjunto com o complexo desportivo, apresenta 21 ME de fasquia mínima e 31,1 ME de valor base.
A claque Panteras Negras, o mais representativo grupo organizado de adeptos do Boavista, também anunciou a intenção de recorrer aos tribunais para tentar suspender o leilão e declarar a nulidade do processo, classificando a eventual perda do património como um "desfecho catastrófico".
"Num processo deste tipo, é essencial garantir transparência, igualdade entre interessados e confiança no procedimento. O Boavista pede ao tribunal a suspensão/anulação do leilão nos moldes atuais", reiterou Rui Garrido Pereira.
Na terça-feira, a direção 'axadrezada' manifestou-se surpreendida com o avanço do processo, sublinhando que decorriam negociações para encontrar soluções de viabilização, e garantiu que tudo faria para travar a venda, apesar de reconhecer que a alienação de ativos pode ocorrer em fase de liquidação.
Dois dias depois, o movimento 'Unidos pelo Boavista' entregou à Mesa da Assembleia Geral (MAG) das 'panteras' um requerimento, com 270 assinaturas, a solicitar uma AG extraordinária, visando a destituição da direção e a nomeação de uma Comissão Administrativa para gerir o clube até novas eleições.
Rui Garrido Pereira confirmou a receção do documento, mas lembrou que a MAG precisará de avaliar e validar as assinaturas, em conformidade com os estatutos do clube, antes de agendar a reunião magna.
O leilão decorre na sequência da insolvência do Boavista, cujo clube teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 ME, enquanto a SAD 'axadrezada' viu os respetivos credores votarem por unanimidade a continuação da atividade da sociedade.
Em fevereiro, a administradora de insolvência do Boavista, Maria Clarisse Barros, prescindiu da coadjuvação da direção de Rui Garrido Pereira na gestão da atividade do clube e passou a assegurá-la, na companhia de outra pessoa, com o acordo da comissão de credores.
O Boavista, campeão nacional em 2000/01, terminou 11 épocas seguidas na I Liga em 2024/25, ao descer à segunda divisão, antes de a SAD falhar o licenciamento para as competições profissionais e nacionais e ser relegada por via administrativa para o escalão principal da associação do Porto.
A SAD está a jogar como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, e já desceu à segunda divisão distrital, tendo sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.
Por estar solidário com as dívidas da SAD, da qual detém 10% do capital social e acusou de falhar o cumprimento integral do protocolo celebrado entre as partes, o clube abdicou de competir no quarto e último escalão portuense em outubro de 2025, sem fazer qualquer partida esta época.
Antevendo o colapso do Boavista, o líder dos Panteras Negras fundou em 2025 o Panteras Negras Footballers Club, recém-promovido ao terceiro escalão distrital.