No lançamento da visita a Vizela, Ricardo Paiva, técnico do Boavista, fez um balanço positivo das primeiras semanas no comando da equipa, apesar das condicionantes provocadas pelas lesões e ausências para as seleções, afirmando que estão a ser dados passos importantes para o seu crescimento. Sem considerar, nesta fase, o encontro determinante para a contas da classificação, o treinador deixou elogios ao próximo adversário e reconheceu o impacto que o jogo a meio da semana poderá ter nos vizelenses. Já em relação ao mercado, prefere deixar as decisões para a administração.
O que espera do adversário, que também teve um troca recente no comando técnico?
"Espero um adversário renovado, com algumas ideias que conferem plasticidade na sua dinâmica ao longo do jogo e que por vezes causam dificuldades um pouco inesperadas relativamente à forma de as travar. É um adversário que gosta de jogar, de ter bola, de convidar o adversário a pressionar alto para conseguir espaço entrelinhas, queimar essas linhas de pressão e depois acelerar. Explora também muito o jogo interior para depois acelerar por fora. Todas essas dinâmicas estão já associadas à entrada do novo treinador."
Que impacto tem o jogo a meio da semana do Vizela, para a Taça de Portugal?
"Penso que há duas situações a referir. A primeira é o facto de terem mudado muitos jogadores, o que significa que em termos de impacto físico não terá qualquer influência no jogo de amanhã. Já no que diz respeito ao campo motivacional, penso que terá impacto. Ganharam o jogo, conseguiram avançar na Taça de Portugal e esse impacto positivo será levado para o jogo de amanhã."
A proximidade pontual entre as equipas reveste o jogo de maior importância nas contas da tabela?
"Os jogos têm todos a sua importância ao nível da preparação. No que diz respeito à questão pontual, tentamos deixar para segundo lugar, sem desviar o foco do nosso trabalho diário e semanal no que diz respeito à construção da equipa e à conquista dos três pontos no fim de semana. É mais importante valorizar o facto de serem duas equipas que vêm de resultados positivos do que propriamente a distância pontual. Há uma série de equipas muito próximas, é verdade que em caso de vitória do Boavista, e é para isso que vamos trabalhar, esse fosso vai-se cavar, mas está muito longe de ser determinante para a classificação. Estou mais focado na construção da equipa, nas ideias e em manter a equipa unida, preparando o caminho para o que aí vem de forma estruturada e sólida."
Tem lidado com várias baixas no plantel desde que assumiu o comando técnico do Boavista. O que é que tem procurado fazer de diferente em relação à base que vem do início desta época? "Como já disse anteriormente, queria aproveitar aquilo que de bom tinha sido feito e conferir algumas nuances, quer no processo defensivo como ofensivo, de forma a conferir o meu cunho pessoal na equipa. Obviamente que esses percalços que têm ocorrido nos últimos tempos me obrigam a fazê-lo de forma mais pausada, mas aquilo que eu noto é que a equipa está a receber bem as ideias que têm sido passadas ao longo das sessões de treino e a evoluir de forma positiva em relação à ideia de jogo. As ausências obrigam-nos a uma ginástica mental para fazermos as adaptações, mas temos de pegar nisso de forma positiva. As ausências de uns são as oportunidades de outros jogadores, sempre no sentido de crescer e não de ‘tapar o buraco’ ou de ocupar uma posição como recurso. É um recurso no momento, mas serve como crescimento e para aquisição de ferramentas que lhes poderão ser úteis mais à frente durante a sua carreira. É dessa forma que temos aproveitado esta obrigatoriedade de nos adaptar-nos."
Alterações no boletim clínico
"O único que está mais próximo de terminar o processo de recuperação é o Salvador Agra. Integrou um ou dois treinos esta semana e está em dúvida. O Pedro Malheiro vem do jogo anterior e mantém-se inapto."
Conversas com a SAD sobre o plano do Boavista para este mercado. Há possibilidades de entradas ou saídas?
"O que poderá acontecer estará nas mãos da administração. Sinceramente, não é uma preocupação que nos acompanhe no dia a dia. É olhando para os jogadores que temos disponíveis, de forma objetiva e sem desculpas, que vamos trabalhar. É com o objetivo diário de os potenciar e de os fazer crescer que vamos guiar o nosso trabalho. As questões de entrada ou saídas deixamos de lado, não é tema diário entre a equipa técnica e a administração. Tentamos valorizar os nossos ativos e deixamos qualquer acontecimento para quem decide e manda, sem que isso traga preocupação adicional, além das questões óbvias do profissionalismo e do processo de treino."
Por Marques dos Santos