Ricardo Paiva: «Nunca há uma altura ideal para defrontar um sério candidato ao título»

• Foto: Tony Dias

O técnico Ricardo Paiva desvalorizou o triunfo que o Boavista arrecadou no início do campeonato frente ao Benfica em função da elevada qualidade da formação da Luz da mesma forma que relativizou o empate frente ao FC Porto e o triunfo em Vizela nas últimas duas jornadas, tendo também salientado que "nunca há uma altura ideal para defrontar um sério candidato ao título", apesar de ter dado expressão "à dinâmica e identidade do Boavista para corresponder às exigências".

"O passado é inevitável na mente dos jogadores, até porque estamos sempre remetidos para momentos de sucesso, mas a verdade é que quer o recente empate frente ao FC Porto, como o triunfo no arranque frente ao Benfica vale pouco neste momento para lá de uma pitada de motivação. Fez parte do percurso, como, da mesma forma, nem tudo estava mal quando a equipa esteve sem vencer, nem tudo está bem agora. Temos de tentar acrescentar todos os dias para que os desempenhos sejam cada vez mais regulares e sem nunca nos agarrarmos aos últimos resultados. Mentiria se dissesse que não é importante trabalhar sobre triunfos, porque é, mas já passou", comentou o responsável axadrezado, sem esconder a perspectiva de "um jogo extremamente competitivo e difícil na Luz": "Vamos defrontar um adversário muito motivado por força dos sete triunfos consecutivos, que é um forte candidato ao título e tem valias que podem desequilibrar a qualquer momento, pelo que temos vindo a trabalhar com os pés assentes na terra. Estamos identificados com as dificuldades, mas também acreditamos que somos capazes de corresponder às exigências".

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Avaliação pragmática também em função da réplica que o Rio Ave patenteou na Luz na última jornada e que serviu de argumento para Ricardo Paiva revelar o apelo ao compromisso que vincou ao grupo durante a preparação.

"No futebol as coisas são curiosas porque criar dificuldades não significa que consigamos vencer e foi isso que aconteceu com o Rio Ave. Criaram problemas e temos isso como referência, mas a verdade é que no final não valeu de nada, de modo que o Boavista tem de ser igual a si próprio, respeitar a sua identidade e colocar em prática o trabalho desenvolvido", explicou o treinador, para logo de seguida explicar qual foi a sua abordagem no balneário para a visita à Luz: "O trabalho coletivo é a chave para se ter competência e neste contexto a organização defensiva não foge à regra. Temos de ser uma equipa unida e coesa. Temos de nos basear na nossa sustentabilidade para, mais do que as dinâmicas do adversário, impedir que as suas individualidades possam surgir neste jogo".

Já sobre o mercado de inverno e a possibilidade do Boavista perder unidades nucleares, como o caso do avançado Bozeník, Ricardo Paiva voltou a sublinhar que "esse é um departamento da inteira responsabilidade da administração". "As palavras em volta do mercado sobre entradas e saída são normais nesta altura, mas passam-nos completamente ao lado. Estamos totalmente focados no nosso trabalho. Conto com quem cá temos e o Bozeník é quem cá temos, de modo que a missão é potenciar quem cá temos, melhorar as competências e criar soluções para crescer e desenvolver o jogo com competência. Tudo o resto é remetido para a administração", concluiu Ricardo Paiva.

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Por Pedro Malacó
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