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Caro leitor, quantas vezes sonhou em acompanhar o seu clube durante uma época inteira, mas, por um motivo ou por outro, acabou por não o fazer? Pois bem, Francisco Plácido deixou as desculpas para trás e assistiu no estádio, fosse em casa ou fora, aos 40 jogos que o Boavista disputou em 2021/22.
"Tínhamos passado pela Covid-19, eu já não via um jogo do Boavista ao vivo há muito tempo e entretanto há um sorteio da Taça da Liga que dita um jogo fora contra o Marítimo. Nessa altura os estádios ainda estavam fechados, mas marquei na mesma a viagem para a Madeira e os estádios acabaram por abrir no dia anterior ao jogo. Uma das deslocações mais difíceis estava feita, sendo que decidi avançar em definitivo com o plano de fazer o pleno depois de ter gasto dinheiro em combustível, portagens e bilhete para ir sozinho ao Estádio da Luz", começou por recordar o adepto dos axadrezados ao nosso jornal.
Todo este processo obrigou Francisco a uma grande ‘ginástica’. "Comecei a gerir a minha vida em função disto e, nos últimos dois meses, já havia um nervosismo para que nada de mal acontecesse", sublinhou, enumerando alguns dos episódios desta maratona: "Tive de fazer uma operação e marquei-a de forma a não perder nenhum jogo. Nessa altura quis organizar a minha despedida de solteiro, mas estava difícil arranjar fins-de-semana. Disse aos meus amigos para escolherem uma deslocação do Boavista e fomos 15 ou 16 pessoas para Lisboa de carro, sendo que fui assistir ao jogo com o B SAD ainda com pontos na barriga [risos]."
Filho é sócio desde o berço
Se dúvidas existissem em relação ao fanatismo de Francisco Plácido pelo Boavista, o próprio tratou de as dissipar com um exemplo concreto.
"Fui pai na quarta-feira da semana passada e, uma hora depois do meu filho nascer, o meu primo estava no estádio a registá-lo como sócio. O cartão de cidadão dele só saiu na sexta-feira, portanto ele tornou-se sócio do Boavista dois dias antes de ser cidadão português. Esta passagem do testemunho é das partes mais importantes de se ser boavisteiro", referiu, destacando depois a compreensão da esposa em relação a esta sua paixão pelo clube: "Quando começámos a namorar ela tornou-se logo sócia do Boavista, acho que foi uma forma de mostrar empenho na relação [risos]. Vê vários jogos comigo e é uma gestão fácil de se fazer."
Novo título no imaginário
Francisco aponta a conquista do título em 2001 como o melhor momento que viveu enquanto adepto do Boavista, num cenário que, de forma natural, gostava de voltar a experienciar. "Ao dia de hoje é muito improvável o Boavista voltar a ser campeão, mas nos próximos 30 anos não acho assim tão improvável. O clube existe, tem uma estrutura grande e uma boa massa adepta. Se houver vontade, jeito e sorte acredito que possa acontecer. Pode não ser no meu tempo, talvez no do meu filho seja mais provável", referiu com um sorriso.