Administradora de insolvência do Boavista lamenta ausência de intervenção da CM Porto

Maria Clarisse Barros enviou mensagem de correio eletrónico à autarquia

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Conselho de Disciplina da AF Porto abre processo ao Boavista
Conselho de Disciplina da AF Porto abre processo ao Boavista • Foto: DR
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A administradora de insolvência do Boavista lamentou na quarta-feira a ausência de intervenção da Câmara Municipal do Porto sobre a situação do clube, que pode encerrar a atividade em breve.

"Ao longo destes meses, diversos intervenientes contribuíram com donativos, enquanto outros disponibilizaram o seu trabalho, esforço e dedicação para permitir a continuidade da atividade. Contudo, tanto quanto é do meu conhecimento, desde julho de 2025, a Câmara do Porto não terá sido um desses intervenientes", observou Maria Clarisse Barros, numa mensagem de correio eletrónico enviada à autarquia e à qual a agência Lusa teve hoje acesso.

Na terça-feira, a Câmara do Porto aprovou por unanimidade uma moção conjunta em que reafirma o compromisso com a salvaguarda da relevância social do Boavista, tendo o executivo liderado por Pedro Duarte, da coligação PSD/CDS-PP/IL, mostrado disponibilidade para colaborar na procura de soluções.

"A atividade do Boavista apresenta um défice mensal situado entre 50.000 e 55.000 euros. Apenas pode manter-se em funcionamento se existirem pessoas ou entidades dispostas a efetuar donativos que cubram esse prejuízo, evitando o agravamento da situação patrimonial do clube e dos seus credores", enquadrou a administradora judicial, ao dispor para reunir e dialogar com quem mostrar "interesse efetivo" na procura por "soluções concretas, financeiramente sustentáveis e legalmente admissíveis".

Na moção, a Câmara afirma que Maria Clarisse Barros "parece estar mais empenhada em conduzir ao encerramento" dos axadrezados em vez de "contribuir para uma eventual solução, que permita a sua preservação", e apelou à administradora que tenha em conta a "relevância social" do clube.

"Não compete à Câmara do Porto sindicar ou emitir juízos públicos sobre a atuação da administradora de insolvência, sobretudo fora dos meios processuais próprios e sem conhecimento integral das circunstâncias, das decisões judiciais e das deliberações dos credores que enquadram a sua atuação. Por esse motivo, manifesto a minha profunda indignação, descontentamento e repúdio relativamente ao teor das afirmações", referiu.

Há uma semana, Maria Clarisse Barros anunciou que o Boavista encerraria a atividade até ao fim de julho, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão que incidia em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades, e que já tinha estado perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025.

"Essas dificuldades poderiam ter sido conhecidas com maior profundidade caso a Câmara tivesse estabelecido contacto regular com a administradora, enquanto responsável nomeada pelo tribunal para acompanhar e assegurar as matérias relacionadas com o processo", notou, evocando ter realizado por sua iniciativa duas reuniões com a autarquia desde que os 'axadrezados' foram declarados insolventes.

A entrega das chaves do Estádio do Bessa e de espaços adjacentes, livres de pessoas e bens, está prevista até 31 de julho, mas o movimento 'Salvar o Boavista' angariou cerca de 50.000 euros nos últimos dias e continua a aceitar donativos para tentar evitar o encerramento do clube, fundado em 1903 e detentor de nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting.

"É com tristeza que constato que apenas após o encerramento da atividade do clube, e perante o crescimento de um movimento destinado a apoiar o Boavista, a Câmara do Porto tenha decidido anunciar publicamente a sua intenção de contribuir para uma solução, que não está sequer concretizada", reiterou Maria Clarisse Barros.

Perante a mobilização de associados, adeptos e encarregados de educação dos atletas na angariação da verba necessária à retoma da atividade 'axadrezada', a direção do clube apresentou um requerimento ao tribunal para obter a validação da administradora de insolvência e poder reabrir as instalações do Estádio do Bessa, mas ainda não teve resposta.

"Estou plenamente consciente da história do Boavista, da sua relevância social e da sua utilidade pública. Respeito e enalteço essa história e reconheço, sem qualquer reserva, a importância que o clube assume para a cidade e para o país", ressalvou Maria Clarisse Barros.

Os 'axadrezados' submeteram no tribunal um plano de recuperação, um dia antes do anúncio do fecho da atividade, e filiaram-se na Associação de Futebol (AF) do Porto para a época 2026/27, sem saberem em que escalões podem competir.

O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração.

O clube detém 10% do capital social da Boavista SAD, que viu a respetiva liquidação ratificada em maio e também está a trabalhar num novo plano de recuperação, após ficar sem equipa profissional e ser relegada por via administrativa para os escalões distritais, devido a problemas financeiros.

A Boavista SAD foi despromovida à segunda divisão da AF Porto em 2025/26, um ano depois da descida à II Liga, que encerrou uma passagem de 11 épocas seguidas pelo escalão principal, no qual se tornou um dos cinco campeões nacionais da história do futebol português em 2000/01.

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