Boavista focado na viabilização do plano de recuperação para resgatar atividade
Axadrezados vão encerrar a atividade até ao fim de julho
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O Boavista disse esta quinta-feira estar focado na viabilização do plano de recuperação do clube, que foi submetido no tribunal na terça-feira, um dia antes de a administradora de insolvência ter determinado o encerramento da atividade axadrezada.
"A direção está focada na viabilização do plano de recuperação. Se for votado favoravelmente, pode determinar o fim do processo de insolvência e o retorno da atividade do clube o mais breve possível", reagiu o presidente do Boavista, Rui Garrido Pereira, numa curta declaração à agência Lusa.
O Boavista vai encerrar a atividade até ao fim de julho, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube portuense da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão tomada pela administradora de insolvência e que incide em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades.
Em caso de incumprimento dos axadrezados, Maria Clarisse Barros podia ordenar o encerramento imediato da atividade do clube, com efeitos 15 dias depois da decisão, sem necessitar de nova convocação da assembleia de credores, desfecho que já esteve perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025, mas foi sempre evitado até quarta-feira.
Vendo os próximos passos dependentes do Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, Rui Garrido Pereira vai tentar assegurar o regresso à competição dos atletas, sobretudo dos escalões jovens, mas rejeita abordar uma eventual refundação do Boavista, criado em 1903 e com nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting.
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Encerradas as atividades do Boavista no Estádio do Bessa e em espaços adjacentes, no qual se incluem todas as modalidades, as chaves das instalações, livres de pessoas e bens, têm de ser entregues até 31 de julho.
O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração.
Essa decisão foi tomada quando o clube já tinha abdicado de competir no quarto e último escalão da Associação de Futebol (AF) do Porto, sem qualquer jogo realizado em 2025/26, época na qual a SAD axadrezada deveria disputar a 2.ª Liga, mas deixou de ter equipa profissional e foi relegada por via administrativa para a principal divisão distrital, devido a problemas financeiros.
Despromovida ao segundo escalão da AF Porto a seis jornadas do fim e com quatro impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA, a sociedade alinhou como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, que está inutilizado há mais de um ano, e viu a liquidação aprovada em maio, estando a trabalhar num novo plano de recuperação.
No âmbito da insolvência do Boavista, vários imóveis foram leiloados nos últimos meses, incluindo o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente, cujas ofertas superaram a verba mínima de licitação em junho.
O tribunal rejeitou o pedido de impugnação da venda do património imobiliário do clube apresentado pela direção 'axadrezada', que teve poderes de gestão retirados pela administradora de insolvência em fevereiro, apesar de até ter chegado a acordo com a empresa espanhola Sacyr, principal credora no processo, para a aquisição do respetivo crédito.
A Boavista SAD, que tem 10% do capital social na posse do clube, desceu à II Liga em maio de 2025, depois de cumprir 11 épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, devido ao título conquistado em 2000/01.