Direção do Boavista rejeita tentativa de deslegitimação do seu mandato

Axadrezados lançam comunicado

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Direção do Boavista rejeita tentativa de deslegitimação do seu mandato • Foto: DR

A direção do Boavista rejeitou esta 4.ª feira qualquer tentativa de deslegitimação do seu mandato, um mês depois de ver a administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros, prescindir da sua coadjuvação na gestão da atividade do clube.

De acordo com um requerimento enviado ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, ao qual a agência Lusa teve acesso, a direção presidida por Rui Garrido Pereira afirma manter-se em funções e a atuar para garantir a continuidade do clube, apesar das dificuldades, "agravadas por sucessivas entropias processuais".

Depois de enquadrar o cenário de "elevada pressão financeira e jurídica" herdado em janeiro de 2025, quando a atual gestão tomou posse e os portuenses enfrentavam três pedidos de insolvência pendentes, a estrutura lembrou os contactos feitos com mais de 30 potenciais investidores, as negociações junto dos principais credores e a preparação de soluções de recuperação, cenário que lamenta não ter progredido por fatores externos.

A direção voltou a acusar a SAD do Boavista de "incumprimento reiterado, prolongado e estruturado" do protocolo com o clube - detentor de 10% do capital social da sociedade -, que causou dívidas acima dos nove milhões de euros (ME), além de "falta de transparência e cooperação institucional".

Sem capacidade de intervenção nas decisões da SAD, a direção do clube diz ter deixado de dispor de "fontes próprias de financiamento" e assegura que não recebeu a contraprestação das obrigações protocoladas com a sociedade liderada pelo senegalês Fary Faye.

Os'axadrezados foram despromovidos à II Liga em maio, após 11 épocas seguidas na elite, mas a SAD ficou sem equipa profissional no verão e foi relegada por via administrativa para o escalão principal da associação do Porto, no qual é 18.ª e última classificada e está próxima da descida a sete jornadas do fim.

"O clube foi vítima do colapso económico da sociedade desportiva que explorava o futebol profissional, tendo suportado durante anos as consequências do incumprimento dessa entidade. Apesar das dificuldades, a direção nunca cessou os esforços de encontrar uma solução de viabilização", indicou, dando conta de uma proposta de redução transitória do protocolo, de 145.000 para 35.000 euros mensais, rejeitada pela SAD.

No requerimento é questionado ainda os moldes do processo de insolvência do clube, cuja liquidação foi aprovada em setembro de 2025, por estar a gerar prejuízos na massa insolvente, com dívidas acima de 150 ME.

"Na assembleia de credores, e ao arrepio da vontade da direção, foi vetada pelos credores a possibilidade de ser apresentado e votado um plano de recuperação. Tal decisão teve consequências imediatas na gestão, passando-a, por imperativo legal, para a administradora da insolvência, com coadjuvação da direção", notou, sem que tenha avançado o plano de abatimento de 71% do valor global da dívida, através da aquisição por investidores parceiros do Boavista do crédito dos três maiores credores.

O clube tinha lançado no verão uma equipa sénior independente da SAD, afetada pela ausência de pressupostos financeiros aquando do licenciamento para as competições nacionais e cujo direito de apresentar um plano de recuperação foi aprovado por maioria pelos credores, que votaram por unanimidade a continuidade da atividade da sociedade.

Inscrito quarta e última divisão distrital, o Boavista abdicou de competir em outubro, sem qualquer partida realizada em 2025/26, por estar solidário com as dívidas da SAD, que soma sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA e tem alinhado com antigos e atuais atletas da equipa de sub-19, integrada na II Divisão nacional do escalão.

"Tornou-se extremamente complicado obter novas receitas, essenciais para manter a atividade. Por outro lado, os contratos que o clube podia celebrar passaram a estar limitados a um prazo máximo de um mês, o que inviabilizava compromissos de médio ou longo prazo. Simultaneamente, instalou-se publicamente a perceção de que o clube estaria destinado ao encerramento, o que levou vários parceiros a afastarem-se", reconheceu.

Há três meses, a administradora de insolvência solicitou ao tribunal o encerramento da atividade do clube, que havia chegado a acordo com os credores para manter a sua atividade, sob o compromisso de cobrir o défice corrente da sua exploração.

O Boavista falhou em fevereiro o depósito na conta dos credores de 54.180 euros, sobre despesas correntes mensais, mais 96.000 euros, numa das prestações aos credores, tendo a primeira quantia sido assegurada com intervenção do acionista maioritário da SAD, o hispano-luxemburguês Gérard Lopez, que "impunha como condição a cessação da coadjuvação da direção".

Já depois de um credor ter solicitado o afastamento da estrutura de Rui Garrido Pereira, Maria Clarisse Barros passou a assegurar a gestão das 'panteras', a par de outra pessoa, com o acordo da comissão de credores.

"É irónico que aquele que provocou a impossibilidade de recuperação do clube venha agora partilhar informação e imiscuir-se na gestão dos ativos, com propósitos desconhecidos, mas certamente enviesados dos interesses dos associados e da sobrevivência da instituição centenária", concluiu, condenando a exclusão da direção do Boavista de reuniões relevantes.

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