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Antigo jogador e treinador dos azadrezados diz que não sabe o que "aconteceu"
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O antigo jogador e treinador do Boavista João Alves manifestou hoje "tristeza e estupefação" por o clube 'axadrezado', no seu entender dotado de condições para "ser grande", falhar a inscrição nas competições profissionais de futebol para 2025/26.
Antigo médio das equipas que conquistaram a Taça de Portugal em 1974/75 e em 1975/76, época em que os boavisteiros foram vice-campeões nacionais pela primeira vez, João Alves também foi técnico do emblema portuense nas décadas de 80 e de 90 do século XX e admite o pesar por ver que o "clube se foi afundando aos poucos" após uma "época áurea" que culminou no campeonato nacional de 2000/01.
"É com muita tristeza que vejo esta situação. É com estupefação. O Boavista tem todas as condições para ser um clube grande. Não percebo realmente o que aconteceu depois de uma época áurea do clube, onde conquistou títulos, onde era das equipas mais difíceis de bater", realçou, em declarações à Lusa.
Despromovido à II Liga no final da época 2024/25, após 11 temporadas seguidas no primeiro escalão, o Boavista precisava de apresentar certidões de não dívida à Autoridade Tributária e à Segurança Social até ao final de quarta-feira para se inscrever nas competições tuteladas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), mas não o conseguiu.
A SAD liderada por Fary Faye não teve atempadamente acesso aos fundos de Gérard Lopez, acionista maioritário da SAD, que tentou transferir 2,5 milhões de euros (ME) na segunda-feira para regularizar a situação financeira, situação que implica a queda administrativa para a Liga 3, organizada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Na visão do antigo internacional português, que se distinguiu ainda no Benfica, no Salamanca e no Paris Saint-Germain, o declínio 'axadrezado' está relacionado com "o funcionamento do futebol moderno", em que vários clubes "deixaram de ser dos adeptos e dos sócios".
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"Não é só o caso do Boavista. Muitos clubes são aproveitados para fazer 'negócios'. Isto deve servir de reflexão sobre o que deve ser o futebol profissional", aponta.
O Boavista de hoje contrasta com o emblema que representou na década de 70 do século XX, "financeiramente são", amparado por uma equipa de dirigentes com "dinâmica e envergadura", sob a presidência de Valentim Loureiro, e impulsionado pelo seu "mestre no futebol", José Maria Pedroto, treinador no Bessa entre 1974 e 1976.
Grato ao clube pelo qual se tornou internacional luso, em 13 de novembro de 1974, numa derrota com a Suíça (3-0), e de onde se transferiu para o Salamanca, o médio então conhecido como 'luvas pretas' recorda "momentos de grande empolgamento" vividos no antigo Estádio do Bessa, "uma fortaleza".
"José Maria Pedroto forma uma equipa que começa a ter resultados e a fazer exibições que enchiam o Estádio do Bessa, um estádio à 'inglesa', com jogos ao sábado. Em 1975/76, o Boavista tornou-se a melhor equipa de Portugal. Nesse ano, ficámos a dois pontos do Benfica. A melhor equipa é a que ganha, mas a nossa era a que dava mais espetáculo", considera.
Sem esquecer "a massa associativa muito especial e ferrenha" e o trabalho de outros treinadores para afirmar "o 'Boavistão'", nomeadamente Manuel José e Jaime Pacheco, campeão nacional em 2000/01, João Alves considera difícil o emblema de 'xadrez' reerguer-se, mas não impossível.
"O Boavista sempre foi um clube com muita garra. Sempre se 'agarrou' muito à capacidade de se ultrapassar. Não sei em que divisão vai ficar, mas vai ser complicado para quem pegar no clube. Não há missões impossíveis. É preciso que as pessoas que estejam à frente do clube queiram, em primeiro lugar, recuperá-lo", assinala.
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