Agressões em jogo da AF Viana do Castelo levam GNR a identificar jogadores: clubes trocam acusações

Encontro entre o Monção e GD Vitorino de Piães terminou em batalha campal

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O jogo entre o Desportivo de Monção e o Grupo Desportivo Vitorino de Piães, referente à 2.ª jornada da 1.ª divisão da AF Viana do Castelo, terminou com quatro expulsões e uma verdadeira batalha campal.

Assim que soou o apito final, poucos segundos depois do golo do empate da equipa da casa (1-1), os ânimos ferveram entre jogadores e registaram-se várias agressões, o que obrigou à entrada em cena das equipas técnicas e de vários elementos do staff dos dois clubes, bem como dos elementos da GNR que se encontravam destacados para efetuar o policiamento do encontro.

A confusão ficou registada num vídeo capturado pela Viana TV e nas imagens é possível assistir aos vários momentos em que os membros das duas equipas chegam a vias de facto. No entanto, os relatos relativos à origem dos acontecimentos são díspares e os dois clubes, pese embora lamentem o sucedido, apontam dedos mutuamente.

"Lamentamos o que se passou. Não vamos dizer que os nossos jogadores não tiveram responsabilidades. Vamos tomar as devidas medidas e chamar à atenção quem não se portou como deve ser. Mas o que aconteceu foi que houve uma quebra de ritmo durante o jogo da parte do Vitorino de Piães, algo que já é normal neste clube. O árbitro deu oito minutos de desconto quando devia dar 15, porque foi por demais a perda de tempo. Mas a acabar conseguimos o golo do empate e aí se calhar veio a revolta dos jogadores deles, frustrados. O Piães é um histórico em termos destes teatros e tem histórico em termos de violência, já mesmo com a massa associativa. Também é verdade que o guarda-redes provocou a massa associativa, houve perdas de tempo, situações que chateiam o público. Aquilo foi a frustração deles quando já estavam a pensar que iam ganhar o jogo", contou Avelino Afonso, membro da Comissão Administrativa do Monção.

Uma outra visão dos factos tem Nuno Pereira, presidente do Grupo Desportivo Vitorino de Piães. "Quem começou a confusão foi um jogador do Monção, o Guilherme Vinicius, que agrediu um jogador nosso. Os nossos jogadores foram solidários. Foi o primeiro a ver o cartão vermelho por dar uma cabeçada a um jogador nosso. Agora, o vídeo só mostra uma parte, mas há mais duas partes para trás. O árbitro já tinha mostrado três vermelhos e o vídeo só mostra um. Quem começou tudo isto foi o Monção. Já tinham dois jogadores expulsos. Ninguém condena um diretor andar lá para dar porrada enquanto os nossos estavam a acalmar desde princípio", retorquiu Nuno Pereira, presidente do Grupo Desportivo Vitorino de Piães. 

Afastamento definitivo em equação

Além de ser acusado de ter sido o primeiro a agredir um adversário, Guilherme Vinicius esteve também sob os holofotes por ter sido alvo de um murro de Cléusio, avançado do Vitorino de Piães. O comportamento do jogador motivou reprovação de ambas as partes. "Tem de haver medidas para o ato daquele jogador. A GNR esteve lá, tomou conta dos acontecimentos e o jogador está identificado", apontou Avelino Afonso, dirigente do Monção. "O Guilherme teve de ir ao centro de saúde. Vai apresentar queixa", revelou ainda.

Nuno Pereira também condenou a atitude do avançado e revelou que este poderá não voltar a vestir a camisola do Vitorino de Piães. "Vamos punir o jogador internamente. Vamos tomar as decisões internamente e à partida vamos punir o jogador. Não é isto que queremos no futebol. Vamos esperar pelos castigos também para ver. Vamos ponderar se vai continuar a jogar. Vamos ver o que vai acontecer. Não toleramos essas situações nos nossos jogadores. Aliás, se forem ver, os nossos jogadores são os melhores comportados dentro do campo. O nosso campo é o mais seguro para se jogar e temos sempre cuidado na parte da segurança sem incidentes", referiu.

Presidente do Monção acusado de racismo

Não obstante a reprovação do ato perpetrado por Cléusio, Nuno Pereira voltou a deixar duras críticas ao Monção, sobretudo ao seu presidente, o qual acusou de racismo. "O presidente do Monção disse-me a mim que o 'preto' não saía de lá vivo.  O preto tem nome, chama-se Cléusio. Isto vindo de um presidente...", lamentou o dirigente do Vitorino de Piães, adiantando a possibilidade de avançar com uma queixa. "Estamos a ponderar, já falámos com um advogado e estamos à espera das decisões da AF Viana do Castelo para ver o que vamos fazer internamente", atirou. Por outro lado, Nuno Pereira visou também a atuação da GNR. "Os adeptos do Monção estiveram o jogo todo a arremessar cerveja e garrafas de água para dentro do campo. Nunca se dignaram a agir contra os adeptos deles", criticou.

Jogadores foram identificados

Os intervenientes nos desacatos foram identificados no local e os incidentes foram reportados no relatório elaborado pelas autoridades, tal revelou fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo a Record

Um documento que, aliado ao que for comunicado pelo árbitro do encontro, será determinante para a tomada de decisões de cariz disciplinar. O caso será agora analisado pela AF Viana do Castelo, entidade que já fez saber que, assim que tenha todos os documentos, irá dar a devida atenção aos acontecimentos e tomar as medidas "necessárias para punir os responsáveis".

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