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Beira-Mar: Cristiano regressa por amor à camisola

brasileiro até já tinha terminado a carreira

Cristiano é o reforço mais sonante do Beira-Mar para atacar a subida à 1.ª Divisão da AF Aveiro. Mas desengane-se quem pensa que a razão para esta afirmação é a semelhança entre o nome do brasileiro e o do melhor jogador do Mundo. Cristiano, de 38 anos, é a principal figura dos aveirenses pelo seu histórico como jogador, mas, sobretudo, pelo que representa para os aurinegros: dedicação, orgulho e vontade de ajudar na fase mais difícil do clube.

O defesa tinha terminado a carreira há um ano, depois de seis épocas a jogar no Vietname. Durante essa paragem, o contacto com o futebol manteve-se em funções administrativas, mas o apelo do amor foi mais forte. "A saudade da família apertou e já tinha decidido voltar para Portugal", assume, acrescentando: "O amor é que nos move. Fez-me voltar para junto da minha família e aceitar o desafio do Beira-Mar."

No futebol atual talvez seja difícil falar em amor à camisola. Porém, Cristiano é de outro tempo. Apesar de ter jogado no Benfica, de ter uma Taça Libertadores no currículo (fazia parte do plantel do Grémio em 1995), de ter disputado a Liga dos Campeões e a Taça UEFA, é o Beira-Mar que mexe mais com o seu coração.

Ao longo da conversa com Record nas imediações do Mário Duarte, Cristiano emociona-se ao recordar alguns episódios vividos com a camisola do Beira-Mar. "Lembro-me de um jogo com a Académica, às 11 horas, na 2.ª Liga, com o estádio cheio", conta de voz embargada, sublinhando que é o velhinho recinto que "guarda o espírito do Beira-Mar".

"Se calhar vão chamar-me velhote"

A direção do clube conta com a experiência de Cristiano nesta fase em que procura o renascimento. Além de passar a mística aos jogadores mais novos, o brasileiro quer ser útil no relvado. "Se sentisse que não tinha condições físicas não dava o corpo ao manifesto", afirma, mostrando-se preparado para ouvir bocas. "Se calhar algumas pessoas vão chamar-me velhote, não vai ser fácil [risos]... O importante é sentir que posso ajudar o Beira-Mar a dar passos firmes e seguros para fazer parte do caminho de regresso à 1.ª Liga", refere, confiante para o futuro.

"António Sousa foi especial"

Ao longo da carreira, Cristiano teve vários treinadores que o marcaram. Na hora de apontar aquele que lhe deixa melhores recordações, o jogador admite que há um que está acima de todos os outros. "O António Sousa foi muito especial para mim", admite, explicando: "Quando cheguei ao Beira-Mar ele foi paciente comigo. Percebeu o meu potencial e ajudou-me imenso, até na marcação de livres, em que ele também era especialista."

Além de Sousa, Cristiano realça o papel de Scolari – "foi importante na minha formação pela exigência que tinha" -, Camacho, que o ajudou "na atitude no jogo e na vida", e Jesualdo Ferreira. "Acreditava muito em mim e até quis levar-me para o Sp. Braga", recorda. *

Ensinou finta a Ronaldinho

Formado no Grémio de Porto Alegre, Cristiano partilhou o balneário com vários craques, entre os quais Ronaldinho Gaúcho. "No meu último ano de júnior fomos da mesma equipa e ele já chamava a atenção de todos pela sua qualidade", refere o defesa, que recorda um episódio curioso.

"Já na formação fazia uma finta em que iludia o adversário, fazendo a bola passar por detrás da perna contrária. O Ronaldinho via-me e começou a fazer esse gesto técnico", afirma, vincando: "As pessoas podem pensar que é mentira, mas foi mesmo assim que aconteceu! Numa final do campeonato gaúcho ele fez essa finta sobre o Dunga e depois perguntou-me se tinha visto." *

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