Jogador do Carregal do Sal afastado do plantel trabalha como servente de pedreiro

Matheus Gomes chegou a Portugal em agosto e diz que tem vivido "em condições desumanas"

Tem 22 anos e, como todo o brasileiro que atravessa o atlântico com o sonho de singrar no futebol europeu, Matheus Gomes viu no Carregal do Sal, no verão passado, uma boa oportunidade para se aventurar em Portugal, na Divisão de Honra da AF Viseu.

"Eu sou atleta profissional no Brasil desde os 16 anos. Estava a jogar no Guarujá, da segunda divisão do estado de São Paulo. O presidente do Carregal do Sal, Paulo Catalino, tem um primo brasileiro que contactou comigo para eu vir para Portugal. Eu rescindi com o Guarujá, sendo que ainda tinha três meses de contrato e o Carregal do Sal mandou carta-convite para o Brasil, onde dizia que assumia o compromisso comigo para um contrato profissional onde eu receberia 300 euros livres mais alimentação e habitação, mas acabaram por me vincular num contrato amador", conta, primeiramente, o jogador, em exclusivo a Record.

Nos primeiros dias na vila do distrito viseense, as coisas pareciam levar um bom rumo. Matheus era aposta inicial do treinador. Todavia, os problemas estavam fora das quatro linhas. "O treinador, Rui Lage, começou a gostar de mim e eu fui jogando a titular, mas no primeiro e no segundo mês eu não recebi nada. O terceiro mês atrasou e eu acabei por receber apenas 100 em vez de 300 euros e a justificação da direção era a de que, como tinham pagado a minha alimentação nos dois meses anteriores, que me tinham descontado 200 dos 300 euros que tinham assumido pagar-me. É nessa altura, em outubro, que me dizem que eu vou ter de ir trabalhar, usando o argumento do ‘todos os que passam por aqui é assim’ e indicaram-me um emprego nas obras como servente de pedreiro", acrescenta o avançado, natural de São Paulo.

Em outubro, Matheus começou a trabalhar nas obras, mas os pedidos do clube não ficaram por aí. Por outro lado, o seu rendimento desportivo saía necessariamente prejudicado…"Comecei a trabalhar e nesse mês ainda me disseram que eu ia ter de alugar uma casa e pagar renda. Eu até aí vivia nas instalações do clube. Neste momento divido a casa com outros brasileiros. Em novembro e dezembro deram-me 200 euros e em janeiro já não me pagaram. Eu, como trabalho nas obras, saio de casa muito cedo e chego a casa ao fim da tarde e ainda tenho de ir treinar. Chegou um dia em que disse num treino que já não aguentava mais o cansaço. Tenho vivido em condições desumanas. O clube mentiu-me a mim e ao SEF a quem também enviou a carta-convite quando eu ainda estava no Brasil", desabafa, com a voz alterada por uma certa revolta.

O mais recente capítulo desta história decorreu, conta Matheus, na sequência do atleta ter admitido não conseguir suportar a fadiga resultante do trabalho duro durante o dia. "Um dia depois a eu ter dito que não aguentava mais no treino, a direção chamou-me e disse que não contavam mais comigo. Então acertamos que no dia seguinte eu me encontraria outra vez com eles para eu receber a carta de rescisão. No dia seguinte, eles já tinham mudado o discurso. Disseram-me que, se era para eu voltar para o Brasil, que não precisava de carta e, se fosse para jogar noutro clube em Portugal, que eu tinha de pagar a minha transferência", atesta.

Não obstante, Matheus não esquece quem esteve do seu lado, sobretudo quem lhe deu a oportunidade, através do emprego nas obras, de garantir alguma subsistência. "Sou muito grato ao senhor que é o meu patrão nas obras e que me tem ajudado no que eu preciso. Tem sido a forma de eu subsistir de alguma forma e foi também a forma de eu me legalizar em Portugal", explica.

Ação judicial em ponderação e SJPF contactado

Perante este imbróglio difícil de desatar, Matheus Gomes está afastado do plantel há três semanas e sem acordo para a rescisão de contrato. Por isso, o brasileiro pondera avançar com uma acção judicial e diz ter contactado, inclusive, Joaquim Evangelista. "Já coloquei a par desta situação um advogado e já falei com o presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, Joaquim Evangelista. Estou há três semanas sem jogar e todos os dias eu mando mensagem e tento contactar os responsáveis do clube para saber como vai ser resolvida a minha situação. Eles todos quiseram que eu ficasse nesta situação até ao fecho do período de transferências. Todas estas ações do presidente e da sua direção foram todas feitas apenas e só por má fé", finalizou.

Por Ruben Tavares
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