Padernense faz história e vai à final da Taça do Algarve

"É uma terra de gente humilde, que honra os seus compromissos, e estamos a dignificar este emblema, escrevendo mais uma página bonita na sua história", assinala Leandro Palma,

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• Foto: Padernense
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O Padernense é a grande sensação do futebol distrital algarvio, ao garantir a presença na final da Taça do Algarve, depois de bater o Quarteirense (2-2 no final dos 90 minutos e 4-3 no desempate por pontapés da marca de penálti). Pela primeira vez uma equipa do segundo escalão do futebol regional vai estar na decisão da prova, que conhece esta temporada a sua 22.ª edição.

"O clube já viveu páginas de glória, com participações nos campeonatos nacionais, e sabe sempre bem recuperar um pouco dessa identidade, dando alegrias às gentes desta terra e aos dirigentes, que se esforçam por, na medida das suas possibilidades, criar todas as condições para que a equipa tenha o melhor desempenho", sustenta o treinador Leandro Palma, um antigo guarda-redes que vive a sua segunda temporada no banco, depois de uma experiência no Messinense.

Paderne é uma aldeia do interior do concelho de Albufeira e ali nasceu João Campos, uma antiga glória do atletismo do Benfica, que deu o nome ao campo de futebol da terra. Nos seus tempos áureos, entre 1992/93 e 2003/04, o Padernense somou uma presença no antigo campeonato nacional da 2.ª Divisão B e dez participações na antiga 3.ª Divisão nacional, quase sempre sob o comando do antigo avançado benfiquista Paulo Campos.

"É uma terra de gente humilde, que honra os seus compromissos, e estamos a dignificar este emblema, escrevendo mais uma página bonita na sua história", assinala Leandro Palma, que formou um plantel "assente num misto de juventude e experiência e, sobretudo, numa grande união e no prazer de todos pelo futebol, pois o grupo é totalmente amador". Bonifácio e Pias, provenientes do Ferreiras e com experiência em campeonatos nacionais, apresentam-se como as figuras mais conhecidas do plantel.

"O clube paga apenas prémios de jogo e um subsídio de deslocação e a minha preocupação passa por não termos aqui ninguém que tenha de gastar do seu bolso para jogar", frisa o treinador, adiantando que "os recursos do clube são escassos mas tudo aquilo a que a direção se comprometeu tem sido cumprido atempadamente". 

Na Taça do Algarve o Padernense defrontou na primeira eliminatória uma equipa do seu campeonato, o Messinense (3-1), e a partir daí encontrou pela frente três conjuntos da 1.ª Divisão da AF Algarve, levando sempre a melhor - Guia (3-0), Culatrense (0-0 e 4-3 no desempate por pontapés da marca de penálti) e agora Quarteirense.

"Não fizemos contas nem estabelecemos metas nesta prova e as coisas foram acontecendo naturalmente, graças à atitude, à garra e à qualidade dos jogadores, como se viu contra o Quarteirense, em que estivemos a perder por 0-2 e conseguimos empatar", diz Leandro Palma, que encara a final, contra Louletano ou Silves (defrontam-se no dia 5 de abril) "como uma oportunidade para mostrarmos o nosso valor, recusando o papel de coitadinhos ou de figurantes".

Se na Taça do Algarve as expetativas já foram amplamente superadas, no campeonato da 2.ª Divisão "as coisas também têm corrido bem" e a equipa terminou a primeira fase na liderança da Zona Sotavento. "Não há  nenhuma  exigência mas sempre que entramos em campo queremos ganhar, mesmo diante de adversários com melhores condições e que pagam aos seus jogadores", adianta Leandro Palma.

A subida à 1.ª Divisão da AF Algarve irá decidir-se num torneio que reúne os três primeiros da Zona Barlavento (Armacenenses, Portimonense e Carvoeiro United) e os três primeiros da Zona Sotavento (Padernense, Campinense e Faro e Benfica). "Armacenenses e Portimonense, com orçamentos muito superiores e grandes ambições, têm outras obrigações", refere Leandro Palma, empurrando as maiores responsabilidades para estes dois conjuntos. Já o Padernense "é totalmente amador e procurará, jogo a jogo, dar o seu melhor, como tem feito até aqui, com vontade e ambição e isso, mesmo sem dinheiro, ninguém nos pode tirar, porque a união, a amizade e o gosto pelo futebol nos levam a ter essa atitude".

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