Retrato de Portugal

Jogadores portugueses naturais de distritos do litoral do país dominam ligas profissionais

• Foto: Rui Minderico

Um olhar mais a fundo sobre as ligas profissionais acaba refletido no... próprio país. Os números do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol revelam um predomínio de jogadores portugueses naturais de distritos do litoral do país. Tal como no território português, o Interior encontra-se devotado ao abandono neste campo.

Ao todo, há 476 futebolistas nascidos em território nacional [ver mapa], distribuídos por 1ª e 2ª Ligas. Mais de um quarto, mais propriamente 129, são originários do distrito do Porto, o mais representativo do país. Segue-se Braga (89), Lisboa (84), Aveiro (49) e Setúbal (22), com todos os restantes distritos a não atingirem os 20 jogadores profissionais. Olhando para a parte de baixo da tabela, há dois distritos dos 20 (onde se incluem Madeira e Açores) que apenas veem um ‘filho da terra’ a singrar como jogador profissional de futebol e, neste caso, ambos na 2ª Liga e na mesma equipa, a Académica. Falamos de Portalegre, com David Teles como representante, e também da Guarda, que tem Luisinho como baluarte no desporto-rei. Fugindo às capitais de distrito e olhando a localidades, a surpresa vai para Vila do Conde, com a presença de 10 futebolistas nacionais - os mesmos nascidos em Vila Nova de Gaia - só na 1ª Liga, algo relevante para uma cidade com 80 mil habitantes. Se na 1ª Liga é o V. Setúbal que ‘manda’ com mais portugueses (19) [ver quadro], superando os 18 do P. Ferreira, na 2ª é o Sp. Braga B que lidera em termos absolutos com a presença de 24 futebolistas lusos, mais um do que a Académica.

Orgulho dentro da realidade socioeconómica

A Associação de Futebol da Guarda é, a par da de Portalegre, a que não ‘empresta’ qualquer jogador à Primeira Liga e apenas um (Luisinho na Académica) à Segunda. Ainda assim, o presidente do organismo, Amadeu Poço, reiterou o "orgulho no trabalho de formação que os clubes têm feito dentro de uma realidade socioeconómica díspar em relação a outras regiões do país", recordando nomes de relevo no futebol nacional como José Bosingwa, que chegou a internacional português pela seleção principal e cresceu no distrito da Guarda, ou Daniel Candeias, antigo internacional sub-21 que atua pelos escoceses do Rangers. "Temos na 1ª Divisão a melhor jogadora portuguesa, Ana Borges, e a capitã da Seleção Nacional, Sílvia Rebelo", acrescentou. Amadeu Poço lembrou ainda que "há vários atletas que se iniciaram na área da Associação de Futebol da Guarda e estão presentemente na formação dos principais clubes portugueses", vincando que há quatro da Guarda que foram sinalizados no último Torneio Lopes da Silva.

Vítor Hugo Valente: «Matriz não pode ser outra»

O presidente do V. Setúbal, Vítor Hugo Valente, comentou a Record os números que dão o clube sadino como aquele que mais portugueses tem no plantel, por comparação com outros clubes da 1ª Liga, reiterando que "historicamente o clube sempre foi o maior representante desportivo do distrito de Setúbal e, até, de toda a região Sul".

Para o dirigente sadino, "esse facto traduziu-se desde sempre numa forte representação da região no plantel profissional de futebol, que tradicionalmente tem um número considerável de jogadores naturais do distrito e, por consequência, um grande número de jogadores portugueses", sublinhando que "a matriz do clube não pode ser outra" que não a aposta no produto nacional.

O V. Setúbal tem 19 portugueses no plantel [ver quadro], é uma entidade formadora certificada pela Federação Portuguesa de Futebol e um clube habitualmente representado nas seleções jovens portuguesas, mas Hugo Valente acredita que se pode ir mais além.

"Pretendemos potenciar o trabalho que é feito na formação, de modo a que o Vitória volte a ser, claramente, a maior potência da região no que diz respeito ao futebol jovem", reforçou, não esquecendo que no clube fundado em 1910 "sempre se acreditou na qualidade e potencial do jogador português".

A promessa de futuro, já feita aos sócios, acontece para "tudo fazer com que o Vitória volte a ter, de forma inequívoca, a sua identidade intrinsecamente ligada aos talentos de origem portuguesa". Vítor Hugo Valente, presidente sadino eleito a dezembro de 2017, acrescenta ainda que "desde o primeiro escalão até ao futebol profissional representem o clube transportando os valores e princípios que distinguem, positivamente, o jogador ‘à Vitória’ de todos os outros".

Por Flávio Miguel Silva
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