Beto recorda "estado depressivo" no final da carreira: «Entrei em declínio e precisei de ajuda»
À conversa com António Raminhos, no podcast 'Somos Todos Malucos', do 'Observador', ex-internacional português também lembra fase difícil no Sevilha
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Beto abriu o livro sobre o "estado depressivo" em que ficou no final da carreira. À conversa com o humorista António Raminhos no podcast 'Somos todos Malucos', no 'Observador', o antigo guarda-redes descreveu o processo do momento em que se viu obrigado a recorrer a ajuda psicológica, numa altura em que se sentia "sem propósito."
"Entrei num declínio e precisei de ajuda. Entrei num estado depressivo. Eu era triste, sem propósito. Levantava-me sem objetivos. Havia gente a dizer-me que eu tinha tudo: dinheiro, uma casa, família…. Parece que tenho tudo! Trocava isso tudo por um sorriso. Procurei ajuda quando percebi que não estava a ser boa companhia. Eu pensava: ‘Sou super bem-disposto, o que me está a acontecer? Sentia que não me conhecia'", descreveu numa longa conversa sobre saúde mental, admitindo que já deixou a terapia. "Comecei há dois anos e meio. Deixei. Não deveria, mas deixei. Quando me comecei a sentir bem e a encontrar objetivos", frisou o ex-guardião de equipas como Sevilha, FC Porto, Sporting e Sp. Braga.
O guarda-redes só anunciou o final de carreira em junho de 2023, embora a sua última experiência profissional tenha terminado em 2022, no HIFK Helsinki. Quando aceitou rumar à Finlândia, Beto já estava a atravessar um interregno que lhe custou, devido às expectativas que criou quando deixou o Farense, em 2021. "Estava a um altíssimo nível para a idade que tinha. Iludi-me com a chamada que ninguém fez e a mensagem que ninguém mandou. Apareceu a Austrália e ainda o Petro de Luanda. Decidi que não ia. Todos os dias sentava-me numa zona fora da minha casa a olhar para o nada. Até que um dia um amigo liga-me e pergunta se quero ir para a Finlândia. Falei com a minha mulher e ela disse "Eu faço a mala." Só tinha um bocadinho de motivação porque a tinha em casa. Fui o gajo mais feliz do mundo a treinar num sintético com 40 anos", salientou.
O desespero no Sevilha: "Parti umas quantas coisas em casa"
Visto como uma grande figura na história do Sevilha, onde participou na conquista de três edições da Liga Europa, Beto teve um final amargo no clube espanhol depois de alguns problemas com lesões: primeiro no ombro, depois num joelho. Essa foi uma das fases mais difíceis da carreira de Beto, que admitiu ter mostrado comportamentos errados com a equipa.
"Regresso de lesão. O Unai Emery coloca-me e eu rebento o joelho na 3ª jornada. No fim dessa temporada, acabei por sair. É difícil levantares-te e saber que os teus colegas vão treinar. Chorei muitas vezes sozinho. Não queria que ninguém me visse a chorar. A minha mulher perguntava-me qual era o problema de eu chorar. Chorava por impotência, de tristeza. Era um infeliz", começou por dizer, antes de falar do comportamento que teve.
"Até ao final dessa temporada, fui um espantalho. Tive maus comportamentos quando recuperei da lesão do joelho. Achava que tinha direito treinar e jogar. Não aceitei bem ser suplente. Tive comportamentos que não eram dignos de um bom colega. Eu achava que era culpa do mundo. O Emery falou comigo e disse 'É o Sergio Rico que está a jogar e não pode ter um suplente a ter um comportamento que pode prejudicar-lhe o rendimento. Vai prejudicar a equipa e a mim. Vais saltar de segundo para terceiro guarda-redes'. O Emery não me convocou umas quantas jornadas. Parti umas quantas coisas em casa. Só pensava ‘devo ter feito muita m…’ No final, agradeceram-me por tudo. Disseram que só faltava meter uma estátua, mas pediram que os nossos caminhos se separassem", salientou.