Cabrita, o operário do futebol

Destacou-se no Olhanense e conduziu Portugal no Euro'84...

Cabrita, o operário do futebol
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Fernando Cabrita era “um operário do futebol”. Quem assim o define é José Augusto, que com ele partilhou o comando da Seleção Nacional no Europeu de 1984, disputado em França, que marcou o regresso de Portugal aos grandes palcos do futebol internacional após o feito dos Magriços em Inglaterra’66.

Fernando Cabrita, que teve uma carreira de 50 anos ligada ao futebol (começou como jogador no Olhanense, em 1942, e terminou como treinador do Esperança de Lagos em 1992), faleceu esta segunda-feira, em Loures, no hospital Beatriz Ângelo, vítima de complicações respiratórias. Tinha 91 anos.

“Como jogador, era um avançado de evidência, fazendo parte de uma forte linha ofensiva do Olhanense nos anos 1950”, recorda ainda José Augusto. “O Cabrita foi sempre um jogador correto e quando passou a treinador era uma pessoa exigente, cumpridora. Foi meu treinador no Benfica e mais tarde acabamos por trabalhar juntos na Seleção Nacional,” acrescenta.

É do Europeu de 1984 que Toni também guarda as melhores recordações de Fernando Cabrita. O ex-treinador do Tractor, do Irão, lembra que “o senhor Cabrita acabou por ser indicado por nós, eu, o José Augusto e o Morais, como responsável da comissão técnica para tentar encontrar algum equilíbrio interno. É uma figura marcante do futebol português, porque teve um trajeto como futebolista que o levou à Seleção Nacional quando não jogava em nenhum dos grandes. Como treinador, ajudou-me a crescer, no Benfica, onde foi adjunto e depois treinador principal depois da saída de Jimmy Hagan. Era um homem bom, solidário, um profissional competente, com uma paixão muito grande pelo futebol”.

Carreira

Fernando Cabrita nasceu em Lagoa, no Algarve, a 1 de maio de 1923. Como profissional, jogou no Olhanense (de 1942 a 1971), Angers, de França (1951 a 1953) e no Sp. Covilha (de 1953 a 1959), tendo iniciado a carreira de treinador em 1954, no Unhais da Serra. Treinou muitas equipas mais ou menos conhecidas, com destaque para o Benfica, em dois períodos, tendo sido o primeiro treinador estrangeiro no Raja Casablanca, de Marrocos, e logo levando a equipa ao primeiro título nacional.

Tanto José Augusto como Toni recordam que 2014 tem sido um ano “devastador para o futebol português” e para nomes que marcaram as respetivas carreiras. “Na verdade, já nos deixaram o Peres Bandeira, o Fernando Cabrita, dois treinadores decisivos no meu crescimento como jogador, além de Eusébio e Coluna, claro,” lembra Toni, enquanto José Augusto refere que “é um conjunto de nomes que deixou obra feita” no futebol português.

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