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Francisco Carvalho perfumou o Chaves

Há jogadores do plantel a quem empresta os seus Bentleys e Porsches...

Francisco Carvalho perfumou o Chaves
Francisco Carvalho perfumou o Chaves • Foto: Filipe Farinha

O Desportivo de Chaves, um dos atuais líderes da 2.ª Liga, é um clube que dispensa apresentações. As 13 temporadas em que esteve na 1.ª Liga já são bastante expressivas da dimensão de um clube que é o único representante do nordeste no primeiro escalão do futebol português, assumindo-se como a bandeira futebolística da região. O clube passou pela última vez pela 1.ª na época de 1998/99, depois de quatro temporadas consecutivas neste escalão. De então para cá tentou algumas vezes voltar mas o objetivo saiu sempre furado, tendo mesmo o clube caído mais fundo até chegar aqui.

O "aqui" tem um nome: Francisco Carvalho. Não é ele o presidente do clube mas é ele o grande investidor. O seu filho, Bruno, assume a presidência do clube e outro filho, também ele Francisco, lidera a SAD mas em Chaves ninguém duvida de onde vem sempre a última palavra. Também conhecido por Xico das Cassetes, por ter iniciado a sua vida empresarial a vender com grande sucesso cassetes nas feiras, é um homem que não gosta de dar entrevistas.

O marido da cantora Ágata, que até fixou residência em Chaves, começou por aparecer na vida do Desportivo em 2006, quando fez um donativo de 90 mil euros ao clube. Era muito dinheiro. De então para cá, só ele saberá quanto mais investiu no Desportivo. Em Chaves correu a notícia de que Francisco Carvalho foi o vencedor de um chorudo prémio do Euromilhões: 66,7 milhões de euros, em março de 2011. Nunca o confirmou, mas pessoas do círculo íntimo de Francisco Carvalho garantem mesmo que sim.

Francisco Carvalho dirige o Desportivo de Chaves como um monarca. Delegou no filho Bruno, professor de carreira, a direção do clube e é este que acompanha a equipa. Francisco, outro dos seus filhos, lidera a SAD e foi um dos responsáveis pela formação do plantel desta época, embora resida em Lisboa. Liliane, outra filha, também trabalha com o pai mas não no Desportivo. Desde que assumiu a liderança, para um treinador o mais difícil parece ser lidar com as constantes mudanças de humor do "rei". Num dia pode reafirmar a sua confiança no treinador, no outro contesta qualquer decisão sua… mesmo as tomadas nos treinos, com a distribuição de coletes. Conta-se que já despediu um jogador que até era titular porque este o cumprimentou de forma que considerou displicente quando saiu do estádio. Francisco Carvalho costuma sentar-se numa cadeira, com o seu Bentley ou o Rolls-Royce estacionados à frente, e gosta de ser cumprimentado por todos os jogadores. É uma espécie de "beija-mão" que ao não ser devidamente respeitado costuma ter más consequências…

Francisco Carvalho faz-se ainda rodear por um círculo de amigos que ouve com atenção. É um grupo que se junta na sua residência de luxo ou em restaurantes, em jantares que se prolongam pela noite. Um treinador que não aceite entrar neste circuito põe-se sempre a jeito. Não sendo propriamente muito popular nas elites da cidade de Chaves, Francisco Carvalho é claramente uma das forças empresariais da região. Comprou o hotel do Forte de S. Francisco, gerido pela sua filha Liliane, e é aí que instala os treinadores, proporcionando-lhes uma vida de luxo. Os jogadores que vão para Chaves também não se podem queixar. No mínimo ganham 3.500 euros "limpos", pagos normalmente em "cash", mais alojamento e alimentação. A que acrescem prémios em quase todos os jogos e também por objetivos. Francisco Carvalho não se poupa nos estímulos mas é de tal forma imprevisível que pode aparecer a contestar uma despesa de 150 euros com o aluguer de um autocarro para um treino fora de Chaves…

Sem instrução básica, mesmo assim adquiriu uma coleção fabulosa de carros de luxo, de Porsches a Bentleys. Os seus jogadores preferidos são por vezes vistos a conduzir estas viaturas em Chaves, participando nas suas jantaradas e festas. Esta é outra das suas facetas: tem sempre uma preferência por um grupo de jogadores do plantel...

Norton de Matos avalia

Norton de Matos foi a última "vítima" da instabilidade de Francisco Carvalho. Saiu do Chaves com a equipa a 3 pontos da liderança. "Se não existisse o Francisco Carvalho, o Desportivo de Chaves não teria condições financeiras para estar a disputar a subida de divisão", refere o treinador que foi substituído por Carlos Pinto (que fora entretanto dispensado do Tondela). É uma ideia que a cidade de Chaves partilha. Francisco Carvalho "apanhou" o clube quando este estava à beira da insolvência, sendo gerido por uma comissão administrativa.

"Ele tem o sonho de levar o Desportivo à 1.ª Liga e não vai descansar enquanto isso não acontecer. Trouxe-o da 2.ª B à 2.ª Liga e está disposto a investir para chegar onde quer. O Chaves é um clube que cumpre e que dá todas as condições a quem lá trabalha", faz notar Norton de Matos.

"Mas um dos seus problemas é claramente a instabilidade que denota, nem sempre é razoável na forma como aborda determinadas situações", precisa o ex-treinador dos flavienses.

"É péssimo o facto de se deixar influenciar pelas pessoas que o rodeiam mas quem vai para Chaves já sabe o que vai encontrar", reforça Norton de Matos, que guarda da sua passagem as melhores recordações. "Tivemos uma preparação de época perfeita, em colaboração direta com o seu filho Francisco, mas quando a competição começou…", deixa ainda ficar mais um treinador que não conseguiu completar uma época no comando deste Desportivo de Chaves que tem a marca de Francisco Carvalho.

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