Henrique lembra momentos difíceis no Chipre: «Sentia que estava a ser posto de parte»

Assinou pelo Pafos, mas dois meses depois está sem equipa e de regresso ao país

O central português Henrique decidiu abraçar um projeto fora de Portugal, mas, dois meses depois, está a passar por momentos que, ao longo da sua carreira, nunca pensou viver. Após três temporadas ao serviço do Boavista, assinou pelo Pafos, equipa em ascensão no Chipre, que tem como objetivo chegar às competições europeias já nas próximas épocas, mas as coisas acabaram com o regresso precoce a Portugal.

Ao início nada fazia prever o que veio a suceder-se. "A pré-temporada estava a correr bem, sentia-me muito forte. Tive uma adaptação muito tranquila ao Chipre", refere o português, de 31 anos, antes de contar como a situação começou a piorar. "Estava bem, mas sentia que estava a ser posto de parte e isso confirmou-se. No dia do fecho do mercado chamaram-me para uma reunião e disseram que me pagavam três meses para eu ir embora", recorda, proposta que o atleta não aceitou.

Henrique saiu da reunião sem saber se seria inscrito ou não e, nos dias seguintes, recebeu a confirmação. "Passados uns dias disseram que iam inscrever-me e aí pensei que tudo estava encaminhado. No entanto, um jogador chateou-se com o treinador e rescindiu e isso é que me atirou para fora da equipa, devido ao limite de inscrição de jogadores acima dos 22 anos. Ofereceram-me outro contrato, desta vez de seis meses, voltei a recusar e, nessa tarde, recebi a carta de rescisão unilateral", conta a Record o central, que ainda se sente no topo das suas capacidades físicas. "Nunca pensei estar a passar por esta situação, principalmente depois da pré-temporada que fiz. É difícil estar desempregado nesta altura em que me sinto tão bem fisicamente", conclui.

«Portugal é a minha primeira opção»

O central tem o seu objetivo bem definido. "Voltar à competição o mais rapidamente possível." Esse regresso deverá passar por cá, também por motivos familiares. "Portugal é a minha primeira opção. Estes meses foram complicados e não quero que eles passem por isso novamente. Para ir para fora tinha de ser uma proposta muito tentadora, mas neste momento só me vejo a jogar em Portugal", admite o atleta, que, para não perder a forma em que se encontra, está a treinar-se com o plantel do Lourosa, do Campeonato de Portugal.

Henrique sente-se muito bem fisicamente e acredita que equipas da 1ª Liga vão apostar nele já em janeiro. "Toda a gente sabe o que eu valho, a qualidade não está em causa. Sempre que estive bem, correspondi. Tenho tido muitos azares, mas sinto-me como nunca e ainda tenho muitos anos de futebol pela frente", garante.

Esta foi uma situação complicada, mas o central garante que está pronto para ajudar quem apostar nele. "Quando jogava no Penafiel, estive perto de deixar o futebol devido às lesões, mas sempre fui um guerreiro. Já bati no fundo, já me levantei, logo, não vai ser isto que me vai deitar abaixo. Estou mais do que apto, agora falta saber se as equipas precisam ou se gostam de mim como jogador", conclui.

Conforto familiar pesou na decisão

Henrique recebeu várias propostas para jogar fora de Portugal, uma de Hong Kong e outra da Índia, mas o central optou pelo Chipre, sobretudo devido ao conforto familiar. "Pesou muito na minha decisão. O Chipre é um bom país para se viver, via-me ali por muitos anos. A nível desportivo, Hong Kong seria a melhor opção, pois poderia abrir alguns mercados na Ásia, mas não seria tão confortável." Com esta situação, o jogador português admite que a sua família também passou por maus momentos, mas que teve sempre muito apoio: "Passei por momentos de frustração e foi a minha mulher que me aturou. Foi muito importante para agora estar bem e de cabeça erguida."

Por Pedro Filipe Pinto
Deixe o seu comentário
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Futebol Nacional

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.