Julgamento da 'Operação Malapata': caso do MP contra César Boaventura passa pelo Canadá e por negócios com imobiliário e automóveis
Gedson Fernandes deveria ter testemunhado na sessão desta segunda-feira mas não foi notificado
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Realizou-se, esta segunda-feira, no Tribunal de São João Novo, no Porto, a 3.ª sessão do julgamento da 'Operação Malapata', onde César Boaventura, juntamente com outros arguidos, está acusado de 10 crimes, que incluem fraude fiscal, branqueamento e extorsão de capitais.
Após os testemunhos de agentes da Polícia Judiciária e da Autoridade Tributária na sessão anterior, a desta segunda-feira centrou-se em testemunhas civis arroladas pelo Ministério Público, com ligações a vários arguidos e a negócios nos quais César Boaventura, de acordo com a acusação, esteve envolvido.
A primeira das testemunhas ouvidas, na parte da manhã, foi José Veloso, empresário ligado a imobiliário, que esteve alegadamente envolvido na venda de uma moradia a César Boaventura, perto do mar, em Esposende. Segundo o exposto, apesar de ter sido realizado um contrato promessa e existir, efetivamente, um documento para a venda do imóvel assinado, isto além de Boaventura ter ocupado a casa, o negócio não foi concluído e o dinheiro nunca chegou a ser recebido pela entidade vendedora. O valor do acordo, segundo a testemunha, terá sido inflacionado em relação à avaliação feita ao imóvel, que, mais tarde, viria a ser desocupado por César Boaventura face à falta de pagamento e vendido por um valor a rondar os 400 mil euros a outro comprador.
O segundo testemunho, de Vítor Silva, através de vídeo-chamada, abordou a sociedade Domínio Vedeta, da qual aquele era sócio-gerente juntamente César Boaventura. Segundo declarou, a testemunha não tinha acesso a toda a contabilidade, nem sabia que a mesma tinha a representação de jogadores como área de atividade. Mais tarde, Vítor Silva disse ter vendido cotas da sua parte da empresa a José Lima, empresário sediado no Canadá, também já referido na 2.ª sessão. Formalmente a empresa não teria sequer escritório ou sede, sendo que a localização definida na documentação era uma casa, à altura, ocupada por César Boaventura.
Esta segunda testemunha declarou ainda que fazia transferências bancárias em nome da empresa para contas no Canadá e que, quando questionou o empresário de jogadores sobre de onde vinha o dinheiro, este lhe comunicou que dizia respeito à transferência do guarda-redes Mika, para o Sunderland, que efetivamente aconteceu em 2016. A testemunha disse ainda querer ter vendido a empresa quando descobriu que César Boaventura tinha o desejo de declarar insolvência e que Ramiro Viana, motorista de César Boaventura, lhe confidenciou que se considerava empregado da Domínio Vedeta.
A última testemunha da manhã foi Hugo Ricardo, dono de um stand de automóveis, o HM Motor, na zona de Braga, com o qual César Boaventura terá realizado vários negócios, entre eles a compra de um Range Rover Sport que, por falta de pagamento, não se concretizou, apesar do empresário utilizar a viatura durante algum tempo. No entanto, outros negócios foram efetivamente concretizados, especialmente a envolver veículos da marca BMW, ficando o dono do stand, como concretizou, com a ideia de que Boaventura era um empresário de sucesso e tinha largo poder financeiro, até pela amostra de uma conta bancária no telemóvel. Este pormenor foi refutado pelo tribunal, que advertiu a testemunha por não consolidar a causa diante da PJ, anteriormente, em questionário. Além de trocas, César Boaventura também fez a venda de algumas viaturas a esta testemunha, destacando-se um Mercedes GLC, cuja parte do pagamento foi feito à empresa PSG, o que, segundo o testemunho, levou à ideia de que o empresário devia algum dinheiro a esta empresa.
A sessão deveria ter incluído um testemunho por vídeo-chamada do médio Gedson Fernandes, que já representou o Benfica, mas o futebolista não chegou a ser notificado e portanto, não se apresentou, ficando a nota de que prestaria declarações ao tribunal na próxima sessão, marcada para dia 19, quinta-feira.