Manuel Cajuda: o "papagaio" que deixou marca no Sp. Braga e no V. Guimarães

Treinador contou alguns momentos da sua carreira durante o 'Porto Sports Summit', em Espinho

Manuel Cajuda, de 68 anos, entreteve a plateia presente na sessão desta tarde do 'Porto Sports Summit', em Espinho, recuperando alguns momentos marcantes da sua carreira. Falou dos "disparates" que dizia para ter destaque na imprensa, da vitória pelo Sp. Braga em Alvalade ou da emoção quando apurou o V. Guimarães para Liga dos Campeões.

"Quando cheguei ao Sp. Braga, o clube estava no 15.º lugar. Percebi que Lisboa gostava de Lisboa... Havia necessidade do treinador dizer uma série de patetices para que fossem publicadas. É o que vende. Eu disse uma série de asneiras, de forma consciente. Comecei a ver o espaço a crescer na imprensa e quando saí do Sp. Braga já tinha uma página diária nos jornais. Por isso é que chamava-me de papagaio, piriquito, filósofo... Eu quando dizia uma asneira, sabia que se corresse bem iriam dizer bem de mim. Se corresse mal levaria porrada", revelou Manuel Cajuda, prosseguindo.

"Numa terça-feira disse que íamos a Alvalade jogar com três avançados e íamos ganhar. Aqui não está em causa o Sporting, por amor de Deus, mas a minha asneira. Eu disse que ia jogar com três avançados e ia ganhar. Sabia perfeitamente que era muito difícil ganhar, mas sabia o que estava a criar. Na quinta-feira, num jornal, saiu um texto de opinião em que me chamaram de tudo, só faltou chamar de pai... O fim do mundo. Moral da história: Não é que ganhei 1-0? Na outra quinta-feira seguinte, tive um artigo de opinião que dizia que era um treinador extremamente perspicaz e inteligente", contou.

Manuel Cajuda passou pelos arsenalistas na década de 90 e início do novo milénio. Mais tarde veio a comandar o V. Guimarães, tendo apurado a equipa para a Liga dos Campeões, na época 2007/08, depois de ter subido da 2.ª Liga. E Cajuda revelou algo que nunca tinha contado publicamente.

"Fomos à Liga dos Campeões. No último jogo, nos últimos 10 minutos, ninguém sabia onde eu estava. Todos em festa e eu passei lentamente, saí... Fui embora. Para onde fui? Fui ter com as pessoas que me ajudaram mais na carreira, a família. Fazer o quê? Ver o maior espetáculo do Mundo, a massa associativa do Vitória. Eu quis ver. Coisa mais bonita. E chorei. Estava com a família a ver aquele ambiente maravilhoso", contou o experiente treinador. Mas Cajuda assumiu sentir dificuldade em falar do Vitória. "Nunca irei encontrar os adjetivos que o Vitória merece", sublinhou.

O presidente mau e o presidente bom

Cajuda contou ainda a situação de um clube que estava na luta por uma subida de divisão, o técnico tinha dois jogadores tocados e o presidente desse emblema, não identificado, não permitiu que fossem chamados dois jogadores a mais, pois "custava 17 euros a refeição".

Uma situação negativa que contrasta com outra, em que um antigo presidente do Belenenses, após a saída de Cajuda, fez questão de pagar o contrato por inteiro, por forma a que o filho do técnico não saísse da escola.

O treinador reafirmou que "nunca foi objetivo" treinar os três grandes e diz que, depois de ter superado a dura batalha contra um cancro, "mais dia ou menos dia" há de voltar à atividade.

Por André Gonçalves
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