Os segredos por trás do treino de guarda-redes

Sá Pinto, Moreira, Pedro Espinha e Luís Ribeiro abordaram o assunto sob perspetivas diferentes

Uma ação de formação destinada a guarda-redes, organizada pela Sportrail, decorreu no Estádio Municipal de Oeiras e teve como um dos pontos altos um colóquio, moderado pelo jornalista de Record Sérgio Krithinas, que contou com a participação de Ricardo Sá Pinto, treinador profissional, Moreira e Luís Ribeiro, ambos guarda-redes do plantel do Estoril, e Pedro Espinha, técnico de guarda-redes da Federação Portuguesa de Futebol.

Foi, por isso, sob ângulos diferentes que o treino e a formação dos homens que defendem as balizas foi abordada. A evolução do treino e respetivas metedologias de treino, as etapas de desenvolvimento desde a juventude, as escolas existentes e até as oportunidades que um jovem guarda-redes sente para chegar à titularidade na baliza de uma equipa de topo foram debatidas com algum pormenor pelos participantes.

No plano de Sá Pinto, que é treinador principal e que confia plenamente na sua equipa técnica, os seus adjuntos são, como disse, um factor de valorização para si próprio, tendo ficado evidente que a interação entre técnico principal e de guarda-redes é fundamental nos dias que correm. Para além disso, e conforme também referiu, "é melhor a eficácia do que a espetacularidade" num contexto que que a relação com a bola, designadamente a jogar com os pés, "é essencial", o posicionamento "assume importância determinante bem como a estrutura do próprio guarda redes e o carácter destemido que possui".

Moreira, titular na baliza do Estoril, revelou ter beneficiado da convivência com os melhores durante dois anos e meio nos juniores e na equipa B para chegar já com alguma maturidade à baliza do Benfica. "Entrei nos últimos 10 jogos e, apesar de não haver nada para ganhar, sabia que os olhos estavam colocados no miúdo", lembra, referindo que é do tempo em que não existiam treinadores de guarda-redes, quando atuava no Salgueiros, clube onde, ainda cheio de ambições e muito novo, pedia ao já quase consagrado Sá Pinto para lhe fazer uns ramates à baliza. Outra conclusão a retirar do discurso de Moreira foi a de que "também se aprende sozinho, nomeadamente com erros em clubes onde um jogo é um autêntico 'tiro ao boneco'.

Também Luís Ribeiro, suplente de Moreira e formado no Sporting, contou a sua experiência, admitindo que ter possuído um treinador de guarda-redes durante todo o seu percurso de formação funcionou como um benefício importante na sua ascensão. Ribeiro destacou, igualmente, o facto dos guarda-redes constituirem "um mundo à parte dentro de um plantel". "Spomos uma família que se respeita e as decisões sobre quem joga cabem ao treinador", afirmou, não deixando de, em tom de brincadeira, acrescentar: "O que eu quero agora é tiral o lugar ao Moreira.

A vertente mais técnica e científica veio à conversa com as intervenções de Pedro Espinha. Diferenças, escolas de guarda-redes, estilos e metodologias foram abordados pelo antigo guarda-redes internacional. "Já se trabalha muito bem hoje em dia. Já há trrinadores, os modelos competitivos ajudam e quando um jovem chega a sénios tem atualmente a vida mais facilitada". Quanto a escolas, Espinha sublinha que "há muitas semelhanças", mas reconhece que "em Inglaterra domina a vertente física; em Itália, a técnica", adiantando que a escola portuguesa ou uma eventual escola pode ser uma realidade se os cursos passarem a ser certificados", ressalvando, contudo, que isso não depende de uma só instituição

Curiosidades:

Moreira e a frontalidade de Trapattoni

Decorria a temporada de 2004/05 quando o Benfica, campeão nacional nessa época, sofreu pesada derrota no Restelo por 4-1. Moreira era o guarda-redes encarnado e a pressão cresceu após esse jogo. O guarda-redes saíu da baliza após esse encontro em benefício de Quim. Hoje Moreira revelou o que muitos não sabiam e elogiou o treinador italiano. "Teve uma conversa comigo, foi muito frontal e explicou-me as razões pelas quais eu iria sair da baliza. É isso que eu aprecio num treinador"

O exemplo de Robert Enke

Exemplo para Moreira foi o alemão Robert Enke. Mesmo jovem, tinha uma maturidade fora do comum. A sua vontade em evoluir era fantástica. Passava semanas a corrigir pequenos pormenores. Foi uma das grandes coisas que tirei dele."

A fidelidade de Sá Pinto

Recebeu um convite recente para trabalhar, mas só podia levar um adjunto. Recusou. Porquê?Porque, conforme revelou, não abdica da sua equipa técnica, incluindo o treinador de guarda-redes, Ricardo Pereira, o organizador desta formação. "Confio muito na minha equipa técnica e, enquanto puder levá-los, vão comigo. Sou melhor treinador com eles."

Luís Ribeiro só queria jogar

Não tem referências especiais na baliza nem se inspirou em ninguém em especial. "Até comecei a avançado e antes de ir para o Sporting, quis ir para a baliza por lesão do titular. Defrontei o Sporting, estive beme fui contratado, mas queria, acima de tudo, divertir-me"

Espinha teve técnico aos 25 anos

Pedro Espinha teve o primeiro treino com um especialista em guarda-redes aos 25 anos quando representava o Belenenses. Era um jogador adulto, mas reconhece ter corrigido alguns pormenores e retificado algumas deficiências, reconhecendo que até podia ter atingido outro nível. "Não tínhamos aprendido só por nós próprios e eventualmente teríamos atingido outro patamar", observou, considerando "que Portugal vai melhorar e vão aparecer muitos guarda-redes de qualidade".

Por João Pedro Abecasis
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