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Líder da equipa do Lis lamenta que a solidariedade que o país tem demonstrado nos últimos dias não tenha sido replicada na AG da Liga
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Nélio Lucas, atual líder da SAD da U. Leiria, que milita no segundo escalão, não poupou nas críticas aos clubes que chumbaram a distribuição das verbas da UEFA aos clubes da 2.ª Liga.
"Vergonha é aquilo que sinto hoje. O que aconteceu aqui é indescritível. É indescritível porque eu, como o máximo representante desportivo de uma equipa que representa toda a região centro, região completamente fustigada por estas sucessivas tempestades, que está num estado de calamidade sem precedentes no nosso país, e que tem gerado um eco de solidariedade sem precedentes no nosso país", começou por referir, em declarações aos jornalistas.
"Hoje aqui tratava-se de solidariedade. Como a própria palavra diz, solidariedade tem a ver com aquilo que é a responsabilidade e o que cada um tem no seu bom senso e no seu interior para dar ou para oferecer ao próximo. O futebol português tem uma responsabilidade muito grande na nossa sociedade. Ao não termos aprovado aqui a solidariedade, trata-se de uma quebra total no eco solidário que o país encontra neste momento", sublinhou, indo ainda mais longe.
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"É muito triste e mesmo vergonhoso, não ter havido um eco solidário de todos aqui. Eu esperava o voto unânime para esta época de solidariedade por aquilo que o país está a sofrer. Não foi o que aconteceu e acho que devem-se envergonhar todos aqueles que votaram contra, porque efetivamente não representam aquilo que a nossa sociedade tem de melhor, que é esse nosso espírito português. A eles, tenho-lhes a dizer que não orgulham nada o futebol português. Tomaram esta decisão por interesse próprio contra o interesse maior que era o futebol e por uma questão de momento e provavelmente com outros interesses políticos. É lamentável", frisou, já depois de agradecer o auxílio que tem sido dado à região e à própria U. Leiria.
"Queria também aproveitar para agradecer a toda a gente que tem apoiado a gente da nossa terra, da região centro. Um abraço de solidariedade a toda a gente que sofreu estas consequências. Agradecer a todos os que têm ajudado. No caso da União de Leiria, também agradecer a todos os clubes que se disponibilizaram para nos receber, porque nós não temos casa para treinar, não temos nada, não temos sequer estádio para poder jogar. Estamos neste momento à mercê da solidariedade de todos", terminou.
Líder do Marítimo aponta fratura no futebol português
Por sua vez, Carlos André Gomes, presidente do Marítimo lembrou que a distribuição aprovada em dezembro de 2024 seria válida para três e lamentou que, "a meio do jogo", a Federação tenha mudado as regras do jogo e obrigado a nova votação. "Entenderam os clubes da 1.ª Liga, só alguns, que não deveria ser distribuída, portanto quando se apela à união do futebol português, pelos vistos o que se deu foi uma fratura do futebol português", disse, garantindo que quando o Marítimo voltar à 1.ª Liga se manterá solidário com os clubes da 2ª Liga.
Além disso, o dirigente abordou também o impacto nas receitas dos clubes afetados, muitos deles já com a verba incluída no seu orçamento. "Obviamente tem um impacto muito grande quando estamos na 2.ª Liga, em que as receitas são substancialmente mais baixas do que eram na 1.ª Liga. Toda a verba que está orçamentada conta. Quando a meio do percurso mudamos as regras e deixamos de contar com essa verba, obviamente torna-se a partida mais difícil. A verba estava orçamentada porque era uma verba que sempre tinha sido distribuída, tinha um caráter regular e, dentro dessa regularidade, os clubes orçamentavam como sendo uma receita para as suas equipas.", explicou.
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